GRANÉ: maior zagueiro artilheiro do Corinthians

                Pedro Grané nasceu dia 10 de novembro de 1897, na cidade de São Paulo. É considerado um dos melhores laterais direitos que já passaram pelo S. C. Corinthians Paulista. Formou nos anos 20 e 30, um trio que ficou muito famoso; Tuffy, Grané e Del Débbio. Se destacou pelos chutes fortes, por isso ganhou o apelido de 420 (nome do canhão de maior calibre da época). Além do Corinthians, defendeu também o tradicional Ypiranga da capital paulista, um clube que já foi extinto, mas que naquela época, tinha um dos times de futebol mais fortes do cenário nacional.

                E foi no Ypiranga que começou sua carreira futebolística, deixando o clube em 1924 para jogar no alvinegro de Parque São Jorge.  O chute de Grané era tão forte que certa vez aconteceu o seguinte: Num encontro entre Paulistas x Cariocas no Parque São Jorge, a “Casa Murano” oferecia uma vitrola ao jogador que marcasse o primeiro tento da partida. O juiz marcou uma penalidade contra os cariocas, e Grané que era o encarregado de bater as faltas, pois possuía o chute mais violento do país, correu para a marca da cal, vibrando de alegria por 2 motivos: a penalidade que na certa daria um tento para os paulistas, e pelo régio presente que iria abiscoitar.

                E antes do chute, gozava os companheiros “amanhã apareçam em casa para ouvir discos em minha nova vitrola”. Afastou 4 jardas e remeteu um violento chute contra o arco de Jaguaré, que era considerado o maior goleiro do Brasil na época (jogou no Timão já no final de sua carreira em 1934). Jaguaré que momentos antes disse “olha aqui, seu mastodonte, vou tirar o seu chutinho com um soco. Tá ouvindo?”  Defendeu, mas largou a bola e foi cair meio desacordado e com um braço fraturado no fundo das redes!  O ponta esquerda De Maria correu e marcou o gol. Depois, entre abraços e risos falou “amanhã vocês apareçam em casa para ouvir discos em minha nova vitrola” Grané ficou furioso.

CORINTHIANS

               A estreia de Grané no Corinthians aconteceu dia 18 de maio de 1924, quando o Corinthians venceu o Sãomanuelense por 2 a 1 num jogo amistoso realizado na cidade de São Manuel, interior de São Paulo. Os gols corintianos foram marcados por Tatú e Grané cobrando pênalti, enquanto que para o time da casa, Waldemar marcou o único tento. Neste dia o alvinegro jogou com; Colombo, Grané e Del Débbio; Gelindo, Gambarotta e Leone; Peres, Neco, Rueda, Tatú e Rodrigues. O técnico era Guido Giacomelli. E já em seu primeiro ano no clube, sagrou-se campeão paulista. A grande final foi no dia 11 de janeiro de 1925, quando o Corinthians derrotou o Paulistano por 1 a 0, gol de Tatú aos 29 minutos do segundo tempo. Este foi o 5º título paulista do Corinthians e com ele conquistava seu primeiro tri campeonato pois já havia ganho em 1922 e 1923.

               Em 1927, o Campeonato Paulista seguia um ciclo de mudanças. No ano anterior, uma cisão já havia criado dois campeonatos distintos, a Associação Paulista de Esportes Atléticos (Apea) e Liga dos Amadores do Futebol (LAF), tendo o Corinthians como membro participante deste último. No decorrer da competição, mais especificamente na partida diante do Paulistano, um pênalti marcado contra o Corinthians não foi aceito pelos jogadores do alvinegro, e a partida não chegou ao fim. O zagueiro corintiano Grané, inclusive, chegou a agredir o árbitro pela confusão e foi suspenso por três partidas. O gancho de Grané e os pontos do jogo sendo contabilizados para o Paulistano fizeram com que o Corinthians fosse mais um dos clubes a abandonar a LFA e ingressar na competição da Apea. Na nova competição, o Timão sofreu duas das três derrotas na temporada (a outra foi em um amistoso) e ficou apenas com a terceira colocação, terminando o ano com duas disputas no Paulistão e nenhuma taça.

               Mas chegava o ano de 1928 e naquele ano o Corinthians entrava numa fase de ouro, pois conquistaria o título paulista por três vezes consecutivas. Do goleiro Tuffy ao ponta esquerda De Maria, o Corinthians campeão paulista de 28, base do tri a ser conquistado nos anos seguintes, entraria para a história alvinegra. Foi também neste ano, que o Corinthians inaugurou seu estádio. Como naquele local abrigava uma pequena fazenda, até hoje o campo tem o apelido carinhoso de Fazendinha. O presidente do clube entre 1930 e 1933, Sr. Alfredo Schuring, foi homenageado com o nome do estádio por contribuir com sua compra. O Corinthians inaugurou seu novo estádio somente em 22 de julho de 1928, num jogo amistoso entre o Campeão Paulista e o Campeão Carioca, que era o América, num empate de 2 a 2, e lá estava Grané em campo juntamente com Tuffy, Del Débbio, Neco, Rato e também De Maria, que fez o primeiro gol da partida, por conseguinte o primeiro do estádio e também o mais rápido, pois foi aos 29 segundos de jogo.

SEGUNDO TRICAMPEONATO 

               E foi neste ano de 1928, que o Corinthians deu uma nova arrancada para a conquista do seu segundo tricampeonato. Na partida que decidiu o título de 1928, o alvinegro bateu a Portuguesa por 3 a 2, em casa. Revoltado com a arbitragem, o dirigente Benedito Bueno, da Lusa,  invadiu o campo armado e foi agredido por Neco, que só não levou um tiro porque o cartola foi contido pela polícia. Após a Lusa deixar o gramado, o árbitro Enéas Sgarzi autorizou Neco a dar nova saída e marcar o último tento sem goleiro. No ano seguinte veio o bicampeonato em cima do arqui rival Palestra por 4 a 1. Este jogo aconteceu no dia 1 de dezembro de 1929 e os gols foram anotados por: De Maria (2), Filó e Gambinha, enquanto que para o Palestra marcou Carrone. Este título foi de forma invicta.

               Este ano de 1929, também foi importante para o Corinthians, pois além de conquistar seu sétimo título estadual, venceu o Barracas da Argentina por 3 a 1 no primeiro amistoso internacional do Corinthians. Este jogo aconteceu dia 1 de maio de 1929 e foi realizado no Parque São Jorge. No dia seguinte estava estampado no jornal “A Gazeta” um texto do jornalista Thomaz Mazzoni que saudava a “fibra dos mosqueteiros”. Sendo assim, a partir daquele dia os jogadores do Corinthians passaram a ser chamados de Mosqueteiros e o time ganhou o mascote adotado até os dias de hoje como oficial. 

              Em 1930 veio o segundo tricampeonato e o jogo final aconteceu no dia 4 de janeiro de 1931, quando o Corinthians goleou o Santos por 5 a 2 em plena Vila Belmiro. Os gols foram marcados por: Gambinha (2), De Maria, Filó e Napoli, enquanto que para o Peixe marcaram Feitiço e Vitor. Neste dia a torcida corintiana invadiu a Vila Belmiro. Foram 8 composições de trem com 10 vagões cada, todos de corintianos que saíram da Estação da Luz para verem o Timão conquistar seu segundo tricampeonato. Na volta muitos torcedores viajaram em cima dos vagões sem camisa comemorando o titulo, com isto, muitos vieram a morrer de pneumonia e tuberculose.

               Grané jogou no Corinthians até o ano de 1932. Sua última partida aconteceu dia 12 de junho de 1932, e por coincidência foi contra seu ex-clube, o Ypiranga, pelo segundo turno do Campeonato Paulista. Neste dia o Corinthians perdeu por 3 a 1. O gol corintiano foi marcado por Carlito, enquanto que Nello (2) e Bastos marcaram para o Ypiranga. O jogo foi no Parque São Jorge.  Com a camisa do Corinthians, Grané disputou 179 jogos. Venceu 113, empatou 30 e perdeu 36. Marcou 50 gols a favor e 2 contra.  Seu gol de nº 50 aconteceu dia 22 de maio de 1932, quando o Corinthians goleou o Atlético Santista por 5 a 1. Este gol foi de pênalti aos 19 minutos do segundo tempo.

HOMENAGEM

               Ao lado do goleiro Tuffi e do companheiro de zaga Del Débbio, Grané formou um dos maiores trio do futebol paulista de todos os tempos.  Entre as décadas de 1920 e 1930, o canhão de maior calibre da época, de fabricação alemã, chamava-se 420. Dá, então, para ter uma ideia da potência do chute de Pedro Grané, que já nos primeiros jogos pelo Corinthians ganhou o apelido de ‘420’. Seus chutes eram mortais em cobranças de falta, e até em escanteios. Durante quase uma década. Grané se tornou o senhor defesa-corintiana, tanto na zaga quanto na lateral-direita. É o defensor que mais fez gols na história do clube: 50.

               No Corinthians, construiu fama de excelente zagueiro e faturou quatro Paulistas (1924, 28/29/30). Grané seria presença certa na Seleção Brasileira que participou em 1930, no Uruguai, da primeira Copa do Mundo, mas não foi convocado, porque naquela época, o “bairrismo” era muito presente no futebol brasileiro. Esse fator acabou prejudicando a campanha do país no Mundial, que não passou da primeira fase. Chegou a defender nossa Seleção em seis oportunidades, marcando dois gols.

               E a simples menção de seu nome, fazia os goleiros de sua época e os meninos de uma década depois dele ter pendurado as chuteiras tremerem de medo. Alto, forte, possuía, segundo os antigos, um petardo tão letal em seu pé direito, que logo foi apelidado de 420, o sinistro canhão do Kaiser utilizado na Primeira Grande Guerra. Muitas lendas se criaram em torno de seu chute poderoso. A mais célebre foi a de que Grané, num jogo decisivo viu-se na marca do pênalti diante de seu irmão Lara, goleiro do Ypiranga.

               O goleiro estava enchendo o saco dele o jogo inteiro e por azar do arqueiro, houve um pênalti e o Grané foi cobrar, só que ao invés de mirar no canto, mirou no goleiro e o nocauteou. Bem que Grané implorou várias vezes para o irmão sair da frente. Não saiu. Fez mais: saltou e agarrou o míssil com as duas mãos. E não mais se levantou. Muitas lendas se criaram em torno de seu chute poderoso. Diziam que todas as vezes que Grané ia cobrar um tiro de meta os companheiros pediam para que chutasse devagar, senão a bola se perderia pela linha de fundo do gol adversário. Grané faleceu em 1985.

Em pé: Nerino, Grané, Tuffy, Del Debbio, Guimarães e Munhoz    –     Agachados: Filó, Apparício, Gambinha, Rato e De Maria
Em pé: Nerino, Grané, Tuffy, Del Débbio, Guimarães e Munhoz    –     Agachados: Filó, Neco, Gambinha, Rato I e Rato II
Em Pé: Tuffy, Nerino, Grané, Guimaràes, Del Débbio e Munhoz    –    Agachados: Filó, Néco, Peres, Rato e De Maria
Da esquerda p/ direita: Tuffy, Grané, Aparício, Neco, De Maria, Del Débbio, Gambinha, Mário, Munhoz, Soares e Rato
Seleção Paulista de 1928 – Em pé temos Amilcar, Grané, o goleiro Tuffy, Del Débbio e como centroavante Friedenreich
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