DÉ: brilhou no Vasco da Gama, Botafogo e Bangu

                       Domingos Elias Alves Pedra, mais conhecido no mundo da bola como “Dé Aranha”, nasceu no município de Paraíba do Sul (RJ), em 16 de abril de 1948. Bom de bola, catimbeiro e malandro; ao ponto de ser lembrado pelo famoso episódio do “gol do gelo” contra o Flamengo no Maracanã, partida válida pela Taça Guanabara de 1970.

                       Conforme publicado pela revista Placar em 17 de junho de 1983, Dé atirou uma pedra de gelo na bola que rolava em direção ao zagueiro Reyes, para em seguida partir sozinho e marcar mais um na vitória do Bangu por 4×0. O árbitro José Mário Vinhas não percebeu nenhuma irregularidade no lance e prontamente validou o gol, apesar dos protestos inflamados dos jogadores do Flamengo.

                       Em Paraíba do Sul, Dé jogava por uma equipe chamada Riachuelo Esporte Clube, antes de ser encaminhado aos quadros amadores do Olaria Atlético Clube em 1966. Durante uma preliminar em 1966, Dé marcou 3 gols pelo Olaria no empate em 4×4 com o Bangu, o suficiente para despertar o forte interesse dos dirigentes do time de “Moça Bonita”.

                       Nos primeiros meses de 1967, pela quantia de 25.000 cruzeiros, Dé foi apresentado aos torcedores no Bangu. Na época, o clube tentava diminuir os custos com o elenco inflacionado que faturou o campeonato carioca de 1966.

                       O badalado Cabralzinho seria trocado por Mário Tilico do Fluminense, enquanto Ladeira, com sua imagem um tanto desgastada no clube, também não ficaria. Com tudo isso acontecendo, Dé fez sua primeira participação no elenco principal do alvirrubro em 9 de julho de 1967, no empate sem abertura de contagem contra o Madureira, partida válida pelo Torneio Início do campeonato carioca. No Bangu, o atacante ganhou projeção rapidamente. Arrojado, Dé incomodava os zagueiros não só pela qualidade técnica, mas também pelas “cavadas de pênalti”, que quase sempre enganavam os árbitros.

                      Vice-campeão carioca de 1967, Dé permaneceu no Bangu até 1970. Com o caixa em baixa, os diretores do time de “Moça Bonita” precisaram colocar os direitos de Dé em disponibilidade. Então, o jovem atacante foi disputado pelo Fluminense e Vasco da Gama. Na última hora, em razão da demora do time das Laranjeiras para finalizar o negócio, Dé assinou com o Vasco da Gama.

                       Dé foi recebido pelo técnico Tim, mas não fez parte do elenco campeão carioca de 1970, assim como também não participou da campanha do campeonato brasileiro de 1974, pois seu passe foi negociado com o Sporting de Portugal. Dé teve uma passagem importante pelo Sporting e conquistou o título nacional de 1974, além da Taça de Portugal em 1975.

                       Voltou ao futebol carioca quando acertou com o América, seu time de coração. No entanto, o negócio foi desfeito antes mesmo da assinatura do contrato: “O América não tinha dinheiro para comprar ninguém. Perdi meu tempo”.

                       Novamente Vasco, Dé foi campeão da Taça Guanabara em 1976. Em seguida foi negociado com o Botafogo de Futebol e Regatas, onde não conquistou títulos, mas participou da maior série de invencibilidade do futebol brasileiro. No início de 1980 acertou sua transferência para o Al-Hilal do futebol árabe. Voltou ao Bangu quando o dirigente Castor de Andrade montou uma equipe repleta de veteranos.

                        O retorno não rendeu o esperado e Dé deixou “Moça Bonita”. Com essa segunda passagem pelo Bangu, Dé totalizou 130 partidas com 45 vitórias, 34 empates, 51 derrotas e 34 gols marcados. Em seguida passou novamente pelo Olaria (RJ), Bonsucesso (RJ), depois Desportiva (ES) e Rio Branco (ES), seu último clube.

                        Depois de encerrar a carreira nos gramados, Dé trabalhou como treinador em várias equipes; entre elas o Fortaleza (CE), Desportiva (ES), Rio Branco (ES), América (RJ), Bangu (RJ), Botafogo (RJ), Duque de Caxias (RJ), Itaperuna (RJ) e Olaria (RJ). Depois que encerrou a carreira, passou a trabalhar como comentarista esportivo.

Foi contratado pela Rádio Haroldo de Andrade. Dé é pai de uma filha (que é procuradora) e mora na Barra da Tijuca (RJ). Como jogador, teve passagens por times do exterior, como Sporting de Lisboa (Portugal) e Al Helal, da Arábia.

                         Figura bem-humorada, Dé foi artilheiro por onde passou e sempre tem histórias engraçadas para contar. “Em 1969, quando estava no Bangu, peguei uma pedra de gelo e atirei na bola. O Reyes, zagueiro do Flamengo, ficou feito barata tonta, então invadi a área, driblei o goleiro e fiz o gol”, conta Dé, que também era um mestre em cavar pênaltis. “O Wright (juiz – José Roberto Wright) fala disso até hoje”, comenta o ex-atacante, que tem o apelido de Dé Aranha.

1975 – Em pé: Andrada, Paulo César, Renê, Alcir Portella, Miguel e Alfinete     –    Agachados: Dé, Jair Pereira, Zanata, Roberto Dinamite e Luis Carlos e o massagista Santana
1977. Em pé: Ubirajara Alcântara, Renê, Osmar Guarnelli, Carbone, Rodrigues Neto e Perivaldo   –    Agachados: Toucinho (massagista), Gil, Paulo Cézar Cajú, Dé, Nílson Dias e Mário Sérgio
Os melhores do futebol carioca em 1978: Em pé: Cláudio Coutinho, Toninho, Leão, Abel, Alex, Júnior e Paulo César Carpegiani   –    Agachados: Dé, Adílio, Mendonça, Zico e Guina
Em pé: Téc. Paulo Emílio, Abel, Gaúcho, Renê, Luiz Augusto, Marco Antonio e Mazaropi    –   Agachados: Massagista Santana, Fumanchu, Zé Mário, Dé, Jair Pereira e Galdino
1968. Em pé: Mário Tito, Devito, Luis Alberto, Pedrinho, Fidélis e Jaime    –    Agachados: Marcos, Dé, Mário Tilico, Fernando e Aladim
1970 – Em pé: Joel Santana, Renê, Benetti, Élcio, Eberval e Fidélis    –    Agachados: Luis Carlos, Silva, Ademir, Dé e Gilson Nunes
1979: Em pé: Perivaldo, Ubirajara Âlcantara, Milton, Renê, Russo e China       –    Agachados: Cremilson, Dé, Wescley, Renato Sá e Ziza
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