EUSÉBIO: maior ídolo do futebol português

                     Eusébio da Silva Ferreira nasceu dia 25 de janeiro de 1942, em Lourenço Marques, província portuguesa de Moçambique, na África. Portanto, hoje ele está completando 67 anos de vida.  O maior ídolo do futebol português, marcou época no Benfica e na Seleção de Portugal. Artilheiro nato, iniciou sua carreira em 1957, no Sporting Clube de Lourenço Marques, de Moçambique e a encerrou em 1979, depois de marcar 733 gols em 745 jogos oficiais. Passou também pelo futebol norte-americano, Beira-Mar e União de Tomar de Portugal. Foi campeão europeu uma vez e 11 vezes campeão português, além de ter recebido em duas ocasiões a bola de ouro como melhor jogador da Europa. Atualmente é embaixador do Benfica e comentarista esportivo.  Sua ascensão no futebol português na década de 1960 esteve  diretamente ligada à trajetória  do maior jogador lusitano de todos os tempos.

                    A afeição de Eusébio pelo futebol brasileiro começou quando ele ainda morava em Lourenço Marques. Durante a adolescência, Eusébio começou a jogar em um time de bairro chamado Brasileiros F. C. A equipe ganhou esse nome devido à admiração de seus atletas pelo futebol apresentado pela seleção canarinho na campanha vitoriosa da Copa do Mundo de 1958. Quando já defendia as cores do Sporting de Lourenço Marques, o jogador chegou perto de ser transferido para um verdadeiro time brasileiro, a Ferroviária.

                    No final da década de 1950, o clube de Araraquara realizou uma excursão por Moçambique e o técnico José Carlos Bauer (o monstro do Maracanã da Copa de 50) ficou encantado com o talento do craque português. O treinador, então, solicitou à diretoria do clube paulista a contratação do atacante, mas os cartolas preferiram não apostar naquele que se tornaria o maior jogador português de todos os tempos.

                    Eusébio chegou ao Benfica em dezembro de 1961 e lá conquistou onze títulos do campeonato português, uma Copa dos Campeões da Europa e cinco Copas de Portugal. No entanto, antes de se  tornar ídolo da torcida lusa, Eusébio teve de ficar alguns meses parado esperando uma decisão da Justiça local.  A confusão começou porque Benfica e o rival Sporting de Lisboa demonstraram interesse no futebol do jogador quando ele ainda defendia o clube de Lourenço Marques, sua cidade natal. Eusébio, então, assinou contrato com os dois rivais de Lisboa e, quando chegou à cidade, foi anunciado por ambas as equipes. 

                    A Federação Portuguesa de Futebol precisou intervir na situação e acabou reconhecendo a contratação do atacante pelo Benfica. Depois de vencer o rival no tapetão, os dirigentes do Benfica promoveram a estréia do atacante no dia 23 de maio de 1962. Na ocasião, os reservas do Benfica enfrentaram o Atlético de Lisboa no Estádio da Luz.  A primeira partida diante de sua torcida não poderia ter sido melhor. Eusébio deu um show de bola, marcou três gols e comandou a equipe na vitória por 4 a 2. O jogo deu início a uma era de troféus e consagrações a um dos maiores clubes de Portugal. E o “Pantera Negra”, como ficou conhecido, esteve à frente dessas conquistas com seus inúmeros gols.

                    O mais importante título da carreira de Eusébio foi alcançado logo no primeiro semestre de 1962, quando o clube de Lisboa venceu pela segunda vez a Copa dos Campeões da Europa ao derrotar o Real Madrid, por 5 a 3, na final, disputada em Amsterdã, na Holanda. Este título continental foi só a primeira conquista de Eusébio, que continuou ganhando campeonatos até sua despedida do clube, em 18 de junho de 1975.  No entanto, ainda no ano de 1962, Eusébio iria conhecer o sabor amargo de uma derrota, quando decidiu o Mundial Interclubes com o Santos F.C. de Pelé & Cia. O time do Peixe que já havia vencido a primeira partida aqui no Brasil por 3 a 2, viajou para Lisboa, onde no dia 11 de outubro realizou a segunda partida.

                    A imprensa portuguesa dava como certa a vitória do time português, pois o Benfica não perdia no Estádio da Luz. Mas acabaram vendo a maior exibição de um time de futebol em todos os tempos. O Santos chegou a estar vencendo por 5 a 0, com três gols de Pelé, um de Coutinho e um de Pepe. Eusébio marcou somente aos 40 do segundo tempo e Santana aos 44, mas já era tarde. Neste dia o Benfica jogou com; Costa Pereira, Jacinto, Raul, Humberto e Cruz; Cavem e Coluna; Augusto, Santana, Eusébio e Simões. Enquanto que o Santos jogou com; Gilmar, Olavo, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Lima; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.

                   A vingança de Eusébio viria quatro anos mais tarde, na Copa da Inglaterra, quando Portugal eliminou o Brasil daquele mundial, ao vencer por 3 a 1. Eusébio marcou dois gols e Simões completou para a seleção portuguesa, enquanto que para o Brasil, o lateral esquerdo Rildo marcou o único gol. Se a trajetória com a camisa do Benfica foi gloriosa, as atuações de Eusébio pela seleção portuguesa não foram menos marcantes. Em 1966, o atacante comandou os lusitanos na maior campanha do país em uma Copa do Mundo, na Inglaterra. Portugal começou a competição desacreditado, já que estava no grupo do Brasil, então bicampeão mundial, e das fortes equipes de Hungria e Bulgária. Para a surpresa geral, a seleção portuguesa venceu seus três jogos e se classificou à fase seguinte. 

                   A estrela do Pantera Negra voltou a brilhar nas quartas-de-final, quando enfrentou a Coréia do Norte. Os asiáticos, que já haviam vencido a Itália na primeira fase, começaram a partida contra os portugueses de forma arrasadora e, em menos de 20 minutos, abriram 3 a 0. No entanto, Portugal contava com o futebol de Eusébio, que marcou quatro gols na vitória histórica por 5 a 3. Nas semifinais, o Pantera Negra voltou a balançar as redes, mas não evitou a derrota por 2 a 1 para a Inglaterra. O mau resultado foi influenciado pela tendenciosa arbitragem em favor dos donos da casa, mas isso não ofuscou o brilho do atacante.

                   No jogo seguinte, a seleção portuguesa venceu a União Soviética por 2 a 1 e terminou a competição no terceiro lugar. Eusébio sagrou-se o artilheiro da copa, com nove gols, e ainda recebeu o prêmio de melhor jogador do torneio. As atuações na Inglaterra também lhe renderam a “Bola de Ouro”, concedida ao grande destaque da temporada européia. O fato de Portugal não ter se classificado para os mundiais de 70 e 74 fez com que sua trajetória com a camisa de seu país fosse muito menor do que os torcedores esperavam. Ao todo, o atacante realizou 64 jogos defendendo a seleção portuguesa e marcou 41 gols.

                      Eusébio veio jogar no Brasil pela primeira em 1969, quando o Benfica veio ao país para disputar um amistoso contra o São Paulo, no Morumbi. A partida, por sinal, foi realizada justamente no dia em que o Pantera Negra completava 27 anos: 25 de janeiro de 1969. E o que mais o marcou em sua visita ao Brasil foi a homenagem que recebeu dos dirigentes são-paulinos.  No hotel, os companheiros fizeram uma rodinha, apareceu um bolo, as velas e todos cantaram parabéns. Era uma festa que ele já esperava. Mas o que o surpreendeu foi a atitude do São Paulo. Os dirigentes do clube apareceram no hotel e lhe ofereceram um relógio de ouro. “Nunca mais esqueci aquela atitude dos brasileiros”, afirmou Eusébio, anos depois do amistoso.

                      Quando voltou ao Brasil em 1972, o atacante também teve a oportunidade de participar de um dos sucessos da televisão nacional da época. Ao lado de Ronald Golias, Jô Soares e tantos outros comediantes, Eusébio se arriscou nos estúdios da “Família Trapo”, humorístico da TV Record.  “Quando deixei o palco, a plateia me aplaudiu de pé. Sinceramente, nunca senti uma emoção como aquela”, afirmou o jogador, que ainda voltou ao Brasil depois de ter pendurado as chuteiras. Em julho de 2004, Eusébio estreitou ainda mais sua relação com o Brasil ao tornar-se o primeiro estrangeiro a deixar as marcas dos pés na calçada da fama do Maracanã. O português, que é amigo de craques como Rivelino e Pelé, nunca esconde sua paixão pelo país do futebol. “Não posso externar minha gratidão por tudo que fizeram por mim. Eu amo esse país”. 

                      Sua despedida do Benfica aconteceu em 18 de junho de 1975. Com a águia do Benfica no peito, o Pantera Negra marcou 43 gols na temporada 1967/68 e, por isso, ganhou a “Chuteira de Ouro”, prêmio concedido ao maior artilheiro da Europa a cada ano. Na temporada 1972/73, Eusébio balançou as redes em 40 oportunidades e recebeu pela segunda vez a homenagem. O desempenho com a camisa do Benfica prova que a grande especialidade do Pantera Negra era mesmo marcar gols. O atacante é até hoje o maior artilheiro da história do Campeonato Português (319 gols), da Copa de Portugal (97) e da Copa dos Campeões da Europa (46).

                      Nas 715 partidas em que defendeu a equipe de Lisboa, o jogador balançou as redes 727 vezes. Depois de deixar o Benfica, Eusébio teve passagens rápidas por clubes dos Estados Unidos, Canadá e México, onde foi campeão nacional pelo Monterrey. O atacante voltou à Portugal em 1980, ano em que encerrou a carreira atuando pelo Beira-Mar. Títulos conquistados: Campeonato Português (63, 64, 65, 67, 68, 69, 71, 72, 73 e 75), Copa dos Campeões da Europa (1962), Copa de Portugal (62, 64, 69, 70 e 72) e Campeonato Mexicano (1976). Devido a todos esses títulos em sua carreira, é que Eusébio ainda hoje é considerado o maior ídolo da história de Portugal. Eusébio faleceu dia 5 de janeiro de 2014.

SELEÇÃO DE PORTUGAL NA COPA DE 1966
PELÉ E EUSÉBIO

 

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