MÁRIO SÉRGIO: brilhou em todos os clubes que jogou

                  Mário Sérgio Pontes de Paiva nasceu dia 7 de setembro de 1950, na cidade do Rio de Janeiro-RJ. Como jogador defendeu inúmeros clubes e também nossa seleção brasileira. Com técnico também trabalhou em grandes clubes do Brasil. Enfim, é um homem totalmente ligado ao futebol, inclusive foi comentarista esportivo na Rede Bandeirantes de Televisão durante muitos anos. Mário Sérgio era um jogador reconhecido por sua grande habilidade e criatividade. Era também um jogador de muita personalidade, chegando até ser muito polêmico em algumas atitudes. Foi um dos melhores meias atacantes que o Brasil teve em sua história, habilidoso e objetivo, Mário tinha um apelido de Vesgo porque ele olhava para um lado e tocava a bola pro outro lado confundindo seu adversário e armando com mais criatividade a equipe. Como técnico, não costuma manter o mesmo time, mesmo ganhando, pois ele escala seu time de acordo com o adversário.

INÍCIO DE CARREIRA

                Mário Sérgio antes de ser um jogador profissional, era operador de computador eletrônico na Datamec, a empresa da Loteria Esportiva. Começou a carreira profissional no Flamengo, aos vinte anos de idade. Quando Yustrich o viu jogar pela primeira vez disse “Esse menino é uma esperança. Ele precisa apenas aprender a aproveitar um pouquinho mais sua faixa de campo”. Talvez por confiar tanto em Mário Sérgio é que Yustrich já decidiu aproveitá-lo de imediato no time principal do Flamengo. Clássico ponta, o jogador atuou ao lado de nomes como os dos ídolos Fio Maravilha e Doval. Apesar da reconhecida habilidade, o jogador não teve continuidade no clube da Gávea e já em 1971 transferiu-se para outro rubro-negro, o Vitória BA. Mais tarde a torcida flamenguista sofreria a imaginar em que poderia ter resultado uma parceria entre Mário e um jovem franzino que surgiria no ano em que o ponta se transferia para o Vitória, o ídolo maior, Zico.

DIVERSOS CLUBES

               Brilhante no Vitória BA, onde passou quatro temporadas, Mário Sérgio se tornou rei na Bahia e caiu nas graças do torcedor baiano, onde sagrou-se campeão baiano em 1972, mas no ano de 1975, o ponta resolveu retornar a sua cidade natal para defender o histórico rival do clube que o houvera revelado, e assinou com o Fluminense. Já no seu primeiro ano conquistou um Campeonato Carioca sobre o Botafogo, clube para o qual seguiria no ano seguinte. Entre uma passagem e outra pelos diversos clubes, Mário colecionou a fama de indisciplinado, o que fatalmente o afastava da Seleção Brasileira, apesar das suas brilhantes atuações.

               No ano de 1979, defendeu o Rosário Central da Argentina, numa passagem relâmpago, e posteriormente seguiu para o Inter de Porto Alegre, onde teria uma das mais marcantes atuações da carreira.  Sagrou-se Campeão Brasileiro pelo Internacional em 1979 e acabou sendo convocado para a Seleção Brasileira em 1981 quando já tinha 31 anos de idade. Naquele período, Mário, que foi convocado 12 vezes e jogou apenas 8 partidas pelo scratch canarinho, ainda se transferiu para o São Paulo, onde jogou entre 1981 e 1982, sagrando-se campeão paulista em 81. Realizou 62 jogos com a camisa do Tricolor Paulista (33 vitórias, 14 empates e 15 derrotas) e oito gols marcados. Depois jogou na Ponte Preta, até chegar ao Grêmio em 1983 para ser Campeão Mundial. Para o torcedor do Grêmio, a decisão do mundial de clubes realizado no Japão em 1983, quando o Grêmio derrotou o Hamburgo por 2×1, foi um jogo inesquecível. Ele entrou para a história do Grêmio com os dois gols que Renato Gaúcho marcou naquele dia 11 de dezembro de 1.983.

               O primeiro gol veio aos 38 minutos do primeiro tempo. Renato deu uma série de dribles no lateral alemão, levou a bola até perto da linha de fundo e, quase sem angulo, chutou para abrir a contagem. Todo o time jogava bem e parecia que o titulo estava garantido. Entretanto, aos 40 minutos o segundo tempo, o Hamburgo empatou. Com esse gol foi necessário uma prorrogação. No intervalo, um bom papo de Espinosa e seus jogadores, o time voltou para disputar mais 30 minutos. E logo aos 3 minutos, Renato recebe um passe, partiu em velocidade para a área alemã, deu um corte para dentro no zagueiro e chutou de pé esquerdo. Quando a bola bateu nas redes do Hamburgo, Mário Sérgio e toda torcida do Grêmio não tinha mais duvida que o tricolor gaucho seria campeão do mundo. Nesse dia o Grêmio jogou com a seguinte formação; Mazaropi, Paulo Roberto, Baidek, De Leon e Paulo Cesar Magalhães; China, Osvaldo (Bonamigo) e Mario Sergio; Renato. Tarciso e Paulo César Cajú.
Técnico: Valdir Espinosa.

               Em 1984 retornou ao Internacional. Depois defendeu o Palmeiras, em 1984 e 1985. Pelo alviverde de Parque Antarctica, Mário Sérgio disputou 58 jogos (24 vitórias, 23 empates e 11 derrotas) e fez três gols. Jogou ainda pelo Botafogo (SP) e pelo Belincona (Suíça), em 1986, e Bahia, em 1987, onde encerrou sua carreira de jogador e virou treinador e comentarista de futebol. Durante toda sua carreira, Mário Sérgio conquistou o troféu Bola de Prata da Revista Placar nos seguintes anos: 1973, 1974, 1980 e 1981.  Ainda como jogador, Mário Sérgio participou de oito partidas oficiais pela Seleção Brasileira. Foram cinco vitórias, um empate e duas derrotas.

TREINADOR

               Como técnico, Mário Sérgio já dirigiu o Vitória (BA), o Corinthians, por duas vezes, o São Paulo , o Atlético Paranaense, o São Caetano, o Atlético (MG), o Figueirense, a Portuguesa e já foi diretor de Futebol do Grêmio (RS), onde como jogador foi campeão do mundo. Em fevereiro de 2007, assumiu o comando técnico do Figueirense. No final do mesmo ano, ele chegou a substituir Cuca, no Botafogo, mas ficou apenas três jogos no comando do Glorioso. Em agosto de 2008, foi contratado para dirigir o Atlético Paranaense em meio ao Campeonato Brasileiro, mas durou exatamente um mês no cargo. Depois de quatro derrotas em cinco jogos no Brasileirão, foi demitido. Na mesma competição teve outra experiência negativa, desta vez no Figueirense, do qual foi demitido após derrota para o São Paulo, mas pelo clube catarinense foi vice-campeão da Copa do Brasil.

               No início de 2009, ele substituiu Estevam Soares no comando da Portuguesa. Mário foi demitido do comando da Lusa no dia 5 de março de 2009, depois da eliminação da Copa do Brasil para o Icasa. Desde quando se desligou do São Caetano, em 2003, tinha dado um tempo na carreira de treinador e passou alguns anos descansando em sua chácara na cidade de São Roque (SP). Nesse período, Mário Sérgio apenas dava palestras, comentava alguns jogos e participava de programas esportivos como convidado. Como treinador corintiano, em 1993, quase levou o time corintianos para à final do Brasileiro. Naquele mesmo ano, ele revelou o volante Zé Elias, que tinha apenas 16 anos. No comando do Corinthians, em duas passagens (outra foi em 1995), Mário Sérgio dirigiu a equipe em 31 partidas (16 vitórias, 13 empates e duas derrotas). No comando do São Paulo, em 1998, dirigiu a equipe somente em 10 jogos (três vitórias, um empate e seis derrotas).

               No dia 5 de outubro de 2009, foi anunciado como treinador do Internacional até o término do Campeonato Brasileiro, substituindo Tite. Fez sua estreia como técnico do Inter no dia 7 de outubro, com vitória de 3 a 1 sobre o Náutico, no Estádio Beira-Rio. Após 11 partidas dirigindo o clube, com 6 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, Mário Sérgio deixou o comando do Colorado, conseguindo o vice-campeonato do Brasileirão, e, consequentemente, vaga para a Copa Libertadores da América de 2010. Lembrando que o campeão brasileiro de 2010 foi o Flamengo, que com este título conquistou o hexacampeonato brasileiro. No dia 9 de agosto de 2010, foi anunciado como treinador do Ceará, logo após a demissão do técnico Estevam Soares. Porém, apenas um mês depois, foi demitido.

JOGADOR POLÊMICO

               Na mesma medida em que o talento de Mário Sérgio era grandioso, também eram grandes as suas confusões. Mário se envolveu com coisas muito sérias como o seu famoso caso de doping em 1984 quando ele jogava no Palmeiras que praticamente definiu o fim de sua carreira. Na primeira partida da decisão do segundo turno do Paulistão de 1981 entre São Paulo e São José, depois do jogo, em que o São Paulo perdeu por 1 a 0, a torcida do São José veio atacando o ônibus do São Paulo com pedradas, Mário, de temperamento explosivo, não pestanejou e sacou um revolver que estava em sua bolsa e começou a disparar tiros pra cima, para desespero da torcida que saiu em disparada.

              Após o ocorrido, Mário Sérgio disse em bom tom que as balas eram de festim e que não se arrependeu de fazer isso, uma semana depois no jogo de volta o cara que cuida do letreiro do Morumbi não teve dúvidas ao invés de colocar o nome do craque colocou embaixo do número “O Rei do Gatilho” para delírio da massa são-paulina. Esse apelido é lembrado até hoje pela imprensa, mas o que mais é recordado foram as suas belíssimas atuações e o seu gênio forte. Mário Sérgio, um autêntico craque explosão do futebol brasileiro, faleceu dia 28 de novembro de 2016 no trágico acidente aéreo que estava toda a delegação da Chapecoense. Ao todo morreram 71 pessoas.

Em pé: Gasperin, Toninho, Mauro Pastor, Falcão, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro     –   Agachados: Chico Spina, Jair, Adilson, Batista e Mário Sérgio
Em pé: Leão, Oscar, Marco Antonio, Ronaldo, Ademir, Chiquinho e o técnico Candinho     –    Agachados: Silvinho, Heriberto, Dino Furacão, Mário Sérgio e Zé Sérgio
Em pé: Paulo Roberto, Mazaropi, Baidek, China, Paulo César e Hugo De Leon     –   Agachados: Renato Gaúcho, Osvaldo, Tarcíso, Paulo César Cajú e Mário Sérgio
Em pé: Waldir Perez, Getúlio, Oscar, Dario Pereira, Almir e Marinho Chagas    –    Agachados: Paulo César, Renato, Serginho Chulapa, Mário Sérgio e Zé Sérgio

 

 

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