MAURO GALVÃO: campeão brasileiro pelo Inter/RS em 1979 de forma invicta

                  Mauro Geraldo Galvão nasceu dia 19 de dezembro de 1961, em Porto Alegre (RS). Começou a carreira no Sport Club Internacional de Porto Alegre e com apenas 18 anos ajudou o Colorado a conquistar o Campeonato Brasileiro de 1979. Aliás, o Inter decidiu com o Vasco naquele ano e foi campeão invicto, com um time simplesmente maravilhoso; Benítez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão e Jair; Valdomiro, Bira e Mário Sérgio. Este foi o time que o técnico Ênio Andrade mandou a campo no dia 23 de dezembro de 1979, quando o Inter venceu o Vasco por 2 a 1 no estádio Beira Rio, sagrando-se assim, campeão brasileiro invicto. Fez 22 jogos, venceu 15 e empatou 7 vezes. Foi um ano que o torcedor colorado não esquece.

                Embora fosse gremista na infância, Mauro Galvão defendeu o Internacional até 1984. Pelo Internacional foi tetracampeão gaúcho (1981-1984) e nesse período jogando pela Seleção Brasileira, conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de 1984. Depois transferiu-se para o Bangu. aceitando o convite de Paulo César Carpegiani para um projeto para a conquista do Campeonato Brasileiro de 1985. Apesar do ambicioso projeto e com o grande investimento do clube carioca, a equipe não alcançou o título ficando com o segundo lugar depois de disputar a final contra o Coritiba.

               Na época, o time de Moça Bonita investiu muito e além de Mauro Galvão contratou também o volante Toby (ex-Coritiba) e o meia Neto (revelação do Guarani e que depois brilhou com a camisa do Corinthians). Em 1986 foi convocado para disputar a Copa do Mundo que foi disputada no México. Em 1988, ele trocou de equipe. Mauro Galvão, o ponta-direita Marinho e o meia Paulinho Criciúma deixaram o Bangu para defender o Botafogo, que sofria com a falta de títulos. Na verdade, eles quase foram para o Fluminense, que pagaria por eles os 35 milhões de cruzados que o Botafogo iria pagar ao rival pelo passe de Jandir.

              Mas quando a diretoria do Botafogo ficou sabendo dessas intenções desistiu de comprar o passe de Jandir e trouxe os três jogadores do Bangu. Em General Severiano, Mauro Galvão ajudou o clube carioca a conquistar o Campeonato Carioca de 1989 e 90 após 21 anos sem títulos. Curiosamente, este foi o segundo título que conquistou numa final contra o Vasco da Gama, clube que mais tarde viria a defender. Três anos atuando pelo Botafogo valeram a Mauro Galvão uma vaga na Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo da Itália em 1990. Mauro Galvão foi um dos três jogadores escolhidos por Sebastião Lazaroni para formar a defesa brasileira num esquema tático que não agradou aos torcedores.

              A seleção foi eliminada pela Argentina ainda nas oitavas-de-final, mas Mauro Galvão terminou a Copa do Mundo com boas atuações que renderam-lhe uma proposta para jogar na Europa. E assim, depois de ajudar o Fogão a sair da fila, ele foi jogar fora do Brasil. Durante seis anos, de 1990 a 1996, defendeu as cores do FC Lugano, da Suíça. Sobre essa transferência, Mauro Galvão diz; “Eu tinha oportunidade de ir para outros lugares, mas naquele momento me pareceu interessante sair e deixar o Botafogo, meu clube na época. Financeiramente era interessante, pois eu tinha um percentual no passe. Também porque ia ganhar bem e o Brasil passava por uma crise muito grande, com inflação de 50% e dólar a 3 por 1, eu pensei no meu futuro e no da minha família. 

              A verdade é que era bom para mim, para o clube e para todos os envolvidos no negócio. Foi até engraçado, porque depois de chegar na Suíça eles não me deixaram voltar para buscar a família, disseram que eu ficasse jogando, tranqüilo, que eles cuidariam de tudo. E realmente cuidaram, um mês depois minha família já estava comigo. Foi muito legal, a adaptação foi difícil no começo, algo natural, mas tive sorte de ir para uma região italiana, o que me favoreceu. No meu estado no Brasil, o Rio Grande do Sul, há uma grande colônia italiana. Era complicado, mas a língua da bola fala mais alto, é maior o entendimento. Mas, sempre aconselho as pessoas a buscarem saber a língua de onde se está jogando”.

              No clube do cantão de Ticino ergueu a taça da Copa da Suíça na temporada 92-93.  Depois de seis anos na Europa, Mauro Galvão retornou ao futebol brasileiro e realizou um sonho de infância: vestiu a camisa do Grêmio. Pelo Tricolor gaúcho, Mauro Galvão foi campeão brasileiro de 1996 e da Copa do Brasil de 97. Em 1997 aceitou um novo desafio carioca e transferiu-se para o Vasco da Gama, conquistando no mesmo ano o seu terceiro título do Campeonato Brasileiro. Mas quando chegou em São Januário, poucos deram o merecido valor a contratação de Mauro Galvão, devido a sua idade.

             Todavia, aos 35 anos, esbanjando classe, experiência, espírito de liderança, categoria técnica, sentido de colocação e descortino nos passes, ele, como capitão da equipe, veio a levantar vários troféus significativos, culminando com a Copa Libertadores no ano do Centenário do clube. Sua participação foi marcante, a ponto de ter até sido o autor de gols decisivos: o da dramática vitória sobre o Bangu, em cima da hora, garantindo a conquista antecipada do Campeonato Estadual de 1998, e um sobre o Santos na primeira partida da final do Torneio Rio-São Paulo de 1999. Em resumo, um craque na acepção da palavra e um verdadeiro ídolo vascaíno.

            Durante a época em que defendeu o Vasco, Mauro Galvão provou ser, disparado, o maior zagueiro brasileiro em atividade, no Brasil e no exterior. Só não pensou assim a Comissão Técnica da Seleção, que, alegando a idade do jogador, abriu mão de sua convocação para a Copa de 1998. Assim, os torcedores brasileiros tiveram que engolir, envergonhados, as trapalhadas da defesa, que tomou durante a Copa um total de 11 gols, vários deles por conseqüência de falhas individuais. A ausência de Mauro Galvão na Copa da França pode ter custado mais do que caro: pode ter custado o penta.

             Permaneceu no Vasco no ano seguinte para dar continuidade ao projeto do centenário do clube que visava a conquista da Libertadores de 1998 e da consequente disputa da Taça Interclubes. O objetivo inicial foi alcançado e Mauro Galvão como capitão da equipe levantou pela primeira vez na sua carreira a taça de campeão da Libertadores da América, mas na disputa da Taça Interclubes o Vasco foi derrotado pelo Real Madrid e Mauro Galvão viu escapar esse título inédito.

            O sucesso no Vasco fez Mauro Galvão permanecer no clube até o fim da temporada de 2000, onde ainda conquistou os títulos do Torneio Rio-São Paulo em 1999, A Mercosul  e a Copa João Havelange em 2000. No início da temporada de 2001 retornou ao Grêmio para encerrar a carreira e ainda conquistou o Campeonato Gaúcho de Futebol de 2001 e a Copa do Brasil de 2001. Em 2002, com quarenta anos e após a disputa de mais uma Taça Libertadores, Mauro Galvão decidiu encerrar a sua vitoriosa carreira. Como jogador, Mauro Galvão, fez 26 jogos pela Seleção Brasileira (17 vitórias, 6 empates e 3 derrotas). Um ano após encerrar a carreira de jogador, Mauro Galvão foi convidado pelo Vasco da Gama para ser o treinador principal da equipe. O desafio foi aceito e iniciou-se então a carreira de treinador.

           Após um curto período como treinador principal, ele assumiu o cargo de assistente de treinador no próprio Vasco até o início da temporada de 2004 quando foi contratado pelo Botafogo para ser treinador, onde também já tinha atuado como jogador na década de 80. No início de 2005, ele assumiu o Náutico onde permaneceu por seis meses. Depois Mauro Galvão começou a carreira de diretor-executivo de futebol no Grêmio. No dia 6 de janeiro de 2006, ele assinou contrato e foi apresentado à imprensa e à torcida. Ele chegou para substituir Rodrigo Caetano. Novo no cargo, Galvão relatou que acompanharia o grupo profissional e, posteriormente, as categorias de base do clube.

            Por 23 anos, dos 17 aos 40, desfilou sua classe e liderança em gramados do mundo todo. A trajetória de Mauro Geraldo Galvão, ou simplesmente Mauro Galvão, é a história de um campeão. Além dos inúmeros títulos, ele também recebeu a Bola de Prata da Revista Placar nos anos de 1979, 1985 e 1997.  Dono de um estilo elegante e seguro, Mauro Galvão é considerado até hoje um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro em todos os tempos. Do garoto franzino que jogava peladas com os amigos nas ruas do Menino Deus, em Porto Alegre, ao zagueiro que vestiu em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada a camisa da seleção brasileira, foram 20 títulos por seis clubes e pelo escrete canarinho.

            De bem com a vida e morando com a família (esposa e filho) no Rio de Janeiro, Mauro Galvão é hoje um homem feliz. Sempre que o assunto é futebol e sua carreira, Mauro Galvão diz; “Nunca passou pela minha cabeça que seria um jogador de futebol, isso aconteceu ao natural e quando resolvi encarar não o fiz pela fama ou dinheiro. Fiz pelo esporte, pelo gosto de jogar, pelo fato de poder estar dentro de um campo e seguir o exemplo de ídolos como Falcão, Batista, Ancheta, Carpeggiani, Figueroa, que tinham estilo e jogavam por arte, coisa que infelizmente nos dias de hoje é muito raro”.

Em pé: Mazinho, Taffarel, Mauro Galvão, Ricardo Gomes, Aldair e Branco    –     Agachados: Bebeto, Romário, Silas, Dunga e Valdo
Em pé: Ricardo Rocha, Taffarel, Mauro Galvão, Jorginho, Ricardo Gomes e Branco   –     Agachados: Bebeto, Careca, Silas, Valdo e Dunga
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