MARCO ANTÔNIO: campeão do mundo com nossa seleção em 1970

                Marco Antonio Feliciano nasceu dia 6 de fevereiro de 1951, na cidade de Santos (SP). Foi um grande colecionador de títulos. Campeão no infantil e juvenil em 1968. Campeão Carioca em 1969 e em 1970 Campeão Mundial no México e da Taça de Prata. Em 1971 mais 2 títulos, um Carioca e a Copa Roca na Argentina pela seleção. Em 1973 e 1975 novamente Campeão Carioca. Começou sua carreira na Portuguesa Santista, como ponta esquerda no infantil; no juvenil passou a jogar no meio campo, mas sempre preferiu jogar na posição que o revelou para o futebol, a lateral esquerda. Foi para o Fluminense em 1967, através de Roberto Alvarenga, como tinha acontecido com Didi. Só começou a jogar no infantil tricolor em 1968, tendo como primeiro treinador, o ex-jogador Pinheiro, que por muitos anos também jogou no Fluminense. Foi lançado no time titular pelo grande Telê Santana e em 1969 ganhava seu primeiro título como profissional, o de Campeão Carioca.

FLUMINENSE

               As atuações de Marco Antônio pelo Flu foram tão convincentes, que um ano depois de chegar às Laranjeiras já estava estreando com a camisa canarinho em um amistoso contra a Argentina no dia 4 de março de 1970. Este jogo era válido como preparativo para a Copa do México e ele aconteceu no estádio do Beira Rio e o Brasil perdeu por 2 a 0. Convocado inicialmente por João Saldanha, o então lateral acabou impressionando também Zagallo, que o relacionaria entre os 22 para o Mundial. Inscrito com o número 6, deixou o Brasil como titular, porém acabou preterido pelo gaúcho Everaldo (falecido m 1974).

               Marco Antônio explica os motivos da troca.  “O Everaldo não jogou porque era melhor do que eu. Na realidade, tínhamos um time muito ofensivo e uma defesa ‘inventada’ (o volante Piazza foi recuado para a zaga). Havia a necessidade de um lateral mais marcador. Eu atacava muito mais que o Everaldo, e ele marcava melhor do que eu. Por isso ele acabou como titular e eu como um reserva de luxo”, esclareceu, afirmando veementemente que não “tremeu” por disputar, com apenas 19 anos, uma competição tão importante. “Não teve nada disso. Apesar de ser muito novo na época, eu estava tranqüilo, frio.

              Coloquei na cabeça que tinha que jogar como se estivesse no Fluminense. O único momento em que senti foi na hora do hino. Aí era diferente, qualquer jogador sente. Mas na hora que a bola rolava, já era. Eu me sentia muito bem ao lado de tantos craques. Sinto orgulho de ter feito parte daquela safra”, enfatizou.  OBS: Marco Antônio participou de duas partidas da conquista história (3 a 2 Romênia e 4 a 2 Peru), ambas substituindo Everaldo no decorrer dos 90 minutos.

              Mas foi com a camisa tricolor que o rápido e técnico lateral viveu seus grandes momentos no futebol. Qualquer torcedor do Flu com mais de 40 anos se lembra com carinho e satisfação do esguio jogador, especialmente de sua participação no título carioca de 71, conquistado sobre o então favorito Botafogo, em uma final decidida a dois minutos do fim e que, ao apito derradeiro do polêmico árbitro José Marçal Filho, entrou para a história do futebol do Rio. Personagem central do lance decisivo, Marco Antônio revela sem titubear:  “Fiz falta mesmo.

              O Oliveira (lateral-direito) cruzou para a área, eu empurrei o Ubirajara (goleiro alvinegro), o Lula (ponta-esquerda do Flu) pegou o rebote e fez o gol”, diverte-se o ex-jogador, completando em seguida. “O Botafogo tinha um grande time, mas entregou o campeonato. Tinha uma vantagem muito grande faltando quatro rodadas e relaxou”. Este jogo em que o Fluminense venceu o Botafogo por 1 a 0 e conquistou o título carioca, aconteceu no dia 27 de junho de 1971.  Por ironia do destino, 12 anos depois Marco Antônio acabou defendendo o Glorioso, e admite que, devido ao lance ‘fatal’, seus poucos meses vestindo a camisa alvinegra não foram nada fáceis.

             “Muita gente lá não esquecia a final de 71”, ressalta o antigo lateral.  No Fluminense é o 18º jogador com mais partidas. Foram 329 jogos e marcou 29 gols com a camisa do “Tricolor das Laranjeiras”. Ainda no Flu, Marco Antonio colecionou título regional em 1971, 73 e 75. E, com a experiência projetada por Zagallo, supunha que fosse o titular na Copa de 1974, mas a preferência recaiu para o concorrente Marinho Chagas, igualmente um lateral-esquerdo ofensivo e que havia feito sucesso no Botafogo.

OUTROS CLUBES CARIOCAS            

               A carreira de Marco Antônio no futebol carioca, no entanto, não se resume apenas aos dois rivais da inesquecível decisão. Após deixar as Laranjeiras no início de 1976, transferiu-se para o Vasco, envolvido em um dos históricos troca-trocas criados pelo então presidente tricolor, Francisco Horta. Juntamente com o zagueiro Abel (hoje técnico de futebol) e o cabeça-de-área Zé Mário foi para o clube de São Januário, que deu ao Flu o zagueiro Miguel e mais um milhão de dólares. Jogou no Vasco até o meio de 1978. No segundo semestre foi para o Botafogo, também do Rio, e ficou até 1979.

              Parou por um tempo, mas em 1981 resolveu voltar. Permaneceu no Rio e foi para o Bangu, que era comandado por Castor de Andrade, banqueiro do jogo do bicho e figura folclórica no Rio de Janeiro. Falecido em 1997, o poderoso dirigente é lembrado com carinho: “O Castor de Andrade não podia ter morrido nunca. Com tanta gente ruim por aí ele não podia ter morrido”, repete Marco Antonio, recordando-se dos bons momentos vividos enquanto defendeu por dois anos o time banguense.

             “Foi uma experiência muito boa. Foram vários jogadores experientes para lá. Além de mim, tinha o René (zagueiro de Vasco e Botafogo), Mococa (volante ex-Palmeiras), Carlos Roberto (volante ex-Botafogo, Flu e Santos). Foi muito bom”.Em Moça Bonita jogou mais dois anos e encerrou sua carreira no final de 1982. Durante sua carreira conquistou os títulos de Campeão Carioca nos anos 1969, 71, 73 e 75 pelo Fluminense e 1977 pelo Vasco da Gama. Foi também ganhador de duas Bolas de Prata nos anos de 1975 e 1976 pelo Fluminense.

SELEÇÃO BRASILEIRA

              Todos que gostam de futebol reverenciam a lendária seleção brasileira tricampeã mundial de 70. Até mesmo as gerações mais jovens sabem que se tratava de um time recheado de craques, que havia um Pelé, um Tostão, um Gérson, um Rivelino, um Jairzinho, e por aí vai. O que muitos desconhecem, entretanto, é que um negro magro e bom de bola chegou com a delegação brasileira ao México como grande revelação e dono da lateral-esquerda. Devido ao seu estilo ofensivo, porém, acabou amargando a suplência e deixando de fazer parte do tão seleto grupo de “artistas”.

              Em 1970 contava-se nos dedos os laterais esquerdos que se mandavam ao ataque e um deles era o crioulo espigado Marco Antonio Feliciano, do Fluminense e Seleção Brasileira, na época com 19 anos de idade, que, precipitadamente, o compararam ao lendário Nilton Santos. Tudo ia bem para Marco Antonio na Seleção Brasileira, apesar de críticas sobre descuido na marcação, até que aqueles “treinos coletivos de madrugada” acabaram com sua ambição de se consagrar naquela Copa do Mundo do México.

               A “panelinha dos cobras”, que tinha ascendência sobre membros da comissão técnica, conseguiu sensibilizar o técnico Mário Jorge Lobo Zagallo de que Marco Antonio poderia tremer durante a competição e que o recomendável era aproveitar a experiência de Everaldo pelo setor, um lateral-esquerdo gaúcho típico de marcação e que raramente passava do meio-de-campo. Marco Antonio engoliu seco aquela tramóia e fez de conta que estava consolado com a justificativa de que era garotão, que teria vida longa na Seleção, que em 1974, na Copa da Alemanha, seria intocável.

               Assim, no tricampeonato no México, juntou-se aos reservas Leão, Ado, Zé Maria, Baldochi, Fontana (falecido), Joel Camargo, Paulo César Caju, Dario, Roberto Miranda e Edu para ganhar experiência internacional, após rápida ascensão no futebol. Pela Seleção Brasileira, Marco Antonio jogou 52 partidas, sendo 12 não oficiais. Nos anos de 1975 e 1976, recebeu da Revista Placar, o troféu “Bola de Prata”.

               Encerrando sua viagem no tempo, Marco Antônio ressalta que encarou com tranqüilidade o momento de deixar profissionalmente os gramados. Para ele, nada mais do que o complemento de um ciclo da vida. “Não houve problema para eu parar. Foi como um trabalhador que está para se aposentar. Mas não deixei de jogar bola. Saí do futebol profissional e fui jogar na Seleção Brasileira de Máster, do Luciano do Valle (o narrador organizou um time de veteranos que excursionava pelo país).” Finalmente, voltando os olhos para os dias de hoje, o antigo lateral da Seleção faz uma rápida análise sobre as opções na posição, e não se mostra muito satisfeito com o que vê, pois vários já foram testados e nenhum foi aprovado.

Em pé: Félix, Toninho, Carlos Alberto Pintinho, Bruñel, Assis e Marco Antonio   –   Agachados: Marquinhos, Kléber, Dionísio, Manfrini e Lula
1970   –   Em pé: Oliveira, Félix, Galhardo, Denílson, Assis e Marco Antônio   –    Agachados: Cafuringa, Didi, Flávio, Samarone e Lula
Em pé: Félix, Toninho, Edinho, Silveira, Zé Mário e Marco Antonio    –   Agachados: Gil, Kléber, Manfrini, Rivelino e Zé Roberto
Em pé: treinador Paulo Emílio, Abel Braga, Gaúcho, Renê, Luiz Augusto, Marco Antonio e Mazaropi   –    Agachados: Fumanchu, Zé Mário, Dé, Jair Pereira e Galdino

 

 

 

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