FEDATO: o talismã da torcida palmeirense

                 Antonio Carlos Fedato nasceu dia 18 de novembro de 1948, na cidade de São Caetano do Sul – SP. Jogou no Palmeiras durante a segunda Academia. Era um centroavante bastante versátil e também aproveitado em várias outras posições. Era chamado de “talismã” do Palmeiras, pois sempre que entrava marcava seu gol, sendo que muitas vezes eram gols importantes e que davam a vitória a equipe. Durante boa parte de sua passagem pelo alviverde, não foi titular, mas era uma espécie de décimo segundo jogador que sempre entrava no segundo tempo das partidas como uma espécie de “arma secreta” dos treinadores, cativando a torcida. Jogou também no Náutico do Recife e, na década de 80, já como técnico, chegou a comandar o próprio Palmeiras. Com a camisa esmeraldina disputou 269 partidas. Venceu 141, empatou 81 e perdeu 47. Marcou 61 gols e sagrou-se campeão paulista em 1972 e 1974, campeão brasileiro em 1972 e 1973 e ajudou a equipe conquistar o Troféu Ramon de Carranza em 1974 e 1975.

INÍCIO DE CARREIRA

               Descoberto por Mário Travaglini durante um jogo do Cerâmica Clube, da cidade de São Caetano do Sul, Fedato chegou para jogar no Juvenil do Verdão, em 1965. Assim que começou a se destacar, foi emprestado a pequenos clubes paulistas, como Nacional (1966 e 1967), Botafogo (1969), Comercial (1969) e Noroeste (1970), onde foi um dos heróis do retorno do time de Bauru à elite do futebol estadual. No Norusca, Fedato fez bela dupla com Odair Cologna e levou o time de Bauru de volta para a primeira divisão do Campeonato Paulista de 1971. O torneio de acesso foi em 1970.

PALMEIRAS

               De volta ao Palmeiras no segundo semestre de 1970, tornou-se um dos mais queridos e importantes jogadores da equipe durante 5 anos. Na primeira metade dos anos 70, o Palmeiras pode contar com um jogador que, sem constrangimento algum, ocupou a condição de “primeiro reserva”. O atacante Fedato, justamente por ter a facilidade de atuar tanto pelas pontas como no comando do ataque, era sempre a opção principal quando um titular da chamada “Segunda Academia” não podia ser escalado. Mas era quando entrava no decorrer das partidas que este palmeirense de coração mais se destacava. Não foram poucas – ao contrário, até: foram inúmeras – as vezes em que graças à sua entrada em campo o Palmeiras conseguiu vencer um jogo que parecia fadado a não ganhar. Daí o carinho que ganhou por parte da torcida, que o elegeu como o maior talismã da história alviverde.

               Sua estréia com a camisa alviverde aconteceu dia 7 de outubro de 1970, quando o Palmeiras venceu a Catanduvense por 2 a 1 num jogo amistoso realizado na cidade de Catanduva, interior de São Paulo. Alguns dias depois, Fedato fazia seu primeiro clássico com a camisa alviverde. Foi contra o Corinthians pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O jogo foi no Pacaembu que recebeu neste dia um grande público, mais de quarenta mil pessoas e o jogo terminou empatado em 1 a 1, gol de Aladim cobrando pênalti para o alvinegro e Dudu para o alviverde.

              Neste dia o técnico Rubens Minelli do Palmeiras mandou a campo os seguintes jogadores; Leão, Zeca, Baldochi, Nelson e Dé; Dudu e Ademir da Guia; Edu (Copeu), Héctor Silva, Vagner (Fedato) e Pio. Muitas vezes Fedato decepcionava quando escalado desde o início das partidas. No entanto, bastava se aquecer para entrar em campo aos 10 ou 15 minutos do segundo tempo para a torcida palmeirense ficar na expectativa de gols. Fedato empurrava a bola pra dentro do gol, na década de 70, de qualquer jeito: ora de cabeça, ora levando vantagem em bola repartida com zagueiros. Fedato era um “fazedor” de gols por excelência.

               Qual torcedor palmeirense que não se lembra daquele time do início dos anos 70, que tantas alegrias deu a imensa torcida esmeraldina; Leão, Eurico, Luiz Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei. E como reserva de luxo havia Fedato, que frequentemente entrava na segunda etapa. Talismã, xodó, décimo segundo jogador. Muitos são os jargões utilizados para definir os jogadores cujas trajetórias são marcadas por serem sempre a primeira opção do banco de reservas, especialmente aqueles que no decorrer de suas carreiras de lá saíam para marcar gols importantes. A história do futebol é repleta deles, mas quando o assunto é Palmeiras, o primeiro nome que vem a cabeça sem dúvida é o de Fedato.

                Quem tinha muito carinho por Fedato era o saudoso treinador Osvaldo Brandão. Entendiam-se pelo olhar, quando o jogo estava no meio do segundo tempo e a vitória difícil, Fedato já sabia: Brandão o mandava aquecer. Uma vez contra o Atlético Mineiro faltavam alguns minutos e o atacante entrou. Rigorosamente na primeira vez que tocou na bola enfiou para o fundo das redes do Galo, decretando a vitória do Palmeiras. Ao marcar o gol continuou a corrida foi até o alambrado do Pacaembu comemorar com os torcedores. Nem voltou, foi expulso lá mesmo – era o regulamento vigente. O jogo acabou em seguida, e nunca um jogador expulso foi tão aplaudido à saída do campo.

               Em outro jogo, contra o Grêmio, o mestre Brandão foi bem claro. “Você entra no lugar do Hector Silva e fica no bico da área que o Ademir vai te dar um gol de bandeja”. Falou e disse! Minutos depois Ademir da Guia, outro mestre, dominou olhou e lançou a bola para Fedato, no bico da grande área, que decidiu a partida. Fez o gol e voltou ao banco de reservas fazendo menção de sentar-se, dizendo: “Se era isso que o senhor queria eu já fiz”. Fedato ficou tantas vezes no banco de reservas que a revista Placar fez disso longa matéria, quando o jogador analisou todos os bancos de reserva dos principais estádios brasileiros, dando notas de conforto, visibilidade e outros quesitos.

               Com certeza, o grande momento de entendimento entre o treinador e o jogador aconteceu em 22 de dezembro de 1974. Palmeiras e Corinthians decidiam o Paulistão daquele ano. Segundo tempo, empate, domínio do Palmeiras, mas nada de gols. Oswaldo Brandão notou uma certa apatia nos atacantes do Verdão e por via das dúvidas mandou Fedato aquecer. Leivinha, Ronaldo, Edu e Nei perceberam e sabiam que qualquer um deles podia sair. Resolveram correr mais. Enquanto isso Fedato continuava fazendo ginástica ao lado do campo. Leivinha ajeita de cabeça e Ronaldo marca o gol do título. Todos comemoram. Fedato nem espera a ordem do técnico.

               Humilde e inteligentemente volta ao banco e senta-se. Brandão olha é dá sua célebre piscada. Fedato tinha feito a parte dele, outra vez. Como sempre fez, até quando, ha poucos anos, foi encontrar-se com o Mestre e relembrar todas estas histórias lá no céu. A despedida de Fedato do Palmeiras aconteceu dia 17 de dezembro de 1975, quando o Palmeiras venceu o Santo André por 2 a 0. Com o fim daquele período mágico, no qual o time se sagrou bicampeão paulista e bicampeão brasileiro, entre outras conquistas, ganhou o passe livre e foi jogar no Náutico, onde encerrou a carreira.

NAUTICO

                Fedato disputou o Campeonato Pernambucano de 1976, o qual foi chamado de Super Campeonato. É como fica conhecido o campeonato pernambucano em que cada um dos três turnos e vencidos por times diferentes da capital, sendo necessário um torneio de desempate. Foi um campeonato muito disputado entre os três times grandes de Recife, ou seja, Náutico, Santa Cruz e Sport. A equipe do Náutico daquele ano era assim formada; Luis Fernando, Borges, Beliato, Sidclei, Clesio, Ednaldo, Zé Maria, Dedeu, Liminha, Mário e Fedato. Esta foi a equipe que venceu seu maior rival, o Sport no dia 16 de maio de 1976, na Ilha do Retiro por 2 a 1, sendo que o segundo gol do jogo foi anotado por Fedato aos 40 minutos do segundo tempo. Naquele ano o campeão foi o Sport, enquanto que o Náutico ficou com o vice campeonato.

               Assim que encerrou a carreira de atleta, retornou ao Palestra Itália para dar início à de treinador. Primeiro das categorias de base e, depois, da equipe principal, a qual dirigiu em três oportunidades. Ao todo foram 79 partidas sob seu comando. Depois de encerrar a carreira de treinador, Fedato chegou a trabalhar como corretor de seguros em São Caetano do Sul, onde sempre teve residência fixa.

TRISTEZA

               Depois que Fedato completou 50 anos, passou a ter problemas cardíacos e periodicamente realizava exames. E foi num desses rotineiros exames cardiológicos que ele sofreu um infarto. Era o dia 26 de janeiro de 2000. Fedato nos deixou muito cedo e de forma surpreendente, tinha então, 51 anos. Seu corpo foi sepultado em São Caetano do Sul. Fedato, o polivalente atacante do Palmeiras dos anos 60 e 70, jamais foi titular, nem daqueles jogadores que qualquer outra torcida desejasse, mas indiscutivelmente foi um dos maiores artilheiros e mais que isso, autor de gols “salvadores” do Verdão, equipe que ele tanto amou e na qual sempre foi uma boa opção no banco de reservas, principalmente porque costumava marcar gols quando entrava na etapa final.

Em pé: Zeca, Leão, Nélson, Baldocchi, Dudu e Dé  –   Agachados: Edu, Héctor Silva, César, Ademir da Guia e Fedato
Em pé: Eurico, Leão, Luís Pereira, Alfredo, Dudu e Zeca    –     Agachados: Edu, Fedato, Leivinha, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Eurico, João Carlos, Raul Marcel, Dudu, Alfredo e Zéca     –    Agachados: Fedato, Leivinha, Madurga, Ademir da Guia e Nei

 

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