MAROLA: um exemplo de solidariedade

                   Fiordemundo Marolla Junior nasceu dia 7 de fevereiro de 1961, na cidade Jaú (SP).  Entre algumas definições encontradas nos dicionários da língua portuguesa, a palavra marola é associada ao mar calmo, a maré baixa e a ondas muito fracas.  Das peladas de rua para as categorias de base do XV de Jaú foi um pulo rápido e certeiro. Alto, pernas finas e rosto comprido, Marolla não sentiu o peso de envergar a camisa do principal clube de sua cidade. O sonho de ser um engenheiro logo foi cedendo espaço para a rotina diária e cansativa dos gramados. Leve e arrojado, logo chamou a atenção do experiente técnico Cilinho em meados de 1977. Antes do início do Paulistão de 1978, eram fortes as correntes de torcedores e dirigentes que temiam que o garoto não suportasse o desafio de enfrentar os cobrões do futebol bandeirante.

                   Mesmo assim, Cilinho bancou sua decisão. Com apenas 17 anos de idade, Marolla foi lançado no elenco principal do XV de Jaú e foi um dos destaques da equipe que realizou uma ótima campanha naquele certame. Em pouco tempo, deixou de ser apenas uma simples promessa. Suas atuações impressionavam pela tranqüilidade, como se fosse um veterano calejado e imune as armadilhas do deslumbramento. Destacou-se bastante quando os jogos que terminavam empatados eram decididos em cobranças de pênaltis. Foram essas e outras as razões que levaram o técnico Pepe a incluir seu nome na lista de goleiros pretendidos pelo Santos para a temporada de 1980. 

SANTOS F.C.

                  Por 3 milhões de cruzeiros, mais os passes de Célio e Cardin, o time da Vila fechou o negócio com o goleiro que havia se destacado na Seleção Brasileira de Novos que disputou o Sul Americano no Uruguai e ficou com a quarta colocação. Já com a camisa do Santos, Marolla continuou sua trajetória com a camisa canarinho integrando a equipe que conquistou o Torneio de Toulon em 1980. Para muitos, a titularidade no mundial da Espanha em 1982 era apenas uma questão de tempo. Não havia nenhum goleiro no Brasil, com 19 anos, que possuía tantas virtudes em franco desenvolvimento. Quando o goleiro Vitor se contundiu e ficou afastado da equipe por um longo período, a torcida alvinegra não temeu em nenhum instante. Marola foi convocado pelo técnico Telê Santana durante as eliminatórias da Copa do Mundo em 1981.

                  No começo da década de 80, São Paulo e Corinthians dominaram o cenário de títulos paulistas. Coube ao Santos montar uma equipe forte para fazer frente ao Flamengo de Zico em 1983. Mesmo vencendo a primeira partida das finais do Campeonato Brasileiro no Morumbi por 2×1, o time da Vila não suportou o Maracanã lotado de rubro-negros empurrando o time que chegou aos 3×0 e ficou com o título nacional. Em 1984, com a chegada do uruguaio Rodolfo Rodrigues, Marolla deixou o peixe e foi jogar no Paraná.

OUTROS CLUBES

                 Primeiro, vestiu a camisa do extinto Colorado e a partir de 1985 defendeu o Atlético Paranaense, onde marcou época durante cinco anos conquistando os títulos estaduais de 1985, 1988 e 1990. Em 1991, Marolla integrou o elenco campeão da Copa do Brasil defendendo o Criciúma, sob a batuta do ainda novato técnico Luís Felipe Scolari. O goleiro defendeu ainda o Botafogo de Ribeirão Preto e outras equipes antes de encerrar a carreira em 1995 no Lousano Paulista. Depois tentou a carreira de técnico, começou a dirigir em 2005 a equipe do Extrema FC (MG) mas desistiu depois de atrasos e falta de pagamento, então resolveu abrir uma escolinha de futebol em Jaú. Já deu aulas em uma faculdade de educação física e tem uma empresa de prótese biomecânica.

                 Marolla lembra de um técnico que marcou sua carreira, Cilinho, com quem trabalhou no XV de Jaú. “O técnico mais importante em minha carreira foi o Cilinho, com quem comecei em Jaú. Ele mudava o jogo no intervalo sem fazer substituições de jogadores. Fora de campo, orientava os jogadores a cuidarem bem do dinheiro, investir em terrenos, imóveis e deixar de lado os carrões da época (o Passat era o sonho de consumo dos jogadores)”.

UM GRANDE EXEMPLO

                 Mas foi por meio de um trabalho voluntário que conseguiu até um novo emprego. Em uma conversa com pessoas do Hospital Fundação Amaral Carvalho, do qual é doador de sangue, sugeriu a ideia de, voluntariamente, captar recursos para o local pegando camisas autografadas de jogadores de grandes clubes. Elas são expostas no hospital e depois leiloadas ou rifadas, com o dinheiro pago sendo utilizado para o local.

                 O ex-arqueiro disse que sempre se sensibilizou com os problemas do câncer por ter vivido em uma cidade em que pôde presenciar o sofrimento das pessoas. Marolla então passou a fazer os pedidos e entrar em contatos com atletas e dirigentes de clubes explicando o motivo da causa. Foi atendido na maioria das vezes e depois disso passou até a colaborar também como chefe de segurança do hospital. O ex-colaborador e agora funcionário da Fundação Amaral Carvalho diz que o valor máximo que chegou a captar foi  R$ 20 mil com uma camisa doada pelo atacante santista Neymar, em 2012.

1982   –   Em pé: Gilberto Sorriso, Luis Gustavo, Toninho Paraná, Marolla, Toninho Carlos e Joãozinho   –    Agachados: Serginho Dourado, Cardim, Roberto Cesar, Pita e Márcio Fernandes
Em pé: Marolla, Cacau, Adilson, Alceu, Junior, Éder Taino e Edson     –    Agachados: Carlinhos, Roberto Cavalo, Luiz Carlos, Kramer e Vilson Galon
Em pé: Junior, Odemílson, Wilson Prudêncio, Alceu, Osvaldo, Marolla e Cambé   –    Agachados: Cacau, Serginho, Niquinha, Vanderlei e Marquinhos
1983   –   Em pé: Gilberto Sorriso, Davi, Marolla, Dema, Toninho Carlos e Toninho Oliveira   –    Agachados: Lino, Paulo Isidoro, Serginho Chulapa, Pita e João Paulo
Seleção Brasileira de Novos que conquistou o Torneio de Toulon, na França, em 1980   –    Em pé: Luis Cláudio, Edson, Dudu, Marolla, Mozer e João Luis    –    Agachados: Robertinho, Cristóvão, Baltazar, Mário e João Paulo
1983   –   Em pé: Gilberto Sorriso, Carlos Silva, Joãozinho, Marolla, Toninho Carlos e Mauro Campos    –     Agachados: Paulinho Batistote, Cardim, Palhinha, Pita e João Paulo
1983   –   Em pé: Gilberto, Toninho Silva, Toninho Carlos, Marolla, Marcio e Toninho Oliveira   –    Agachados: Serginho II, Paulo Isidoro, Serginho Chulapa, Pita e João Paulo

Em pé: Suemar, Márcio, Marola, Chicão, Paulinho e Neto    –   Agachados: Claudinho, Elói, Nilson, Pita e Osny

 

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