PAMPOLINI: só jogou com grandes craques

                 Américo Pampolini Filho nasceu dia 24 de dezembro de 1932, na cidade de Belo Horizonte – MG. Seu time de origem foi o São Cristóvão, agremiação que tinha seu campo nas imediações da caixa d’ água da Lagoinha, em Belo Horizonte. Impressionava pelo bom domínio da bola, era dono de um chute portentoso, ditava cátedra como médio volante. Tanto que não demorou muito a ser levado ao Cruzeiro, chegando à Seleção Mineira da categoria. Em pouco tempo estava no “time de cima”, formando a intermediária com Adelino e Lazarotti, depois formando o meio de campo com Paulo Florêncio. Após ganhar projeção nacional vestindo a camisa 5 da azul-estrelada, transferiu-se para o Botafogo em 1955. Seu futebol era grande demais e o craque acabou sendo levado pelo Botafogo para compor com o já célebre Didi a dupla de meia cancha de General Severiano, onde teve a honra de jogar ao lado de verdadeiros monstros sagrados do nosso futebol, como Garrincha, Nilton Santos, Quarentinha, Zagallo e tantos outros.

BOTAFOGO

               Pampolini chegou em General Severiano em 1955. Dois anos depois conquistava o titulo carioca, numa final contra o Fluminense. O jogo aconteceu dia 22 de dezembro de 1957, no Maracanã, que recebeu neste dia, 90.000 pessoas para ver a goleada imposta pelo Fogão sobre o Fluminense, 6 a 2, com 5 gols de Paulo Valentim e um de Garrincha. Neste dia o Botafogo jogou com; Adalberto, Beto, Tomé, Servílio e Nilton Santos; Pampolini e Didi; Garrincha, Edson, Paulo Valentim e Quarentinha. Esbanjando categoria e espírito de liderança, era o capitão da equipe e, quando Vicente Feola fez a lista dos convocados para a Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 58, lá estava Pampolini entre os selecionados, disputando o posto de médio-volante com Zito e Dino Sani. Uma contusão em um dos treinos na estância hidromineral de Araxá motivou o seu corte. 

               Sem dúvida alguma, o grande time do Botafogo de todos os tempos, foi aquele do início da década de 60, quando Botafogo e Santos mandavam no futebol brasileiro. O Botafogo por exemplo sagrou-se bicampeão carioca em 1961 e 1962 com um time que até hoje o torcedor botafoguense lembra com muita saudade, pois sabe que dificilmente verá outro igual; Manga, Cacá, Zé Maria, Nilton Santos e Rildo; Pampolini e Didi; Garrincha, China, Amarildo e Zagallo. Este foi o time que o técnico Paulo Amaral mandou a campo e derrotou o Corinthians no dia 13 de abril de 1961 pelo Torneio Rio-São Paulo. O jogo foi no Pacaembu e o Fogão venceu por 1 a 0, gol de China.

              No ano seguinte sagrou-se bicampeão carioca e também conquistou o Torneio Rio-São Paulo com praticamente o mesmo time. O ano de 1962 foi mágico para o Botafogo. O clube recebeu do COI (Comitê Olímpico Internacional) o título de Campeão de terra, mar e ar por ter conquistado títulos em todas as modalidades esportivas, 120 no total. Além disso, cedeu cinco titulares para a Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo do Chile, Didi, Amarildo, Zagallo, Nilton Santos e Garrincha. Pampolini jogou por sete anos no Botafogo, disputou 347 partidas e marcou 27 gols.

PORTUGUESA

               No final de 1962, Pampolini foi negociado com a Portuguesa de Desportos. Na Lusa também teve a honra de jogar ao lado de verdadeiros craques, como por exemplo Ivair, Félix, Servílio, Ditão e tantos outros. Não conquistou nenhum título com a Lusa do Canindé.  A maior chance aconteceu em 1964, quando a Portuguesa fez a final do campeonato paulista contra o Santos. Naquele domingo à tarde, com verdadeiro dilúvio caindo na Vila Belmiro, Ivair chegou a sofrer um pênalti escandaloso do lateral direito Ismael, não marcado pelo árbitro Armando Marques. 

               O lance aconteceu no primeiro tempo, quando o placar ainda estava em branco.  O Santos venceu por 3 a 2 e todos os gols aconteceram no segundo tempo, sendo eles na seguinte ordem: Toninho, Pepe, Ismael (contra), Ditão e Pepe de falta.  Neste dia a Portuguesa que era comandada por Aymoré Moreira e jogou com a seguinte formação: Orlando, Jair Marinho, Ditão, Wilson Silva e Edílson; Pampolini e Nair; Almir, Henrique, Dida e Ivair. 

               Este jogo foi transmitido ao vivo pela TV Record, canal 7, no comando do fanático torcedor da Lusa, o saudoso e inesquecível Raul Tabajara.  E o Santos F. C. jogou, venceu e sagrou-se campeão de 64,  com a seguinte formação: Gilmar, Ismael, Modesto, Haroldo e Lima; Zito e Mengálvio; Toninho Guerreiro, Coutinho, Pelé e Pepe. O técnico da equipe santista era o saudoso Luiz Alonso Peres, mais conhecido por Lula.

               Em 1965 Pampolini foi emprestado ao Atlético Mineiro. Sua estreia no Galo Mineiro aconteceu dia 5 de novembro quando o Atlético derrotou o Renascença de Belo Horizonte por 3 a 0 pelo Campeonato Mineiros. Sua despedida foi no dia 17 de fevereiro de 1966. Ao todo disputou 12 partidas pelo Galo e não marcou nenhum gol. Depois teve uma curta passagem pelo Taubaté e retornou ao Canindé. Pampolini disputou o Campeonato Paulista de 1966 pela Portuguesa.

               Foi um ano marcante para o futebol paulista, pois neste ano dois extraordinários jogadores do Rio de Janeiro, vieram jogar em São Paulo, ou seja, Garrincha pelo Corinthians e Didi pelo São Paulo. Embora muitos são-paulinos não saibam, mas Didi vestiu a camisa Tricolor por apenas quatro oportunidades. Não foi uma passagem muito boa, pois das quatro que disputou, perdeu três, sendo duas contra a Portuguesa de Pampolini.

               Vale lembrar que neste ano de 66, o campeão paulista foi o Palmeiras, o vice foi o São Paulo e o artilheiro foi Toninho Guerreiro do Santos F.C. com 27 gols. Foi um campeonato com muitos gols, como exemplo podemos citar o jogo entre Corinthians e Portuguesa que terminou com o placar de 6 a 3 para os alvinegros. Para o Corinthians marcaram, Rivelino (2), Nei (2) Nair e Flávio. Para a Lusa marcaram, Ivair, Renê e Ratinho. Alguns meses atrás pelo Torneio Rio-São Paulo, Corinthians e Portuguesa também fizeram um jogo com 9 gols, onde o Timão venceu por 5 a 4.

               Pampolini fez parte de uma equipe que marcou época na Lusa do Canindé, pois na década de 1960 jogou contra times do porte, como, Porto, Sporting, Inter de Milão, Juventus, Betis e Espanhol e ficou 15 jogos sem perder. Foi uma excursão que o torcedor da Lusa jamais esquecerá. Pampolini jogou na Portuguesa até 1968, quando resolveu parar de jogar profissionalmente.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Encerrada a carreira, ele foi morar no Rio de Janeiro. Em suas frequentes idas a Belo Horizonte, Pampolini fazia questão de jogar pelo time de veteranos do Cruzeiro, o Raposão.  Mesmo longe, o vínculo com o clube e a cidade jamais se perdeu, pois sua família era todinha de cruzeirenses e também porque foi lá no estádio Barro Preto que pertencia ao Cruzeiro, que ele começou sua carreira em 1952.

               Pampolini morreu dia 20 de dezembro de 2006, no Rio de Janeiro, vítima de um ataque cardíaco. Deixou a esposa Anicéia, os filhos Genaro, Célia e Cláudia, genros, nora e cinco netinhos. Seu sepultamento foi no Memorial do Carmo, no bairro do Caju, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. Ele morava lá mesmo na Cidade Maravilhosa, no bairro de Copacabana, e trabalhava no estádio do Maracanã, como funcionário do Parque Aquático Júlio Delamare. Sua família continua em Belo Horizonte, tocando uma rede de padarias na capital mineira (as “Padarias ABC”).

               Pampolini foi contemporâneo de Manga, Nilton Santos, Cacá, Zé Maria, Paulistinha, Zé Carlos, Neivaldo, Édson, Airton Povil, Elton, Garrincha, Amarildo, Quarentinha, Zagalo, Paulo Valentim, e tanta gente boa que, brilhantemente, defendeu o Botafogo. Em 1962, deixou o Fogão e foi defender a Portuguesa de Desportos, então dirigida pelo saudoso Aimoré Moreira. Na Lusa, Pampolini sagrou-se vice-campeão paulista de 1964 jogando ao lado de Félix, Orlando Gato Preto, Jair Marinho, Wilson Pereira, Henrique Pereira, Wilson Silva, Edilson, Ditão, Almir, Dida, Ivair, Henrique Frade, Sílvio Major e Nair.  

               Jogando ao lado de Didi, Pampolini completava a inteligência do ‘Príncipe Etíope’ com a sua força em campo. Por isso, Didi gostava de afirmar: “Eu entro com a inteligência e Pampolini com a força”. Então, certa vez, durante uma partida em que o Botafogo suava as para aguentar a vantagem de 1×0 contra o Flamengo, Pampolini ‘vingou-se’ do ‘Príncipe’ e disse-lhe: “Ô, crioulo, vê se põe um pouco de força nessa inteligência, porque sozinho não está dando pra segurar os home”.

               Pampolini era caçula dos seis filhos homens de seu Américo e dona Maria Caravita, o pequeno “Mequinho” apelido de Pampolini, prometia em termos de futebol. Embora franzino, quando se metia a participar de peladas de rua correndo atrás de uma bola, sabia o que fazer com ela. O futebol estava na massa do sangue. Emilio, o mais velho, era zagueiro daqueles que batiam do queixo pra cima; Homero era atacante; Lilo e Licinho jogavam na meia cancha. Só o Santinho nunca deu bola para a dita cuja. Diziam que o melhor deles era o Lilo, mas uma contusão no joelho cortou uma carreira que parecia destinada ao sucesso, privilégio que caberia justamente ao mais novo, nacionalmente conhecido pelo sobrenome de família: Pampolini. 

Em pé: Félix, Henrique Pereira, Ditão, Pampolini, Wilson Silva e Cacá   –     Agachados: Mário Américo, Neivaldo, Henrique Frade, Dida, Nair e Nilson
Em pé: Amauri, Nilton Santos, Jorge, Pampolini, Ronald Marreta e Cacá    –     Agachados: Garrincha, Paulo Valentim, Didi, Quarentinha e Neivaldo
Em pé: Jorge, Manga, Cacá, Zé Maria, Pampolini e Chicão   –     Agachados: Garrincha, Didi, Genivaldo, Quarentinha e Zagallo
Em pé: Beto, Adalberto, Tomé, Nilton Santos, Pampolini e Juarez    –    Agachados: Garrincha, Paulo Valentim, Osvaldo Rossi, Edson e Quarentinha
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