PETRONILHO: primeiro negro a jogar no futebol estrangeiro

                       Petronilho Brito nasceu dia 31 de maio de 1904 em São Paulo. É irmão de Waldemar de Brito, quem descobriu Pelé para o mundo do futebol. Ponta-de-lança de baixa estatura, drible rápido e desconcertante, criativo. Para muitos, foi o verdadeiro inventor da “bicicleta”. Petronilho de Brito foi o primeiro negro brasileiro a jogar num clube estrangeiro. Lançou definitivamente a figura do negro no futebol paulista e brasileiro.

                       Começou a jogar no Antarctica F. C., aos dezessete anos, em 1921. Nesse ano, desgostosos com os rumos tomados pela A.P.E.A., os clubes da Segunda Divisão, entre eles, o Antarctica, se rebelaram. Solicitaram desfiliação da A.P.E.A. e fundaram a Federação Paulista de Esportes, cujo campeonato foi iniciado no dia 22 de maio. Foi um campeonato inexpressivo, tal como a nova entidade, que teve vida curta, apesar das tentativas promocionais, como um festival que efetuou no meio do ano, com renda em benefício da Matriz da Mooca. Os clubes revoltosos disputaram o seu campeonato particular, que foi um fracasso, o que determinou a extinção da Federação Paulista de Esportes. Com a extinção da mesma, a A.P.E.A. acolheu de volta os dissidentes.

                         No dia 1º de janeiro de 1922, já defendendo o Minas Gerais, contra o Vila Isabel, do Rio de Janeiro, e que terminou empatado em 4 x 4, Petronilho de Brito fez de bicicleta um dos quatro gols que marcou, sendo ele o inventor dessa jogada, que muitos atribuem a Leônidas da Silva. O jornal “A Platéia”, no dia seguinte ao jogo, noticiou a sensacional jogada de Petronilho de Brito, denominando-a de “bicicleta”. Posteriormente, outros gols iguais se sucederam.

                          Para os brasileiros e grande parte do mundo, Leônidas da Silva é considerado o inventor da “bicicleta”. Outros afirmam que foi Unzaga e chamam a jogada de “chilena”. O próprio Leônidas da Silva creditava a Petronilho de Brito a invenção da jogada. De qualquer modo, foi com Leônidas da Silva que a bicicleta se tornou famosa em todo o mundo.

                          No dia 30 de abril de 1922 fez sua estreia no Campeonato Paulista da A.P.E.A., na vitória de 1 x 0 sobre o São Bento. O primeiro gol no novo clube só veio a acontecer em 15 de outubro, contra o mesmo São Bento: 3 x 0. A presença de Petronilho de Brito não impediu que o Minas Gerais tivesse, juntamente com o São Bento, o ataque menos positivo do campeonato, com 25 gols. O Minas Gerais foi o 7º e penúltimo colocado. Nos 16 jogos que Petronilho de Brito disputou, marcou 5 gols.

                          Continuou no Minas Gerais em 1923. E o clube não melhorou seu rendimento em relação ao ano anterior. O Minas Gerais não conseguiu classificação para o returno. Foi o último colocado entre os 12 clubes que disputaram a primeira fase do campeonato de 1923. A participação de Petronilho de Brito foi: 10 jogos e 3 gols. Desses, dois foram marcados no dia 13 de maio de 1923, no empate de 3 x 3 com o poderoso Paulistano, sendo que o segundo foi marcado aos 42 minutos do segundo tempo, decretando o empate.

                           Em 1924, o Minas Gerais F. C. mudou de denominação. Passou a chamar-se Braz Athlético Club. Permaneceu na Primeira Divisão da A.P.E.A. O clube ficou em 7º lugar, entre 11 clubes. Para essa melhoria na campanha, foi fundamental a participação de Petronilho de Brito: disputou 13 jogos e marcou 10 gols.

                           Petronilho de Brito transferiu-se para o Sírio em 1925. E, logo em sua estreia, deixou sua marca contra o Ipiranga, marcando o gol do empate em 1 x 1. De 28 de junho a 27 de setembro, o campeonato foi interrompido para que os clubes cedessem jogadores ao selecionado paulista que iria disputar o III Campeonato Brasileiro de Futebol. Petronilho de Brito foi convocado para a reserva do grande Friedenreich.

                           Pela primeira vez houve um desempate de campeonato, desempate, aliás, sensacional. O empate do primeiro jogo foi tido como insucesso pelos paulistas, daí a substituição de Friedenreich. Este que havia jogado aquém de suas possibilidades, contrariado pediu dispensa alegando estar doente. Petronilho de Brito foi no seu lugar, estreando contra os cariocas e no Campeonato Brasileiro. Foi vítima de sua estreia. Os paulistas perderam após luta épica, por 3 x 2.

                            De volta ao Campeonato Paulista, o Sírio ficou em 5º lugar, juntamente com o Palestra Itália, entre 12 clubes. Dos 23 gols marcados pelo clube, 10 foram de autoria de Petronilho de Brito, em igual número de jogos, ou seja, média de um gol por jogo.

                             Em 1926, Paulistano, A. A. das Palmeiras e Germânia, desfiliados da A.P.E.A., fundaram em 3 de dezembro de 1925, a Liga de Amadores de Futebol – LAF. O Sírio permaneceu filiado a A.P.E.A. Nos sete jogos que Petronilho de Brito disputou pelo Sírio, marcou 4 gols. No dia 15 de setembro de 1926, participou do jogo-despedida de Neco, na goleada de São Paulo sobre a Guanabara, por 8 x 1. No Brasileiro de Seleções de 1926 foi o maior destaque, consagrando-se como campeão e artilheiro da competição, com 15 gols.  No jogo São Paulo 16 x 0 Santa Catarina, em 26 de setembro, marcou  7 gols.

                              Em 1927, Petronilho de Brito transferiu-se para o Clube Atlético Independência e passou a disputar o campeonato da Liga de Amadores de Futebol – LAF. Mais uma vez, em sua estreia, no dia 29 de maio de 1927, marcou um gol, na vitória de 5 x 4 sobre o Paulista. Nos cinco jogos que disputou, marcou seis gols. No mesmo ano, foi vice-campeão do Brasileiro de Seleções em 1927, tendo participado da conturbada final  no Rio de Janeiro.

                               Continuou defendendo o Independência/Sant’Anna, no campeonato da LAF de 1928, com uma excelente performance: 12 jogos e 12 gols. Apesar disso, o clube não passou de um 7º lugar, entre 12 clubes. Nesse ano, aconteceu a primeira participação pela Seleção Brasileira: 24 de junho, vitória sobre o Motherwell, por 5 x 0.

                                Em 1929, Petronilho de Brito retornou ao Sírio. Em virtude da programação do Campeonato Brasileiro de Seleções e de vários jogos internacionais em 1929, a Associação Paulista de Esportes Athleticos promoveu o seu campeonato da Divisão Principal deste ano em apenas um turno. Apesar da péssima campanha do Sírio, ainda assim Petronilho de Brito conseguiu destacar-se. Nos seis jogos que participou, marcou 5 dos 9 gols do Sírio.

                                Foi novamente lembrado para fazer parte da Seleção Brasileira em dois amistosos realizados, contra o Rampla Juniors, do Uruguai, e o Ferencvaros, da Hungria. Nesse último, em 10 de julho, vitória de 2 x 0, marcou o seu primeiro gol com a camisa da seleção brasileira.

                                Ultrapassou todas as expectativas no Campeonato Paulista de 1930. Mesmo com a irregularidade do Sírio (9º lugar entre 14 clubes), a participação de Petronilho de Brito foi excelente: 24 jogos e 26 gols. Na disputa pela artilharia, ficou atrás de Feitiço, o primeiro lugar, com 37 gols, e junto com Friedenreich, também com 26. Os jornais da época passaram a considerar Feitiço, Friedenreich e Petronilho de Brito o “Trio de Ouro” dos goleadores paulistas.

                                Para se ter uma ideia da fama que havia alcançado, Petronilho de Brito, no Campeonato Carioca de segundo quadros (equivalente aos aspirantes) de 1930, o Sírio venceu o Botafogo por 5 x 2, com três gols marcados pelo então novato Leônidas da Silva. A torcida ainda enlouquecida com sua apresentação não hesitou em batizá-lo de “o novo Petronilho” ou ainda, o “Petronilho carioca”. O batismo era uma homenagem ao grande centroavante Petronilho de Brito.

                                A nota triste do ano foi a não participação na Copa do Mundo do Uruguai. Chegou a ser convocado para defender o Brasil mas, divergências entre A.P.E.A. e CBD impediram sua presença. Novamente ficou em terceiro na disputa pelo primeiro lugar entre os artilheiros no Campeonato Paulista de 1931: desta vez, Feitiço alcançou a marca de 39 gols e Friedenreich assinalou 32 gols. Petronilho de Brito marcou 22 gols em 25 jogos.

                                Marcou dois gols no amistoso da Seleção Brasileira contra o Ferencvaros, da Hungria, no dia 2 de julho de 1931, na goleada de 6 x 1. Participou de apenas um jogo pelo Campeonato Brasileiro de Seleções de 1931, no dia 23 de agosto, marcando o único gol dos paulistas na derrota para os cariocas, por 3 x 1.

                                O Campeonato Paulista de 1932 teve uma brusca parada por causa da Revolução Constitucionalista, eclodida na capital, a 9 de julho. Iniciado em maio, o certame se desenvolveu até o dia 3 de julho. A rodada programada para o dia 10 só foi disputada no dia 6 de novembro, depois que cessaram as hostilidades e o campeonato prosseguiu, então, até o dia 18 de dezembro, quando se disputou o último jogo. Petronilho de Brito tomou parte de 7 jogos e marcou 2 gols.

                                A vitória de 5 x 3 sobre o Internacional, no dia 26 de junho de 1932, foi sua última partida no Brasil. Começou a enfrentar problemas de ordem financeira com a direção do Sírio. O clube deixava de pagar os ordenados, atrasando até quatro meses. Quando o clube não pagava, o jogador fazia greve, não jogava. Ficou mais de três meses sem atuar. Não participou de nenhuma partida após o fim da Revolução. Logo depois, seria vendido para o futebol argentino a peso de ouro e em pouco tempo chamado pelos torcedores do San Lorenzo de Almagro de “El Maestro”.

ARGENTINA

                                Em Buenos Aires, Petronilho de Brito continuou sendo destaque. Os cronistas argentinos esgotando o repertório de elogios quando tinham de escrever qualquer coisa a respeito dele: “El Bailarin”, “El Artista de la Pelota”, “El Malabarista”, até chegar à admiração suprema “Fenômeno!”

                                 Na primeira rodada, realizada no dia 12 de março de 1933, San Lorenzo 1 x 1 Lanús, aconteceu a estreia de Petronilho de Brito no futebol argentino (a confirmar). Em 1933 foi disputado o primeiro Campeonato Argentino da era profissional. Dezoito clubes tomaram parte do certame. A campanha do San Lorenzo foi a seguinte: 34 jogos, 22 vitórias, 6 empates e 6 derrotas; marcou 81 gols e sofreu 48. Petronilho de Brito participou de apenas 19 jogos, tendo marcado 13 gols.

                                 Na última rodada, disputada em 19 de novembro de 1933, a diferença entre os dois pretendentes ao título era de apenas um ponto: o Boca Juniors chegou com 49 pontos ganhos e o San Lorenzo com 48. O Boca Juniors perdeu como visitante o clássico com o River Plate, por 3 x 1. Também como visitante, no campo do Chacarita Juniors, o San Lorenzo venceu por 1 x 0, com gol de Diego García.

                                  O San Lorenzo formou um ataque brilhante: Magán, Cantelli, Petronilho de Brito, Diego García e Arrieta e com a personalidade de Luís Monti, figura legendária do futebol argentino. O campeonato deste ano foi muito disputado. Basta ver as demais colocações: em terceiro, o Racing, com 48 pontos, e em quarto River Plate e Gimnasia y Esgrima, com 46. Para se ter uma ideia da ofensividade dos clubes, foram marcados 1.075 gols em todo o campeonato.

                                  Em 1934, o Campeonato Argentino foi novamente disputadíssimo. Outra vez a diferença do campeão (Boca Juniors) para o vice-campeão (Independiente) foi de um ponto: 55 a 54. O San Lorenzo, de Petronilho de Brito, ficou com a terceira colocação, com 51 pontos ganhos, realizando a seguinte campanha: 39 jogos, 22 vitórias, 7 empates e 10 derrotas; 84 gols a favor e 63 contra. Desta vez, a participação do atacante brasileiro foi maior: disputou 29 jogos e assinalou 16 gols.

                                   Em seu último ano no futebol argentino (1935), Petronilho de Brito tomou parte de apenas 5 jogos, tendo marcado dois gols. No final do Campeonato Argentino, o San Lorenzo foi mais uma vez o terceiro colocado, novamente atrás de Boca Juniors (o 1º) e Independiente (2º). Também em 1935, aconteceu sua última participação pela Seleção Brasileira: no dia 24 de fevereiro de 1935, o Brasil venceu o River Plate, da Argentina, por 2 x 1. Petronilho de Brito faleceu em 1983, em São Paulo (SP).

Em pé: Lema, Pacheco, Chividini, Scavone, Fossa e Achinelli – Agachados: Magán, Jacinto Villalba, Petronilho, Canteli, García e Arrieta

 PETRONILHO  E  SEU  IRMÃO WALDEMAR DE BRITO

 

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