DJALMINHA: brilhou no Flamengo, Palmeiras e La Coruña da Espanha

              Djalma Feitosa Dias nasceu dia 9 de dezembro de 1970, na cidade de Santos-SP. Com a bola nos pés, era um Anjo. Capaz de resolver uma partida com um toque de classe. Passes precisos, dribles desconcertantes e gols inesquecíveis: o futebol se transformava em espetáculo quando ele estava em campo. Djalminha dispensa apresentações, foi uma unanimidade nacional, um malabarista de chuteiras nos anos em que ficou em campo. O problema era quando seu temperamento intempestivo entrava em ação. Confusão, escândalos e brigas. A rebeldia atrapalhou a magia do anjo. O ‘Bad Boy’ colecionou confusões com a mesma facilidade com que passou pelos adversários na rota do gol. A emoção falou mais alto que a razão. A habilidade futebolística foi herança do pai Djalma Dias, um dos zagueiros mais talentosos da história do futebol nacional, mas que faleceu antes de sentir o prazer de assistir o filho se consagrar.

FLAMENGO             

              Djalminha conduziu o Flamengo à conquista da Copa São Paulo de Juniores de 1990. E foi nesta Copinha, que o Flamengo formou um excelente grupo de jovens e com isto, o time rubro-negro derrotou o Corinthians por 7 a 1, em pleno Pacaembu, e depois derrotou na final o Juventus, gol de Júnior Baiano. Djalminha foi o principal destaque da equipe do Flamengo.

               Em decorrência de seu excelente desempenho, ele conseguiu a promoção para os profissionais ao lado de figuras como Nélio e Paulo Nunes. O talentoso meia ainda participou, no mesmo ano, do título da Copa do Brasil. Djalminha disputou sua primeira partida profissional no dia 8 de março de 1990. Com a camisa rubro-negra do Mengão, o meia participou da vitória sobre o América por 1 a 0.  Seu talento lhe rendeu títulos e dinheiro. Sua rebeldia, porém, lhe afastou da consagração máxima. Djalminha, se só jogasse futebol, seria titular absoluto da seleção brasileira. O craque disputou 11 jogos pela equipe canarinho (fez quatro gols), mas nunca se firmou entre os titulares. Era considerado desagregador, o gênio indomável, pois o santista tem futebol para jogar em qualquer seleção do mundo.

               Mas, graças ao temperamento…  O craque ficou na Gávea até 1993 e só saiu do Flamengo após uma briga com Renato Gaúcho durante um Fla-Flu realizado em Niterói, e que o Flamengo perdeu por 3 a 2. No Guarani, jogou quase duas temporadas, até ser cedido por empréstimo ao Shimizu Pulse, do Japão, em 1994. O ritmo de vida no Oriente não agradou, voltou naquele ano para Campinas e em 1995 reforçou o Palmeiras. Pelo Flamengo, Djalminha fez 126 jogos, com 71 vitórias, 29 empates, 26 derrotas e 25 gols marcados.

PALMEIRAS

               No Palestra Itália, viveu momentos mágicos em 1996, ao lado de grandes craques conquistou o Campeonato Paulista com apenas uma derrota (para o Guarani em Campinas) e 102 gols marcados. O Palmeiras possuía uma das melhores equipes já formadas no futebol brasileiro em toda história, a equipe base dessa conquista tinha a seguinte formação: Velloso; Cafu, Sandro, Cléber e Júnior; Galeano, Amaral, Rivaldo e Djalminha; Müller e Luizão. Para se ter ideia do poder dessa equipe, vale lembrar que a maior parte desses jogadores tiveram importantes passagem pela Seleção brasileira, o lateral-direito Cafú, por exemplo, foi o capitão do pentacampeonato brasileiro na Copa de 2002, tendo ainda participado das duas Copas do Mundo anteriores (1994 e 1998).

              O lateral-esquerdo Júnior e o centro-avante Luizão foram reservas respectivamente de Roberto Carlos e Ronaldo na Copa do Mundo de 2002. Rivaldo que chegou a ganhar o prêmio de melhor jogador do mundo em 1999 pela FIFA, foi destaque da Seleção vice-campeã do mundo em 1998 e da campeã de 2002. Djalminha, o jogador mais técnico do time do Palmeiras de 1996, só não participou de nenhuma Copa do Mundo devido seu temperamento polêmico, fato que para maioria dos que admiram um futebol bonito foi uma das maiores injustiças cometidas para com um jogador de futebol.

               O Campeonato Paulista de 1996 a princípio não deveria ser por pontos corridos, no entanto uma campanha tão superior como a do Palmeiras naquela competição mudaria essa situação. Tudo ocorreu devido ao regulamento que previa um campeonato dividido em dois turnos onde o campeão e vice de cada turno fariam as semi-finais, no entanto, o mesmo regulamento previa que se a mesma equipe que ganhara o primeiro turno vencesse também o segundo turno, já se consagraria o campeão sem a necessidade das finais. Possuindo uma equipe nitidamente superior as demais o Palmeiras conquistou ambos os turnos com larga vantagem.

               O primeiro turno o Palmeiras venceu 14 dos 15 jogos disputados, obtendo apenas 1 empate. No segundo turno a equipe do Palmeiras venceu 13 partidas, empatou 1 e perdeu sua única partida do torneio por 0x1 para o Guarani. Somando-se os dois turnos o Palmeiras atingiu 83 dos 90 pontos disputados, enquanto que o São Paulo vice-campeão atingiu a inexpressiva marca de 53 pontos conquistados. Com a conquista dos dois turnos o Palmeiras acabou transformando aquele campeonato em pontos corridos.

               Vale lembrar algumas façanhas daquela equipe durante o torneio como as goleadas de 6 a 1 sobre a Ferroviária, 7 a 1 no Novorizontino, 8 a 0 diante do Botafogo e o impressionante 6 a 0 sobre o Santos em plena Vila Belmiro. Sem dúvida essa equipe ficou marcado na história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Foi também vice-campeão da Copa do Brasil. Em 1997, Djalminha se tornou o maestro do time alviverde, mas a responsabilidade foi muito grande. Nas quartas-de-final da Copa do Brasil, não resistiu à pressão e recebeu cartão vermelho, deu vexame, em jogo decisivo contra o Flamengo. E foi negociado por US$ 12 milhões com o Deportivo La Coruña, clube espanhol. Com a camisa do alviverde de Parque Antarctica, Djalminha fez 88 jogos pelo clube com 57 vitórias, 17 empates, 14 derrotas e 47 gols marcados.

LA CORUÑA

              Os espanhóis não se arrependeram do investimento. O presidente do Depór, como é chamado o Deportivo pelos seus torcedores, Cesar Luiz Lendoiro, não poupa elogios ao ‘canhoto genial’. “Ele (Djalminha) é um fora de série, que não sai daqui”, costumava repetir o cartola, que correu para renovar o contrato do polêmico brasileiro até 2005. A explicação de tamanha admiração é simples: o meia brasileiro foi um dos principais responsáveis pela conquista do Campeonato Espanhol 1999/2000, o primeiro título da história do clube galego. Mas o casamento perfeito, Deportivo-Djalminha, já tinha vivido crises e esteve perto do divórcio. E a separação veio em junho de 2002. Num treino recreativo, o jogador discordou da marcação de um pênalti por Javier Irureta, o técnico da equipe. Chutou a bola para longe e não hesitou em golpeá-lo com a cabeça.

              Afastado da equipe, o meia perdeu a oportunidade de defender a seleção brasileira na Copa do Mundo da Coréia e do Japão. E perdeu também o lugar no elenco do Deportivo. Foi emprestado para o inexpressivo Áustria Viena até o final do ano.  A torcida do Deportivo La Coruña elegeu o meio-campo brasileiro Djalma Dias Feitosa, o Djalminha, como o jogador “mais espetacular” da história do clube. Os torcedores da equipe espanhola responderam uma pergunta no site do clube e deram a Djalminha quase 80% dos votos computados. Djalminha chamou a atenção de canais de TV do mundo todo recentemente, quando deu uma “voltinha” antes de cobrar um pênalti no showbol, pela equipe do Flamengo. No entanto, na ocasião, o goleiro conseguiu a defesa. O jogador defendeu o clube espanhol de 1997 a 2002 e depois voltou ao time em 2004. Com a camisa do La Coruña, Djalminha conquistou um Campeonato Espanhol, uma Copa do Rei e duas Supercopas.

FIM DE CARREIRA

               Devido ao seu temperamento, durante uma briga na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 1996, Djalminha perdeu um dente após enfrentar um namorado ciumento numa pizzaria carioca.  Na Áustria, Djalminha ainda teve inspiração para brindar mais um pouco de seu talento. Fez um bom papel no país, conquistando o título nacional e da Copa da Áustria. Depois de mais uma rápida passagem pelo Deportivo La Coruña, o craque tentou a sorte no América do México, onde quase não jogou por problemas físicos. No início de 2005, Djalminha ameaçou retornar a clubes brasileiros. O Palmeiras chegou a fazer uma sondagem pelo craque.

               Mas a motivação não era mais a mesma. Por isso, o meia preferiu encerrar a carreira deixando ótimas lembranças no gramado, depois de 524 partidas e 166 gols marcados. Atualmente dedica-se exclusivamente ao Showbol, pelo qual disputou o Mundialito em 2006 e o Torneio Rio-São Paulo por diversos anos, sempre defendendo as cores do Flamengo. Pela Seleção Brasileira, Djalminha atuou em 14 ocasiões com 10 vitórias, 1 empate, 3 derrotas e 5 gols marcados.

               Em seu último clube, o América do México, permaneceu por apenas três meses. Um período em que o meia, ora lesionado, ora simplesmente com um desempenho decepcionante, ficou em campo por apenas 170 minutos. E a tradição da família parece que não vai acabar tão cedo, pois o filho de Djalminha, o garoto Diego, já está nas categorias de base do Flamengo e quem já o viu jogar garante que é muito bom de bola. Vamos aguardar…

Em pé: Velloso, Junior, Antonio Carlos, Galeano, Cafú e Kleber     –    Agachados: Luizão, Amaral, Rivaldo, Djalminha e Muller
Em pé: Junior, Cafú, Sandro, Kleber, Galeano e Velloso    –    Agachados: Wagner, Rivaldo, Luizão, Djalminha e Muller
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