SERGINHO: brilhou na Portuguesa e na Inter de Limeira

                    Sérgio Roberto da Silva nasceu dia 29 de junho de 1957, na cidade de São Paulo (SP). Serginho defendeu várias equipes, mas foi na Portuguesa que teve maior destaque. Ele era o camisa nº 1 do time luso vice-campeão paulista de 1985. Foi eleito o melhor goleiro do interior paulista, jogando pela Internacional de Limeira, por dois anos, depois foi contratado pelo presidente Oswaldo Teixeira Duarte da Portuguesa de Desportos que também investiu em outros jogadores que tinham se destacado em equipes do interior, entre eles o Toninho e o Célio (XV de Jaú) e o ponta Esquerdinha (Santo André).

                   Ao todo, 13 jogadores foram contratados pela Portuguesa. Serginho sempre será lembrado pela torcida da Portuguesa por ter sido o arqueiro da excelente campanha no Campeonato Paulista de 1985, quando a Lusa foi vice-campeã, perdendo para o São Paulo na final. Depois que encerrou a carreira trabalhou como treinador e mais tarde virou empresário, montou uma fábrica de brinquedos, sendo o ponto forte, a fabricação de bonecas.

INÍCIO DE CARREIRA

                   Serginho começou a carreira nas categorias de base do São Paulo Futebol Clube em 1971. Nunca teve a oportunidade de defender o time profissional do Tricolor paulista. Só ficou duas vezes na reserva do Pascoalim, em 1975. Seu primeiro contrato foi feito com o Rio Verde (GO), em 1977 e ficou com passe preso ao São Paulo até 1980. Também por empréstimo, defendeu ainda o Botafogo da Paraíba em 1977 e o Vila Nova de Goiás de 1978 a 1980. Fez parte da equipe do Vila Nova tetracampeão goiano.

INTER DE LIMEIRA

                   Em 1981, ele foi para a Internacional de Limeira, clube que adquiriu seu passe. Na Inter, Serginho atuou com Elói, Tato, Bolivar, Camargo, Lela e Lê. A Internacional montou um bom time para disputar o Campeonato Paulista daquele ano e tinha como técnico Sérgio Clérice. Dificilmente perdia um jogo quando jogava em seus domínios, o Estádio Major José Levy Sobrinho, o Limeirão. Assim foi no dia 12 de setembro de 1981, quando derrotou o Corinthians por 2 a 1, gols de Simões e Valdir Lima, enquanto que Zenon marcou o único tento corintiano. Neste dia o Leão da Paulista jogou com; Serginho, Nonoca, Beto Lima, Joilson e Toninho Costa; Salomão, Joel Zanata e Valdir Lima (Evaristo); Lela, Almir e Simões. Do outro lado o técnico Julinho escalou a seguinte equipe; Tadeu, Loti, Mauro, Gomes e Wladimir; Caçapava, Biro Biro e Zenon; Baianinho, Paulinho e Joãozinho. O árbitro da partida foi Romualdo Arpi Filho. Foi uma boa passagem pela Inter, tanto é que foi considerado o melhor goleiro do interior paulista naquele ano.

PORTUGUESA  

                    Serginho foi contratado pelo presidente Oswaldo Teixeira Duarte, que naquele ano decidiu investir em promessas que vinham se destacando no futebol do interior de São Paulo. Junto com Serginho, Oswaldo trouxe do interior jogadores como Toninho, Célio e Esquerdinha. Ao todo, o maior presidente da história da Portuguesa contratou 13 jogadores para a disputa do Paulistão. Serginho foi comandado por Jair Picerni na inesquecível campanha do Paulista de 1985. Neste campeonato, a Lusa somou 52 pontos no total, contra 51 do São Paulo, mas mesmo assim ficou sem o título por perder para o tricolor em uma “estranha” final, com sérios indícios de influências no resultado. A Portuguesa havia vencido o primeiro turno e ficou em 2º lugar no segundo. O time luso deste ano era composto por: Serginho, César, Luís Pereira, Eduardo, Albéris, Célio, Toninho, Edu Marangon, Toquinho, Luís Muller e Esquerdinha.

                    O Paulistão de 1985 tinha uma fórmula de disputa simples: o campeonato foi disputado em dois turnos, em que todos jogaram contra todos duas vezes. O campeão de cada turno, mais as duas equipes que mais pontuaram na soma dos dois turnos, disputaram as semifinais e, depois, as finais. No primeiro turno, o São Paulo chegou à última rodada liderando com um ponto de vantagem sobre a Portuguesa. Porém o São Paulo perdeu para o Guarani, em Campinas, enquanto a Portuguesa venceu a Ponte Preta, sagrando-se campeã do turno e classificando-se às semifinais da competição.

                  No segundo turno, o São Paulo chegou à última rodada com um ponto de vantagem sobre a Ferroviária de Araraquara e dois sobre Guarani e Palmeiras. Porém venceu o Noroeste de Bauru e sagrou-se campeão do returno, classificando-se às semifinais ao lado de Guarani e Ferroviária, terceiro e quarto maiores pontuações na soma dos dois turnos. Nas semifinais, o São Paulo, segunda melhor campanha dos turnos, empatou o primeiro confronto com o Guarani em 1 a 1 e venceu o segundo por 3 a 0. A melhor campanha dos turnos, a Portuguesa, enfrentou a Ferroviária, empatando o primeiro jogo em 2 a 2 e vencendo o segundo por 2 a 0. No primeiro jogo das finais, realizado no Morumbi, o São Paulo de Silas, Pita, Müller e Careca, o Time dos Menudos derrotou a Portuguesa de Serginho, Luís Pereira, Jorginho e Jair Picerni por 3 a 1. Na finalíssima, outra vitória, agora por 2 a 1, deu o último título da carreira de Paulo Roberto Falcão, estrela do São Paulo, já em fim de carreira.

A GRANDE FINAL

                    A primeira partida da grande decisão aconteceu dia 15 de dezembro no estádio do Morumbi. O Tricolor venceu por 3 a 1, com dois gols de Careca e um de Dario Pereira. Uma semana depois, ou seja, dia 22 de dezembro de 1985, novamente São Paulo x Portuguesa, estavam frente a frente no estádio Cícero Pompeu de Toledo. Muitos torcedores da Lusa, coisa impensável nos dias de hoje. Sol de lascar, jogo bom, disputado com muita disposição pelos 22 atletas. Neste dia o técnico Jair Picerni da Portuguesa mandou a campo; Serginho, Luciano, Luiz Pereira, Eduardo e Albéris; Célio, Toninho e Edu Marangon; Toquinho (Jorginho), Luis Muller e Esquerdinha.  Já o técnico Cilinho do Tricolor escalou a seguinte equipe; Gilmar, Zé Teodoro, Oscar, Dario Pereira e Nelsinho; Márcio Araújo, Silas (Pita) e Falcão (Freitas); Muller, Careca e Sidney.

                   Jogão de bola! Edu  Marangon chuta do meio de campo e tenta fazer o gol que Pelé jamais fizera. A bola vai caindo e toca caprichosamente no travessão superior e sai pra fora, quase, a sempre quase Lusa. Sidney abre o placar para o São Paulo aos 24 minutos do primeiro tempo. Esquerdinha empata ainda na primeira etapa aos 32 minutos. Mas aos 22 do segundo tempo, Muller marca novamente para o São Paulo. Final de jogo, São Paulo 2×1 Portuguesa.

                   O artilheiro do campeonato foi Careca com 23 gols. Tal qual 1975, a Lusa ficou com o vice campeonato. Em 75 a decisão também foi contra o São Paulo. Neste ano a Lusa chegou bem perto do título, pois no primeiro jogo perdeu por 1 a 0. No segundo jogo que aconteceu dia 17 de agosto, a Lusa venceu pelo mesmo placar, ou seja, 1 a 0, gol de Eneas aos 31 minutos do primeiro tempo. Então veio a decisão por pênaltis. Para o Tricolor marcaram Pedro Rocha, Serginho Chulapa e Chicão, enquanto que a Portuguesa desperdiçou todas as cobranças através de Tatá, Dicá e Wilsinho.

                 Serginho tinha o hábito de promover os jogos, principalmente quando tinha um clássico pela frente e assim aconteceu certa vez quando a Portuguesa iria enfrentar o Santos no Pacaembu. Foi um jogo marcante na carreira do ex-goleiro. Além de ter feito uma grande partida contra o Santos no empate por 0 a 0, em 1985, Serginho tem um motivo especial para considerar o clássico marcante na sua carreira. “Provoquei o Nunes (ex-centroavante do Flamengo) que estava no Santos durante a semana da partida. Eu disse que não conhecia nenhum Nunes. Fiquei repetindo isso. Quando nós entramos em campo, eu disse a ele que era uma brincadeira. Ele estava bravo. Fiz uma grande partida, fui eleito até o Goleiro do Fantástico naquele dia. E pedi desculpas ao Nunes no final. Era claro que conhecia o Nunes”

                 Ganhou passe livre da Lusa em 1989 e foi para o Goiás. Depois jogou ainda pelo São Bento de Sorocaba em 1990, pelo Araçatuba também em 1990, pela Portuguesa Santista em 1991 e encerrou a carreira no São Caetano com o título da Segunda Divisão de 1991.

                 Um dos goleiros que Serginho procurava se espelhar nos tempos de jogador era Sérgio Valentim, ex-São Paulo. Era realmente fã do Sérgio, que treinou com ele no São Paulo. Alguns treinadores também marcaram positivamente a carreira do goleiro. Ainda hoje guarda boas lembranças principalmente do Geninho, do Jair Picerni e do Pepe.

                 Bom goleiro da Portuguesa nos anos 80, Serginho, o Sérgio Roberto da Silva, vive em São Paulo (SP) e hoje é técnico de futebol. Casado com dona Vanda, pai de dois filhos (Serginho e Camila), o ex-goleiro mora no bairro de Vila Emir, perto de Santo Amaro, zona sul de São Paulo. Depois de ter sido dono de fábrica de brinquedos Cortex, que tinha como forte a produção de bonecas, Serginho voltou ao futebol em 1997.

                O apresentador de TV Milton Neves sempre brincava com Serginho por causa da fábrica. Ele o chamava de Serginho Boneca. Como ainda trabalhava  com futebol ficou difícil ter tempo para outra atividade, por isso resolveu vender a fábrica. Após ser preparador de goleiros do time feminino da Portuguesa e das categorias de base da Lusa, Serginho assumiu o comando técnico da equipe sub-15 do Pão de Açúcar, no ano de 2006.

Em pé: Luiz Pereira, Eduardo, Toninho, Célio, Serginho e Luciano      –     Agachados: Toquinho, Alberis, Luiz Muller, Edu Marangon e Esquerdinha
VETERANOS DA PORTUGUESA DE DESPORTOS   Em pé: Zé Maria, Deodoro, Elias Dourado, Serginho, Luiz Pereira e Odirlei De boné amarelo é o Servilio      –     Agachados: Edu Bala, Gerson Sodré, Edson, Ivair e Wilsinho
Em pé: Pedrinho, Mauro, Zé Carlos, Lima, Carpinelli e Serginho      –     Agachados: Sidney, Muricy Ramalho, Serginho Chulapa, Adilson, Ataliba e Dema
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