PEDRINHO: tricampeão pernambucano pelo Santa Cruz

                   Pedro José Nepomucno Cunha nasceu dia 12 de outubro de 1945, na cidade do Rio de Janeiro, no bairro do Realengo. Foi um jogador e notável preparo físico e sempre dizia de forma bem humorada “Não fumo, treino duro e fui criado com leite de cabra”. Formado nas categorias amadoras do Bangu Atlético Clube, seu futebol ganhou maior visibilidade no juvenil do time de “Moça Bonita” onde se profissionalizou. Lateral esquerdo de origem, Pedrinho também aprendeu os segredos da posição de zagueiro.

                   Nos anos 60, o Bangu conquistou um lugar de destaque no cenário carioca. Além do inesquecível título de 1966, os alvirrubros chegaram ao vice campeonato nas edições de 1964, 1965 e 1967, ano em que Pedrinho foi um dos destaques na conquista do Torneio Quadrangular dos Campeões, uma competição disputada em Belo Horizonte. Naquele bom time formado na gestão do presidente Euzébio Gonçalves de Andrade e Silva, Ari Clemente era o titular absoluto da lateral esquerda. Dessa forma, Pedrinho foi utilizado com maior regularidade pelo técnico Plácido Monsores na temporada de 1967.

                    Com boas participações também no Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968, seu nome entrou com força na lista de jogadores pretendidos pelos grandes clubes do eixo Rio-São Paulo. Pelo Bangu Pedrinho disputou 101 partidas; com 41 vitórias, 25 empates e 35 derrotas. Em outubro de 1969, foi emprestado ao Corinthians, que no ano seguinte o contratou em definitivo. Após uma breve passagem por empréstimo ao Vasco da Gama, ele transferiu-se, em 1974, para o Santa Cruz, onde foi tricampeão pernambucano.

CORINTHIANS

                    As investidas do Corinthians para contar com seu futebol começaram no carnaval de 1969. Contudo, o negócio só foi finalizado no mês de outubro, quando o alvinegro obteve seus direitos federativos inicialmente por empréstimo. E Pedrinho se deu bem no Parque São Jorge, tanto que em 1970 os dirigentes desembolsaram 400.000 cruzeiros pelo passe do jogador em definitivo.

                    Mas jogar no Corinthians daqueles tempos era um desafio e tanto! A preocupação em não oferecer buracos defensivos fazia de Pedrinho um bom marcador, embora sem a confiança necessária para avançar com maior frequência ao campo de ataque. Afinal, não era prudente bobear com ponteiros direitos rápidos; como Edu bala, Manuel Maria, Ratinho e tantos outros daquele período. Sem conseguir chegar ao título paulista, Pedrinho participou da conquista do Torneio do Povo em 1971. No Corinthians, entre 1969 e 1972, Pedrinho disputou um total de 159 partidas e marcou 2 gols.

                    Com o rápido crescimento do futebol do jovem Wladimir Rodrigues dos Santos, Pedrinho foi emprestado ao Club de Regatas Vasco da Gama no início de 1973. Todavia, o lateral esquerdo Alfinete não deu mole na luta pela posição. Assim Pedrinho voltou ao Parque São Jorge, até aparecer um convite interessante do futebol pernambucano em 1974.

                    Pedrinho participou de um jogo que entrou para a história do futebol paulista, quando o Corinthians numa virada história venceu o Palmeiras por 4×3. Naquele dia 25 de abril de 1971, Pedrinho entrou jogando. Era uma tarde gelada de domingo de 8 graus no Morumbi, no célebre dia em que o seu Corinthians ganhou de virada do favorito Palmeiras. O técnico Francisco Sarna escalou: Ado, Zé Maria, Sadi, Luis Carlos, Pedrinho, Tião, Rivellino, Lindóia depois Natal, Samarone depois Adãozinho, Mirandinha e Peri. Apitou Armando Marques, que expulsou Leivinha e Rivellino, e os gols foram marcados, pela ordem: César Maluco, César Maluco, Mirandinha, Adãozinho, Leivinha, Tião e Mirandinha.

SANTA CRUZ

                    Vestindo a camisa do Santa Cruz, Pedrinho esperava voltar aos bons tempos. No Arruda, o lateral passou por momentos difíceis e também perdeu a posição. Depois de trabalhar muito, Pedrinho reencontrou seus melhores dias e finalmente desenvolveu um bom futebol, inclusive como um grande apoiador. No Santa Cruz, Pedrinho sempre foi aplaudido pelo empenho nas quatro linhas. Participou do elenco que conquistou o Campeonato Pernambucano nas edições de 1976, 1978 e 1979.

                     A carreira foi encerrada no mesmo Santa Cruz em 1981. Em seguida iniciou sua trajetória como treinador, sem no entanto conseguir o mesmo brilho dos tempos de jogador. Mais tarde foi proprietário de uma casa lotérica em Recife, antes de voltar com sua família para o Rio de Janeiro. Em entrevista ao repórter Lenivaldo Aragão da revista Placar, Pedrinho revelou que investiu com cuidado o dinheiro que ganhou no futebol. Com imóveis alugados no Rio de Janeiro e São Paulo, Pedrinho continua firme em sua filosofia de vida: “Quem toma leite de cabra corre sem cansar”.

TÍTULOS

Pelo Bangu:  Campeonato Carioca de 1966  e  Torneio Quadrangular dos Campeões em 1967 e Vice Campeonato Carioca de 1967

Pelo Corinthians:  Torneio do Povo em 1971

Pelo Santa Cruz:  Campeonato Pernambucano de 1976, 1978 e 1979

Em pé: Mirandinha, Tião, Luiz Carlos, Baldochi, Pedrinho e Ado    –    Agachados: Miranda, Caito, Suingue, Rivelino e Aladim
Em pé: Zé Maria, Sidney, Baldochi, Dirce Alves, Luiz Carlos e Pedrinho    –    Agachados: Vaguinho, Tião, Carlos Alberto, Rivelino e Aladim
Em pé: Pedrinho, Zé Maria, Luiz Carlos, Vagner, Ado e Tião    –   Agachados: Vaguinho, Sicupira, Mirandinha, Rivelino e Marco Antonio
Em pé: Jair, Lima, Pedrinho, Levir Culpi, Renato e Givanildo    –   Agachados: Luis Fumanchu, Ramon, Nunes, Carlos Alberto e Zé Maria
Em pé: Luiz Carlos, Pedrinho, Ado, Ditão, Zé Maria e Suingue    –   Agachados: Paulo Borges, Célio, Rivelino, Mirandinha e Aladim
Em pé: Mário Tito, Devito, Luiz Alberto, Pedrinho, Fidélis e Jaime    –    Agachados: Marcos, Dé, Mário Tilico, Fernando e Aladim
SELEÇÃO PAULISTA DE 1971   –   Em pé: Miranda, Lorico, Ado, Luiz Carlos, Pedrinho e Ditão    –   Agachados: Ratinho, Leivinha, César, Ademir da Guia e Rivelino
Em pé: Pedrinho, Dirceu Alves, Ditão, Luiz Carlos, Diogo e Miranda    –   Agachados: Ivair, Buião, Gonçalves, Tião e Suingue
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