OSCAR: brilhou na Ponte Preta, São Paulo e Seleção Brasileira

                   José Oscar Bernardi nasceu dia 20 de junho de 1954, na cidade Monte Sião (MG).  Foi um zagueiro de personalidade, marcado pela seriedade e raça dentro de campo. Sua tranquilidade era quebrada na hora de jogar futebol, no qual o jovem Zé Oscar (como é conhecido ainda hoje em sua cidade) jogava como goleiro. E foi numa dessas peladas que dirigentes da Ponte Preta o viram jogar e se interessaram por seu futebol.  Tanto que, em 1972, a Macaca o levou para Campinas, mas para ser zagueiro central. 

                    Oscar não se adaptava e, em seu primeiro ano, suas fugas para Monte Sião eram constantes, sendo convencido a ficar pelo técnico Mário Juliato, que o promoveria à condição de titular no ano seguinte, estreando em jogo contra o Juventus, na época comandado por Rubens Minelli.  Neste jogo a Ponte venceu por 2 a 0 e Oscar saiu de campo muito feliz, pois fez uma grande partida.  Oscar foi um jogador diferenciado em diversos sentidos. Como jogador, passava extrema segurança e se impunha, com caráter e personalidade. Fora dos campos cursou fisioterapia enquanto defendia as cores da Ponte Preta.

                     Além disso, tinha um posicionamento político forte, até surpreendente para a época, chegando a afirmar que o Brasil não precisava de obras suntuosas, enquanto o povo do Nordeste morria de fome. A cada ano Oscar se firmava mais na posição de zagueiro central e sempre jogou em alto nível pela Ponte e com isto começou a chamar a atenção de muitos clubes grandes.  Em 1977, foi vice campeão paulista, quando a Ponte Preta decidiu o título com o Corinthians, que na ocasião quebrou um jejum de vinte dois anos sem títulos paulista.

                  Nessa época a Ponte tinha uma equipe fantástica e aquela que jogou dia 13 de outubro de 1977 e perdeu para o Timão por 1 a 0, gol de Basílio, foi a seguinte: Carlos, Jair Picerni, Oscar, Polozzi e Angelo; Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rey e Tuta.  No ano seguinte foi convocado para disputar a Copa do Mundo da Argentina.  A notícia de sua convocação veio como algo natural,  já que o zagueiro já frequentava as seleções de base do Brasil.  Aos 23 anos, o zagueiro estreava em gramados argentinos sob a batuta de Cláudio Coutinho. Neste mundial o Brasil ficou em terceiro lugar invícto, sendo declarado “campeão moral” por seu treinador.

                 A Ponte Preta não parava de receber propostas de grandes clubes para levar Oscar. Vasco da Gama, Portuguêsa e Corinthians foram os mais insistentes. Chegou-se até ser dado como certa a contratação pelo Palmeiras, porem, o lado financeiro pesou.  De repente, uma surpresa. Oscar foi jogar no New York Cosmos dos Estados Unidos, onde ficou por apenas seis meses. Retornou ao Brasil e foi jogar no São Paulo F.C.  Assim começaria uma parceria que faria história no tricolor.  Oscar chegou no São Paulo dia 23 de junho de 1980 e formou dupla de zaga com o uruguaio Dario Pereira, que encheram os olhos dos torcedores são-paulinos. 

                  E Oscar começou muito bem no tricolor, pois venceu o Palmeiras por 4 a 0 e depois o Corinthians pelo mesmo placar. Embora tenha vencido por goleada, Oscar não tem boa lembrança do seu primeiro clássico contra o Corinthians, pois recebeu uma entrada criminosa do estreante Toninho em seu tornozelo, que o obrigou a tomar nove pontos e o tirou do jogo. A mesa de cirurgia foi companheira constante de Oscar no começo de sua caminhada pelo São Paulo. Em 1981, após vários meses reclamando de dores, foi detectado um cisto no lado interno de sua coxa, que o levou a mais uma operação. Porém, semanas depois estava de volta, a tempo de jogar o que sabia e ser convocado para a Copa de 82 na Espanha. Neste mundial foi o titular absoluto da camisa 3 e ainda ganhou a braçadeira de campitão do Mestre Telê Santana, naquela seleção que encantou e não levou.  Quem não se lembra daquele time que tinha entre outros; Junior, Zico, Sócrates, Falcão, Toninho Cerezzo, Eder, Oscar e tantos outros fora de série.

                  As contusões voltaram em 9 de abril de 1983, quando, em jogo válido pelo brasileirão, chocou-se com um jogador do Sport Recife. Resultado, uma lesão no joelho. Seis meses parado e mais uma intervenção cirurgica em junho.  Voltou e pôde se firmar, enfim, com a camisa 3 do tricolor. Apesar de ter ficado afastado da seleção brasileira entre 1983 e 1984, em 1985 foi campeão paulista e no ano seguinte campeão brasileiro, num jogo contra seu antigo rival, o Guarani de Campinas.  Ainda em 1986, foi convocado novamente por Tele Santana para disputar o mundial do México.

                 No entanto, não chegou a disputar nenhuma partida, o que o deixou muito magoado com o treinador brasileiro que o deixou no banco de reservas. Em fevereiro de 1987, Oscar assina mais um contrato com o São Paulo F.C. e mais uma contusão o tira de circulação, mas ele logo se recuperou. No entanto, fica no banco a pedido do técnico Pepe. Pela demora em voltar a ser titular, Oscar pensa seriamente em parar.  Dias depos, o tricolor rescindia seu contrato. O que poderia representar o fim da carreira, era na verdade, um novo horizonte que se abria para Oscar. Ele via o sol nascer na terra do sol nascente. Aos 32 anos, o zagueiro assinava contrato com o Nissan, da jovem liga japonesa. 

                 Foi uma decisão corajosa, mas que foi fundamental para sua carreira e para o futebol oriental,  pois ajudou a popularizar o futebol no Japão.  Oscar foi o primeiro jogador brasileiro a jogar na liga japonesa como profissional, antes mesmo de Zico, que ao chegar por lá, já pegou o filé, pois Oscar já havia desbravado tudo.  No Japão foi bicampeão japones pelo Nissan nas temporadas de 88 / 89 e também 89 / 90, nessa última já como técnico da equipe.  Ao final da temporada de 90, se aposentaria da carreira de jogador, dezoito anos depois de ser descoberto em Monte Sião. 

                Depois trabalhou como técnico na equipe de Kiyoto até 1991. Ainda neste ano transferiu-se para o Al-Ahli da Arábia Saudita, onde não ficou muito tempo, pois em setembro de 1992 assumiria no São Paulo F.C. como auxiliar técnico de Tele Santana.  Em 1993, foi contratado pela Internacional de Limeira e em 1994 foi trabalhar no Guarani, mas devido a um desentendimento com o presidente Beto Zini preferiu sair. Voltou a trabalhar no Japão, onde ficou até 1996.  No ano seguinte assumiu o Cruzeiro de Belo Horizonte, onde trabalhou até pouco antes do clube conquistar a Taça Libertadores, já com o técnico Paulo Autuori.  Em 1998 voltou ao futebol asiático para treinar mais um time árabe e em 2000 conquistou a Copa do Rei, a Copa do Vice-Rei e a Copa da Federação, onde ficou até abril de 2003.

                Oscar possui em Monte Sião, fazendas e um shopping, alem de seu complexo esportivo, que possui hotel, balneário e campos de futebol.  Trabalha com as categorias até a idade juvenil. Atualmente estão lá cerca de 300 jogadores brasileiros e 50 meninos de fora, entre eles quenianos e japoneses. Sobre sua carreia como jogador, o mineiro Oscar guarda muitas lembranças, mas uma em especial, está muito bem gravada em sua memória. A derrota do Brasil para a Itália por 3 a 2 na Copa da Espanha em 82. Oscar, nos minutos finais daquela partida, cabeceou uma bola perigosa contra o gol de Dino Zoff, que fez uma boa defesa e evitou que o brasileiro salvasse a equipe canarinho e minimizasse os tres gols marcados pelo carrasco Paolo Rossi.  Seria o gol da minha vida – disse Oscar.  Enquanto o goleiro italiano, também sempre diz em suas entrevistas, que aquela foi a defesa de sua vida. 

                Oscar disputou os mundiais de 78 e 82 como titular, e a Copa de 86 na reserva de Edinho e Júlio César.  Sua maior tristeza foi não conquistar o título de 82, pois era uma equipe muito boa, que jogava bonito. O povo brasileiro esperava que fôssemos campeões, por isso foi uma derrota bastante sentida – lamenta Oscar.   Pela seleção brasileira, Oscar realizou 67 partidas e marcou dois gols.

                Sobre a equipe que mais marcou sua vida, o ex-zagueiro fica dividido entre a Ponte Preta de 1977 e o São Paulo de 1985,  que tinha a seguinte escalação; Valdir Perez, Zé Teodoro, Oscar, Dario Pereira e Nelsinho; Márcio Araujo, Falcão e Silas; Muller, Careca e Sidney. No Brasil jogou somente em dois clubes, durante oito anos cada. Seus principais títulos foram: Campeão Brasileiro em 86 e campeão paulista em 80, 81, 85 e 87 pelo São Paulo e campeão japones em duas temporadas. Mas Oscar sempre diz; “Não fico vivendo de títulos, todos foram muito importantes, mas já passaram”.

 

 

Em pé: Waldir Peres, Dario Pereira, Oscar, Getúlio, Almir e Airton      –     Agachados: Paulo César, Renato, Serginho Chulapa, Heriberto e Zé Sérgio

 

 

Em pé: Márcio Araujo, Oscar, Gilmar, Falcão, Dario Pereira, Nelsinho e Zé Teodoro      –     Agachados: Muller, Silas, Careca e Sidney

 

 

 

 

Em pé: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luizinho e Junior      –     Agachados: Sócrates, Toninho Cerezo, Serginho Chulapa, Zico e Eder
Em pé: Waldir Peres, Getúlio, Oscar, Dario Pereira, Almir e Marinho Chagas      –     Agachados: Paulo César, Renato, Serginho Chulapa, Heriberto e Mário Sérgio
 Em pé: Polozi, Carlos, Oscar, Vanderlei, Jair e Odirlei     –    Agachados: Lúcio, Marco Aurélio, Rui Rey, Dicá e Parraga

Deixe uma resposta