ALCINDO: um dos maiores ídolos do Grêmio

                Alcindo Martha de Freitas nasceu dia 31 de março de 1945, na cidade de Sapucaia do Sul – RS. Foi um jogador cuja característica era a força física e sua intimidade com o gol adversário. É o segundo maior goleador do Grêmio na história dos Grenais com 13 gols, ficando atrás somente de Luiz Carvalho que marcou 17. Na história do Tricolor Gaúcho, foi o jogador que mais marcou gols, ao todo foram 636. Depois foi convidado por Carlos Alberto Torres para jogar no Santos em 1972, o que ele aceitou de imediato, pois era um sonho seu jogar ao lado de Pelé. Depois foi jogar no Jalisco, do México, a convite do treinador Mauro Ramos de Oliveira. Também defendeu nossa seleção, inclusive chegou a disputar a Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra, onde fomos eliminado ainda na primeira fase. Em 1978 encerrou sua brilhante carreira. Até hoje é um dos maiores ídolos do Grêmio, onde teve uma grande fase e deu muitas alegrias ao torcedor gremista. Era chamado por Geraldo José de Almeida, de Bugre Xucro.

INÍCIO DE CARREIRA

               Foi no infantil do Aimoré, Rio Grande do Sul.  Sempre foi centroavante por influência do seu irmão, Alfeu. Depois ele foi jogar no juvenil no Lansul, que um dia fez um amistoso com os aspirantes do Inter de Porto Alegre. Na época, o Inter tinha um time fabuloso. Perdeu de quatro a três, e Alcindo fez os três gols da sua equipe. Depois do jogo, um diretor do Inter o convidou para jogar na capital. Só que, chegando lá, tinha o Flávio, o Sadi Schwerz, o Valdir Fraga, que eram centroavantes, sendo assim, ele era o quatro na sua posição, e quem chega de fora, sente dificuldade. Mas sentiu que tinha condições de brigar pela posição. E acabou fazendo dupla com o Flávio. Nessa época Alcindo tinha uns quinze anos. Foi goleador pelo Inter num Gre-Nal no Olímpico, vencendo por 5 a 1, com quatro gols seus.

               Algumas semanas depois, Alcindo conversou com o técnico e pediu uma ajuda de custo, pois para chegar aos treinos precisava pegar dois ônibus. No dia seguinte, antes de começar o treino, o presidente do clube entrou no meio do campo e disse para Alcindo “o que tu está pensando, guri? Tu tem dois irmãos jogando no time de cima. Quem dá aumento para eles sou eu. Eu que digo quem vai ganhar e o quanto vai ganhar. Quem és tu, um juvenil, que vai falar que tá querendo aumento?”. Depois que o presidente foi embora, Alcindo começou a chorar, pois ainda era um adolescente e sentiu demais aquelas palavras. O técnico ainda tentou consertar a situação, mas Alcindo pegou suas coisas e foi embora.

GRÊMIO

               Não se sabe como, mas os dirigentes do Grêmio ficaram sabendo do caso e pediram para ele comparecer no clube para conversarem. De cara o Grêmio lhe ofereceu o dobro que ele ganhava no Inter, isto sem ele pedir. Foi muito bem recebido por todos e foi um casamento que deu certo. Ficou emprestado por um ano ao São Paulo de Rio Grande, depois retornou ao Grêmio em 1962, quando formou o ataque com Babá, Joãozinho e Volmir. Sagrou-se pentacampeão gaucho: 1964, 65, 66, 67 e 68. Em 77 já em final de carreira voltou ao Grêmio e fez um gol memorável em Grenal, um dos momentos mais emocionantes da história do Grêmio, conquistando assim, mais um título estadual para o seu time do coração, o Tricolor Gaúcho. Quando Alcindo, o maior artilheiro da história dos Gre-Nais, com 13 gols, fez sua partida de despedida dos gramados, ele marcou, de pênalti, o primeiro gol na vitória de 6 a 1 da equipe gremista em uma equipe da Associação dos Profissionais. Com a boa fase de artilheiro, em 1965 foi convocado pela primeira vez para defender a Seleção Brasileira.  

SELEÇÃO BRASILEIRA

              Em 1965 o Grêmio fez um jogo amistoso contra a seleção da Rússia. Era difícil uma equipe como aquela se apresentar aqui no Brasil. Foi comentada essa vinda deles, e daí foi a comissão técnica da nossa seleção com o Vicente Feola para assistir aquela partida, onde o Grêmio venceu por 2 a 0, dois gols de Alcindo. No segundo gol o goleiro milagroso Lev Yashin, o lendário e quase imbatível goleiro russo, conhecido como Aranha Negra pela altura e tamanho de seus braços, levantou-se atordoado e sacudiu a poeira. Que diabos estava acontecendo? A seleção da União Soviética, que naquele tempo juntava todos os países comunistas da Cortina de Ferro, vinha de várias e consistentes vitórias. Ele estava invicto há muitos jogos. Naquele dia era a segunda vez que buscava a bola nos fundos da rede, mandada que fora para lá, sem perdão, sem pena, sem a menor benevolência por Alcindo. O goleiro russo nem viu a patada dele de fora da área. Tinha o chute mais forte de todos os atacantes. Foi dito por Pelé como um dos melhores atacantes de todos os tempos. Além de bugre xucro, tem dois outros apelidos que o definem bem: Alcindo o gol e Alcindo o galo com esporão.

               E com estes dois gols em cima dos russos, ele assinou o passaporte pelo menos para ir para o Rio de Janeiro fazer os treinamentos, pois era um dos 47 jogadores convocados por Feola  para viajar à Inglaterra para disputar a Copa de 66. Infelizmente não fizemos uma boa campanha e fomos eliminados ainda na primeira fase. Vencemos na estréia a fraca Bulgária por 2 a 0, gols de Pelé e Garrincha. Depois perdemos para a Hungria por 3 a 1, gol de Tostão para o Brasil. E na última partida das oitavas-de-final, perdemos para Portugal novamente por 3 a 1, gol de Rildo para o Brasil. Durante três meses a seleção perambulou por várias estações de águas diferentes em São Paulo, Rio e Minas, uma estúpida maneira de fazer política de boa vizinhança. Jogando apenas entre si, os atletas conviviam com o fantasma do “corte”. Dessa forma, a seleção era um grupo exausto e desunido. Um rascunho de um time de futebol. Muitos jogos foram realizados. Começaram em Caxambu (MG) e terminaram em Malmoe, na Suécia. Três meses de treinamento e Feola ainda não tinha uma equipe ideal para disputar uma Copa do Mundo.

               Alcindo jogou as duas primeiras partidas e ficou de fora contra Portugal. A equipe que estreou na Copa foi a seguinte; Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Denilson e Lima; Garrincha, Alcindo, Pelé e Jairzinho. Com a camisa canarinho Alcindo disputou 7 jogos, sendo 4 vitórias, 2 empates e uma derrota, que foi para a Hungria na Copa de 66.

SANTOS F.C.

               Alcindo tinha recebido um convite do Fluminense e estava propenso a ir jogar no Rio de Janeiro, mas depois de receber um convite de Carlos Alberto para jogar no Santos, mudou de ideia, pois seu sonho era jogar ao lado de Pelé, assim como havia feito na Copa da Inglaterra. Em 1973 o time santista era; Cejas, Carlos Alberto Torres, Marinho Perez, Vicente e Turcão; Clodoaldo e Brecha; Jair da Costa, (Alcindo), Eusébio, Pelé e Edu. Esta foi a equipe que venceu o Corinthians por 3 a 0 no dia 29 de abril pelo Campeonato Paulista. O jogo foi no Morumbi e os gols santista foram marcados por Pelé (2) e Brecha. Duas semanas antes da decisão contra a Portuguesa de Desportos pelo Campeonato Paulista de 1973, Alcindo foi convidado por Mauro Ramos de Oliveira que havia saído do Santos e estava trabalhando no México, para ir jogar no Jalisco, equipe que ele era o treinador. De imediato aceitou o convite, pois a parte financeira era excelente.

MÉXICO

              Jogou no Jalisco por dois anos e meio. Era um clube pequeno e que hoje até mudaram de nome. Depois foi jogar num clube bem maior, o América, o qual lhe deu condições de executar um bom trabalho e sagrar-se campeão em 1976.  E foi lá na Cidade do México que nasceu seu filho Juan Carlos. Jogando no México, Alcindo ganhou um bom dinheiro, mas se fosse nos dias de hoje ganharia muito mais, pois os jogadores que jogam por lá, dificilmente querem sair do país.

               Em 1979 Alcindo estava de volta ao Brasil e foi jogar na Francana, um pequeno clube do interior paulista que na época tinha a seguinte equipe; Geninho, Félix, Silva, Zé Mauro e Cláudio; Reinaldo, Renê e Antenor; Alcindo, Jean e Delém. O técnico era Daltro Menezes. Esta foi a equipe que enfrentou o Corinthians no dia 25 de março de 1979 no estádio José Lancha Filho (o Lanchão), na cidade de Franca, pelo segundo turno do Campeonato Paulista. O jogo foi 4 a 0 para o alvinegro de Parque São Jorge, com gols de Biro Biro, Sócrates, Taborda e Cláudio contra. E foi lá na Francana que o artilheiro Alcindo encerrou sua brilhante carreira, consagrado como um dos maiores ídolos da história do Grêmio.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Depois que parou como jogador passou a trabalhar em Porto Alegre na revelação de jogadores na Escolinha Social Futebol Clube, onde ensina a garotada os fundamentos básicos de um jogador e aproveita para contar um pouco de sua carreira para a gurizada onde ele sempre diz “Eu joguei com os melhores, inclusive com Pelé, tive os melhore treinadores e por isso eu posso passar para vocês o que há de melhor”. Um dia perguntaram para Pelé quem ele queria como companheiro no Santos. E, a pedido do Rei lá se foi Alcindo para fazer sucesso e história no Santos, depois no México. Anos depois, precisando retomar a hegemonia do Gauchão, foi trazido de volta para Porto Alegre. E o Imortal teve ao mesmo tempo Alcindo e André Catimba como centroavantes. Nunca um time teve ao mesmo tempo dois centroavantes desta qualidade. Os dois merecidamente estão na Calçada da Fama. Alcindo foi artilheiro pelo Grêmio em 1965 com 21 gols, e 1968 com 12 gols, em 1976 com 20 gols e em 1977 com 17 gols. Por isso, é um dos maiores ídolos do Grêmio Futebol Portoalegrense. Alcindo faleceu dia 27 de agosto de 2016.

Em pé: Everaldo, Valdir Espinosa, Jadir, Áureo, Ari Ercílio e Alberto   –    Agachados: Hélio Pires, João Severiano, Alcindo, Sérgio Lopes e Volmir
Em pé: Cláudio, Léo Oliveira, Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Hermes e Índio   –    Agachados: Jair da Costa, Brecha, Alcindo, Pelé e Edu
Em pé: Djalma Santos, Bellini, Manga, Edson, Fontana e Dudu   –    Agachados: Nado, Fefeu, Alcindo, Tostão, Edu e o massagista Pai Santana
Em pé: Murilo, Manga, Brito, Fontana, Oldair e Roberto Dias  –   Agachados: Garrincha, Alcindo, Silva, Fefeu e Rinaldo
Em pé: Fidélis, Zito, Gilmar, Brito, Fontana e Paulo Henrique   –    Agachados: Massagista Mário Américo, Jairzinho, Lima, Alcindo, Pelé e Amarildo
Em pé: Cejas, Orlando, Oberdan, Paulo, Clodoaldo e Zé Carlos   –   Agachados: Edu, Afonsinho, Alcindo, Pelé e Ferreira
Postado em A

Deixe uma resposta