LANZONINHO: brilhou no São Paulo e no Corinthians

                 João Lanzone Neto nasceu dia 22 de agosto de 1930, na cidade de Curitiba – PR. Jogar no trio de ferro paulista não é tarefa das mais fáceis nos dias de hoje. Nos anos 50 e 60 era mais complicado ainda. Mas o curitibano Lanzoninho conseguiu esta proeza. Ponta direita veloz, ele atuou no São Paulo, Corinthians e Palmeiras. Pelo Tricolor jogou de 1953 até 1957. No alvinegro de Parque São Jorge jogou em 1960 e 1963 e no Verdão jogou somente no ano de 1962. Jogou também no Coritiba, Juventus, Ponte Preta, Santa Cruz e Sport, do Recife,  Milionários da Colômbia, Independiente da Argentina e encerrou a carreira no Sport Boys, do Peru. Era um jogador raçudo e arisco, que dava muito trabalho aos seus marcadores. Sagrou-se campeão estadual por várias vezes, como no ano de 1957, quando o São Paulo tinha um grande time; Poy, De Sordi, Mauro Ramos de Oliveira, Vitor e Riberto; Dino Sani e Zizinho; Maurinho ou Lanzoninho, Gino, Amauri e Canhoteiro. O técnico era Bella Guttman.   

CORITIBA F.C.

               Foi na sua terra natal que Lanzoninho começou sua carreira. Começou a jogar no Água Verde de Curitiba, foi vendido ao Coritiba em 1949 e já no primeiro ano de clube, sagrou-se campeão paranaense pelo time de Aspirantes do Coxa.  Sua estréia aconteceu na Taça Cidade de Curitiba, em fevereiro de 1949. Ficou no Coxa por dois anos, sua última partida com a camisa do verde e branco do Alto da Glória foi em 21 de janeiro de 1951, num clássico contra o Ferroviário e que terminou empatado em 2 a 2, num jogo em que o Coritiba foi prejudicado pela arbitragem, que invalidou um gol legítimo de Renatinho.

PONTE PRETA

               Em 1952 foi vendido para a Ponte Preta de Campinas, que na época tinha o seguinte time; Ciasca, Derem e Salvador; Manoelito, Raul e Dias; Lanzoninho, Atis, Isauldo, Bruninho e Sabará. O técnico era Del Débbio, o mesmo que marcou época jogando pelo Corinthians na década de 30. Esse foi o time que foi derrotado pelo Corinthians no dia 31 de agosto de 1952 no Parque São Jorge. O jogo terminou 3 a 2 para o alvinegro de Parque São Jorge e os gols corintianos foram marcados por Baltazar (2) e Carbone, enquanto que para a Macaca maçaram Bruninho e Isauldo. Neste jogo o goleiro da Ponte defendeu um pênalti cobrado pelo ponta direita Cláudio aos 41 do segundo tempo.

SÃO PAULO F.C.

              No ano seguinte, em 1953, foi jogar no Tricolor do Morumbi, onde ficou até 1957. Foram anos maravilhosos na carreira de Lanzoninho, pois jogou ao lado de verdadeiros monstros sagrados do nosso futebol, como por exemplo, Zizinho, Dino Sani, Canhoteiro, Mauro Ramos de Oliveira, De Sordi, todos jogadores que tiveram a honra de defender nossa seleção brasileira. Em 1956, o São Paulo venceu o Nacional da capital paulista por 4 a 1, sendo que os quatro gols do Tricolor foram marcados por Lanzoninho. No último ano no clube, Lanzoninho fez parte do elenco que sagrou-se campeão paulista de 1957.

             Depois do insucesso do ano anterior, o São Paulo queria de qualquer maneira o título paulista. Para isso, trouxe mais um meia veterano, a exemplo de Sastre na década de 40: Zizinho, o “Mestre Ziza”, grande estrela da Seleção na Copa do Mundo de 1950. Para comandar a equipe, o time apelou para a importação e trouxe o legendário treinador húngaro Bella Gutman, que tinha dirigido o Honvéd de Puskas nos anos 50. Gutman era homem de métodos poucos ortodoxos para o futebol brasileiro. Um dos seus primeiros treinos consistiu em um desafio ao elenco. Ele colocou várias estacas de madeira no campo e pediu que os jogadores acertassem a bola em cada uma delas, de uma distância de cerca de 20 metros. Poucos tiveram sucesso.

              Quando foram protestar, dizendo ser impossível, o veterano técnico pegou uma bola e acertou em todas, para espanto de todo o elenco. Com ele no banco e Zizinho mandando no time, ficou fácil para o São Paulo, que, em 18 jogos, só teve uma derrota (2×1 para o Botafogo de Ribeirão Preto). O time tinha sofrido várias modificações desde o início do campeonato. No início do torneio, o time-base era formado por: Valdemar; Clélio e Atílio; Ademar, Vitor e Riberto; Lanzoninho, Dino Sani, Ney, Maneca e Canhoteiro. Bem diferente da equipe que foi campeã.                           

              Na última rodada, os dois se enfrentariam no dia 29 de Dezembro de 1957 no Estádio Municipal do Pacaembu. O Corinthians tinha a vantagem do empate. O São Paulo começou melhor e fez logo 1×0, com Amauri, aos 17 minutos do primeiro tempo. E a zaga corintiana nem teve tempo para se recuperar quando Canhoteiro aumentou, dois minutos depois. Rafael diminuiu aos 21 minutos, aumentando o suspense no Pacaembu lotado. E foi aos 34 minutos do segundo tempo que começou a confusão. Maurinho é lançado em posição duvidosa e marca na saída de Gilmar. Enquanto os corintianos protestaram, Maurinho teve a má ideia de passar a mão no rosto de Gilmar, como provocação. Nem um pouco feliz com a situação, o goleiro perdeu a cabeça, perseguiu o ponta e iniciou-se uma verdadeira confusão.

             A torcida, enfurecida, atirava garrafas no gramado, em protesto. O jogo quase não termina. Pelo incidente, a partida passou para a história como a “Noite das Garrafadas”. Com a camisa do Tricolor, Lanzoninho disputou 144 partidas e marcou 52 gols.  Depois teve uma curta passagem pelo Juventus da Rua Javari e também fez uma partida pelo Coritiba. Vestindo a camisa alviverde, Lanzoninho voltou ao Coxa para uma única partida.  Foi em 20/04/1958, quando o  Coritiba fez 2×3 Operário. O jogador fez contrato de uma partida apenas, pois ele tinha encerrado seu contrato com a Ponte, então veio jogar para o Coxa, e foi para o São Paulo, pois seu passe pertencia  ao time do Morumbi, onde ficou até o final de 1957.

SANTA CRUZ  

               Em 1958 foi jogar no Santa Cruz, de Recife. O clube perseguia o título desde 1947. O campeonato de 1957 foi disputado palmo a palmo e teve de ser decidido num super turno. Na final, o time da poeira se encontrava com o Sport e sua fanática torcida, em plena Ilha do Retiro. O Santa Cruz entrou no gramado da Ilha do Retiro em 16 de março de 1958 para a grande final do campeonato pernambucano de 1957, aliás, supercampeonato de 1957. O Santa foi para o jogo com sua formação clássica: Aníbal, Diogo e Sidney; Zequinha, Aldemar e Edinho; Lazoninho, Rudimar, Faustino, Mituca e Jorginho.

              Vale lembrar que Zéquinha e Aldemar são os mesmos que fizeram muito sucesso no Palmeiras, inclusive jogaram naquela grande decisão de 1959, quando o alviverde sagrou-se campeão paulista em cima do Santos que na época tinha um time praticamente imbatível. Era chegada a hora de por fim a um sofrimento que já durava uma década e a torcida do Santa Cruz estava lá confiante em seus jogadores. Começa o jogo e o Santa tem um escanteio a seu favor. A bola vem direto na cabeça de Rudimar, que golpeia com precisão. No grito de gol, levanta a poeira, explode o estádio. A festa nasce aos 4 minutos de jogo. Minutos depois, Mituca lança para Lanzoninho, que entra rápido na área e é derrubado.

             O árbitro Estéban Marino aponta para a marca de pênalti. Aldemar cobra e marca aos 18 minutos, o segundo gol. Um estrondo nunca visto. Uma torcida sofrida e pobre, essa massa do Santa economizara os foguetes no primeiro gol, guardara a preciosa munição o desafogo definitivo. As bandeira se agitam. O time está diabólico. E o jogo termina em 3 a 1 para delírio da torcida do Santa Cruz que solta o grito de campeão depois de 10 anos.

CORINTHIANS

               A estréia de Lanzoninho no Corinthians aconteceu dia 28 de janeiro de 1960, quando o alvinegro derrotou o Universidad do Chile por 4 a 2 num amistoso realizado no Estádio Nacional de Santiago. Neste dia o Corinthians jogou com; Cabeção, Waldir, Homero, Ari Clemente e Jaime; Roberto Belangero e Joaquinzinho; Bataglia, Lanzoninho, Higino e Cláudio. O técnico era Silvio Pirilo. Foram anos difíceis para o Corinthians, que não ganhou nenhum título enquanto Lanzoninho vestiu a camisa alvinegra. Disputou 54 partidas, venceu 33, empatou 10 e perdeu 11. Marcou 17 gols.

OUTROS CLUBES

               Teve uma curta passagem pelo Palmeiras, onde disputou apenas 9 partidas e marcou 2 gols. Depois foi jogar na Argentina, defendendo as cores do Independiente. Jogou ainda no Milionários da Colômbia e no Sport Boys do Peru. Ao retornar ao Brasil jogou no Noroeste de Bauru. Em uma das partidas que o Noroeste fez com o Santos, Pelé o procurou e perguntou se ele sabia quem era ele. Lanzoninho ficou surpreso com a pergunta, afinal, quem não conhece Pelé. Mas o Rei explicou o motivo da pergunta dizendo. “Era eu que engraxava suas chuteiras quando você vinha jogar aqui em Bauru pelo São Paulo”. Depois que encerrou a carreira trabalhou alguns anos como treinador, até parar de uma vez em 1977. Lanzoninho faleceu dia 13 de setembro de 2014, aos 84 anos em Matinhos – PR vítima de um AVC.

Em pé: Alfredo Ramos, Pé de Valsa, De Sordi, Poy, Mauro e Bauer    –    Agachados: Lanzoninho, Negri, Gino, Baiano e Teixeirinha
Em pé: Sidnei, Diogo, Anibal, Aldemar, Edinho e Zéquinha    –   Agachados: Lanzoninho, Rudmar, Mituca, Faustino e Jorginho
Em pé: Donald, Homero, Mão de Onça, Clóvis, Julinho e Lima   –   Agachados: Zeola, Lanzoninho, Buzzone, Viana e Rodrigues
Em pé: Diogo, Mão de Onça, Clóvis, Homero, Lima e Pando     –   Agachados: Lanzoninho, Zeola, Buzzone, Cássio e Rodrigues
Em pé: De Sordi, Poy, Dino Sani, Riberto, Vitor e Mauro    –   Agachados: Maurinho, Lanzoninho, Gino, Zizinho e Canhoteiro

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