JULIÃO: bicampeão paulista pelo Corinthians em 1951 e 1952

                   Antônio Elias Julião nasceu dia 11 de abril de 1929, na cidade de Sorocaba – SP. Foi um lateral esquerdo que jogava duro e muitas vezes até de forma violenta. Marcou época no Corinthians, onde sagrou-se campeão paulista em 1951 e 1952 e campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1953 e 1954. Fez 251 jogos com a camisa do Corinthians. Venceu 161, empatou 43 e perdeu 47. Marcou 3 gols. Notabilizou-se pelo grande número de gols contra que marcou em toda sua carreira. Apenas no Corinthians foram seis. Também jogou no Jaboticabal e no Botafogo de Ribeirão Preto, onde encerrou sua carreira.

                  Pela Seleção Brasileira chegou a fazer uma partida, foi no dia 24 de janeiro de 1956, quando fomos goleado pelo Chile por 4 a 1 pelo Campeonato Sul-americano disputado em Montevidéu, Uruguai e o único gol brasileiro foi marcado por Maurinho, ponta direita que na época defendia o São Paulo F. C. e que sofria muito quando enfrentava o Corinthians, pois Julião não alisava ninguém.

CORINTHIANS

                 Desde garoto gostou de futebol. Jogava num time da roça lá em Piracicaba. Depois passou a jogar no Clube Atlético Piracicabano, o mesmo clube que Mazzola começou sua carreira. Na família de Julião todos eram corintianos, por isso sempre teve admiração por Teléco, Servilio, Brandão, Dino Pavão e outros da década de 40 que passaram pelo alvinegro. Depois de tanto tempo, Julião ainda guardava na memória o dia em que pisou pela primeira vez no Corinthians. Era uma quarta feira de muito sol quando desembarcou na movimentada Estação da Luz. Pegou sua bagagem e foi até o jornaleiro: Ei moço, onde é que fica o Parque São Jorge? E lá se foi, encolhido em sua simplicidade dentro de um bonde com destino ao centro do bairro da Penha. No caminho, o brilho e o movimento da Avenida Celso Garcia.

                 Para sua alegria, em 1950 começou a jogar no Corinthians. Passou a morar na Rua São Jorge número 575. Naquela época não havia a Marginal Tietê. Sua estréia aconteceu no dia 5 de novembro num clássico contra o São Paulo. O jogou terminou com o placar de 1 a 0 para o Tricolor, gol de Friaça aos 39 do segundo tempo. Neste dia o Corinthians jogou com; Cabeção, Idário, Newton, Belfare e Julião; Touguinha e Jackson; Cláudio, Luizinho, Baltazar e Nelsinho.

                 No ano seguinte sagrou-se Campeão Paulista, depois de dez anos que o clube não conquistava um título. E foi um título merecido, pois tinha um ataque fabuloso, tanto é que marcou 103 gols em apenas 28 jogos. O time era assim formado; Cabeção, Idário, Murilo, Lorena e Julião; Touguinha e Luizinho; Cláudio, Carbone, Baltazar e Colombo. O seu estilo de jogo, no início, era técnico, mas depois de uma fratura na perna, mudou a forma de jogar, passando a ser mais viril. Da mesma forma que Idário e Goiano, Julião também batia muito. Roberto Belangero já era um jogador bem técnico, sendo que jogou também muitas partidas em 1951. No ano seguinte, quando o Corinthians sagrou-se Bicampeão Paulista, Roberto já era o titular e Julião jogava mais atrás, como lateral-esquerdo. Sempre foi um jogador bem defensivo.

                 Ainda no ano de 1952, o Corinthians fez sua primeira excursão à Europa jogando na Turquia, Dinamarca, Finlândia e Suécia. Foi um sucesso e a partir desta excursão o time estabeleceu um recorde brasileiro de partidas internacionais sem perder, um total de 32 jogos. O time só tinha feras, Cláudio, Baltazar, Mário era o bailarino, que driblava como ninguém e ainda tinha o presidente Alfredo Ignácio Trindade que exigia que ganhassem os jogos, pois era muito bravo. Teve um jogo na Suécia dia 8 de junho de 1952, que o Corinthians venceu por 10 a 1. Um fato interessante, a excursão foi tão longa, que durante esse período nasceram um dos filhos de Julião e um dos filhos do atacante Carbone. Quando eles voltaram ao Brasil, as crianças já estavam com 40 dias de vida.

                Em 1952, além do título paulista, o Corinthians conquistou também a Taça Cidade de São Paulo e Julião não esquece dos dois últimos jogos. O primeiro foi contra a Portuguesa de Desportos e o Corinthians venceu por 4 a 0, com dois gols de Carbone, um de Gatão e outro de Julião. Dez dias depois, ou seja, dia 27 de agosto de 1952, goleou o Palmeiras por 5 a 1, com três gols de Carbone, um de Luizinho e outro de Cláudio. Foi um ano maravilhoso para o alvinegro de Parque São Jorge. Em 1953/1954 sagrou-se Bicampeão do Torneio Rio-São Paulo.

                Um dos jogos do Torneio, Julião não esquece, aconteceu dia 3 de maio de 1953, quando o Corinthians goleou o Flamengo por 6 a 0 no Pacaembu, com três gols de Cláudio, um de Goiano, um de Luizinho e outro de Baltazar. Cabeção ainda defendeu um pênalti. Neste dia o goleiro do Flamengo quase foi a loucura, pois chamava-se Garcia e a torcida corintiana em coro gritava “O que começa com G e termina com A”? Depois todos respondiam bem alto “Garcia”. E quanto mais nervoso ele ficava, mais um gol ele tomava. Neste ano o Corinthians realmente tinha um grande time e mereceu o título. Cabeção, Idário, Olavo, Homero e Julião; Goiano e Luizinho; Cláudio, Carbone, Baltazar e Mário.

                Quando começou o Campeonato Paulista de 1954, Julião foi emprestado ao Linense e com isto deixou de sagrar-se Campeão do IV Centenário e entrar na história do clube. O Linense não estava muito bem, por isso Julião foi para lá para ajudar o clube a não ser rebaixado. Depois da missão cumprida, voltou ao Parque São Jorge, onde ficou por mais dois anos. Sua última partida pelo Corinthians aconteceu dia 9 de março de 1957, quando o Timão venceu o Olimpic de Minas Gerais. Foi um jogo na cidade de Barbacena e o Corinthians venceu por 4 a 2. Os gols do alvinegro foram marcados por; Beni, Paulo, Breno e Zezé. O técnico foi José Gomes Nogueira que substituía temporariamente Oswaldo Brandão, que estava dirigindo a Seleção Brasileira no Peru, onde disputava o Campeonato Sul-Americano.

BOTAFOGO  RP

                 Ao deixar o Corinthians, Julião foi jogar no Botafogo de Ribeirão Preto ao lado do seu irmão Benedito Julião. Na época o time de Ribeirão era muito forte, Machado, Ditinho, Antoninho, Tiri e Julião; Tarciso e Nair; Zuino, Alex, China e Juan. E foi no Botafogo que certa vez foi escalado para marcar Pelé, que mesmo ainda garoto já trazia preocupação aos zagueiros. Segundo Julião, o jogo foi tranqüilo e terminou em 0 a 0. Mas durante sua carreira, teve que marcar grandes craques, como por exemplo, Julinho Botelho, Garrincha, Maurinho e tantos outros que na época eram pontas que partiam para cima do lateral e iam na linha de fundo para fazer o cruzamento. Não eram pontas falsos como no futebol de hoje. Depois de alguns anos em Ribeirão Preto e ter jogado o clássico Come-Fogo por inúmeras vezes, foi jogar no Jaboticabal, onde teve uma passagem rápida, pois ficou apenas cinco meses, depois retornou ao Botafogo onde encerrou sua brilhante carreira em 1962.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                 Em 1956 o Brasil disputou o Campeonato Sul-Americano, no Uruguai, e a nossa seleção foi representada somente por jogadores paulistas. O técnico era Oswaldo Brandão, que levou vários jogadores do Corinthians pois ele trabalhava lá e os conhecia muito bem. O placar foi de 4 a 1 para Chile e com isto o Brasil foi eliminado da competição. Mas foi uma boa experiência para Julião, que guarda na memória com muito carinho aquela época.

HOMENAGEM

                Quando Julião completou 80 anos de vida, recebeu uma homenagem do Movimento Pró-Corinthians, onde todos que compareceram ganharam uma camisa com o seu rosto estampado nela. Aquilo o deixou muito emocionado. Quem estava lá muito orgulhoso e feliz era seu filho, aquele que nasceu durante a excursão que o Corinthians fez à Europa em 1952, o Antonio de Assis. Ele também foi jogador. Passou pelo Juventus, Portuguesa e Palmeiras, sendo inclusive reserva do Eurico quando o Palmeiras tinha aquele grande time na década de 70, que passou a ser chamado de Segunda Academia. Chegou a fazer algumas partidas pelo Verdão, inclusive uma realizada na Bolívia contra o Jorge Wilsterman pela Libertadores, em plena Sexta-Feira da Paixão. Depois jogou no Pontagrossense do Paraná e encerrou a carreira.

                Infelizmente dia 25 de outubro de 2013, Julião veio a falecer aos 84 anos de idade, deixando muita saudade a todos que o conheceram pessoalmente, pois era uma pessoa humilde e muito querida por todos. Sempre que podia dava uma voltinha lá no Parque São Jorge, onde sempre encontrava algum companheiro do passado, ou então algum torcedor que o reconhecia e ficava por um bom tempo batendo aquele papo, o que ele adorava e lhe fazia muito bem. Sempre dizia que jogar futebol nos dias de hoje é muito mais fácil, os jogos não são tão acirrados e emocionantes como antes. Por exemplo, em 1953, mais precisamente dia 4 de janeiro, o Corinthians venceu o Santos por 4 a 1, uma semana depois derrotou a Portuguesa por 2 a 1, uma semana depois venceu o Palmeiras por 6 a 4, ou seja, era muita emoção para o torcedor.

                Julião dizia também que naquele tempo para ser titular de um time grande, era preciso ser muito bom, não era qualquer um que vestia a camisa de um Corinthians, de um Palmeiras, ou até mesmo de um clube do interior, pois haviam muitos jogadores bons. Infelizmente em se tratando de salários, a coisa é o inverso. Naquele tempo o jogador por melhor que fosse não ganhava bem, coisa que nos dias de hoje, qualquer cabeça de bagre ganha uma fortuna e coloca uma máscara que nos chega a dar nojo e com isto eles nos fazem sermos cada vez mais saudosistas. 

Em pé: Cabeção, Murilo, Touguinha, Lorena, Julião e Idário   –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Jackson e Carbone
Em pé: Idário, Dr. Mário Trigo, Cabeção, Touguinha, Lorena, Murilo, Julião e o técnico Rato    –    Agachados: Um massagista do clube, Cláudio, Luizinho, Baltazar, Jackson, Carbone e o preparador físico Davison
Em pé: Olavo, Goiano, Alan, Gilmar, Julião e Roberto Belangero     –     Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael e Zezé
Homenagem que o Corinthians prestou à Julião, quando ele completou 80 anos de vida
1955   –   Em pé: Digão, Tarciso, Tiri, Guina, Julião e Machado    –    Agachados: Laerte, Silva, Antoninho, Henrique e Géo
Em pé: Tarciso, Antonio Julião, Gil, Tiri, Julião e Machado    –    Agachados: Zuíno, Laerte, Antoninho, Henrique e Geo
Em pé: Tiri, Tatau, Tarciso, Julião, Ditinho e Machado   –    Agachados: Zuíno, Alex, China, Nair e Juan
Da esquerda para a direita: Cabeção, Baltazar, Touguinha, Jackson, Lorena, Murilo, Idário, Carbone, Julião, Luizinho, Cláudio e o técnico José Castelli, o Rato.
1953  –   Em pé: Cabeção, Idário, Goiano, Homero, Olavo e Julião    –   Agachados: Cláudio, Luizinho, Carbone, Mario e Baltazar
Em pé: Idário, Alan, Valentino, Julião, Homero e Valmir    –    Agachados: Cláudio, Rafael, Baltazar, Paulo e Jansen
Em pé: Cabeção, Homero, Idário, Touguinha, Julião e Rosalem   –   Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Nardo e Colombo
1952   –   Em pé: Rato (Técnico), Gilmar, Idário, Goiano, Julião, Murilo e Roberto Belangero   –   Agachados: Cláudio, Luizinho, Gatão, Jackson e Colombo
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