ALFREDO RAMOS: campeão paulista pelo São Paulo em 1953

                Alfredo Ramos Castilho nasceu dia 27 de outubro de 1924, na cidade de Jacareí – SP. Foi um grande lateral do nosso futebol. Jogou no São Paulo, no Corinthians e também defendeu nossa seleção na Copa de 1954, disputada na Suíça, onde ficamos em 6º lugar. Disputamos 3 partidas. Vencemos uma, empatamos uma e perdemos uma. Pela seleção Alfredo disputou 9 partidas e foi campeão da Taça Bernardo O’Higgins em 1955 e da Taça Oswaldo Cruz, também em 1955. Depois que encerrou a carreira de jogador, passou a trabalhar como técnico de futebol, dirigindo grandes equipes.

               Pelo Tricolor do Morumbi, onde jogou por sete anos, sagrou-se campeão paulista em 1953. Em 1957 foi jogar no Corinthians, onde ficou por dois anos e não conquistou nenhum título, aliás, foi uma época de vacas magras para o alvinegro de Parque São Jorge, pois de 1954 até 1977, só conquistou o Torneio Rio-São Paulo em 1966 e ainda, teve que dividir o título com mais três clubes, o Santos, o Vasco e o Botafogo, por falta de datas, uma vez que a Copa da Inglaterra estava bem próxima.

SANTOS F.C.

               Com 23 anos de idade começou a jogar no Santos, que naquela época tinha o seguinte time; Chiquinho, Artigas e Expedito; Nenê, Dacunto e Alfredo; Odair, Leonardo, Caxambu, Antoninho e Rubens. Este foi o time que jogou contra o Corinthians dia 25 de maio pela segunda rodada do primeiro turno do Campeonato Paulista de 1947. O jogo foi na Vila Belmiro e terminou com a vitória corintiana por 3 a 2. Ficou no Santos até 1950, ano em que conquistou o Torneio Rio-São Paulo. Impressionou logo que chegou na Vila, pois tinha uma boa técnica e era ótimo na marcação. Ao deixar o Santos, foi jogar no São Paulo, onde teve a melhor fase de sua carreira.

SÃO PAULO F.C.

               Jogou no Tricolor por oito anos e conquistou o título paulista de 1953. Naquele ano o time começou embalado no torneio e goleou o Comercial de Ribeirão Preto por 6×1. Depois continuou vencendo: 3xO  no  XV de Jaú, 4×1 no Nacional, entre outros sucessos. Uma derrota de 4×1 para o Linense não mudou muito os rumos da equipe que foi campeã no dia 24 de janeiro de 1954, com uma vitória de 3×1 sobre o Santos, gols de Abella 2 e Maurinho. Foram 24 jogos, com apenas duas derrotas e seis pontos perdidos.  O ataque marcou 70 gols e sofreu 21.  E no dia da grande final, a equipe jogou assim; Poy, De Sordi, Mauro, Pé de Valsa e Alfredo Ramos; Bauer e Negri; Maurinho, Abella, Gino e Teixeirinha.

               Jogou no São Paulo até o ano de 1957, mas não fez parte do elenco que conquistou o título paulista daquele ano, uma vez que já havia se transferido para o Corinthians, seu clube do coração. Pelo tricolor atuou em 315 partidas. Venceu 186, empatou 59 e perdeu 70. Não marcou nenhum gol durante este período em que vestiu a camisa tricolor.

CORINTHIANS

               Chegou ao Parque São Jorge em meados de 1957. Sua estréia com a camisa do alvinegro aconteceu num amistoso contra o Sevilla da Espanha num Torneio Internacional dia 19 de junho de 1957. O jogo foi no Pacaembu e o Corinthians venceu por 2 a 0, gols de Boquita e Luizinho. Neste dia o Timão jogou com; Gilmar, Idário, Olavo, Oreco e Alfredo Ramos; Roberto Belangero e Rafael (Beni); Cláudio, Luizinho, Paulo (Zague) e Boquita. O técnico era Osvaldo Brandão.  Quatro dias depois o Corinthians goleava a Lázio da Itália por 5 a 0.  Dia 13 de julho o Corinthians fazia sua estréia no Campeonato Paulista contra o Ypiranga e vencia por 3 a 1. O time estava embalado, venceu a Ferroviária por 7 a 1, o Santos por 2 a 1, o Linense por 5 a 0, enfim, fazia um excelente campeonato. Até que chegou o dia 20 de outubro, quando enfrentou o São Paulo ainda pelo primeiro turno. O jogo foi no Pacaembu e terminou empatado em 1 a 1. Para o alvinegro marcou Zague, enquanto que para o Tricolor marcou Dino Sani.

               Esta partida seria mais uma que entraria para a história dos confrontos entre alvinegros e tricolores, se não fosse um acontecimento que ficou marcado naquele campeonato. Durante um dividida entre Alfredo Ramos e o ponta direita Maurinho, o jogador corintiano fraturou a perna. Embora fosse um lance normal da partida, não ficando caracterizado a má intenção do jogador são-paulino, ficou um mal estar dentro de campo, prova disso foi a forte discussão que houve entre Luizinho e o centroavante Gino do São Paulo. E aquela discussão não terminou com o apito final da partida. A coisa ficou tão feia entre os dois que, no dia seguinte, quando os dois se encontraram por acaso na rua, o corintiano Luizinho acertou uma tijolada em Gino. O corte foi profundo e esguichava muito sangue. O fato ganhou manchete de jornais da época. O Corinthians esteve na liderança durante todo campeonato. Depois de trinta e cinco partidas invictas, os corintianos perderam para o Santos por 1×0 na penúltima partida do certame. Com esta derrota o time também perdeu a vantagem de dois pontos que tinha sobre o São Paulo.

               As seis horas da manhã daquele dia 29 de dezembro de 1957 já tinha gente chegando ao Pacaembu. Quando foi uma hora da tarde, a garoa continuava e os portões foram fechados. Primeiro entrou o São Paulo com Poy, De Sordi e Mauro; Sarará, Vitor e Riberto; Maurinho. Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro. O meia campista Dino Sani, contundido não jogou neste dia pelo Tricolor, Sarará era seu substituto. Depois entrou o Corinthians com Gilmar, Olavo e Oreco; Idário, Valmir e Benedito; Claudio, Luizinho, Índio, Rafael e Zague.

              Os desfalques corintiano eram Roberto Belangero e Alfredo Ramos que havia fraturado a perna. O Corinthians tinha a vantagem do empate, no entanto, o jogo terminou com a vitória do Tricolor por 3 a 1. Amauri abriu o placar, minutos depois o Corinthians empatou através de Rafael. Mas Canhoteiro e Maurinho fecharam o placar. O gol de Maurinho quebrou todas as esperanças de reação do Corinthians. No campo já não havia mais ninguém que pudesse evitar o desastre. Mas foi só terminar o jogo para o tempo fechar. Em vez de confetes tricolores, caiu uma chuva de garrafas, pedras e outros objetos enviados pela torcida corintiana.

              Pelo incidente, a partida passou para a história como a “Noite das Garrafadas”. Dois anos depois, Alfredo Ramos deixaria o Corinthians. Disputou 33 jogos, venceu 21, empatou 9 e perdeu 3. Marcou um único gol. Sua última partida com a camisa alvinegra foi no dia 19 de abril de 1959, quando o Corinthians perdeu para o Flamengo por 5 a 1 pelo Torneio Rio-São Paulo. O jogo foi no Pacaembu e neste dia o alvinegro jogou com; Gilmar, Alfredo Ramos, Olavo, Walmir (Goiano) e Oreco; Roberto Belangero e Luizinho; Bataglia, Zague, Indio (Paulo) e Tite. E foi no próprio Corinthians que Alfredo encerrou sua carreira.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Foi convocado para disputar a Copa de 1954, na Suíça. Além de Alfredo Ramos o técnico Zezé Moreira convocou também os seguintes zagueiros; Nilton Santos, Mauro Ramos de Oliveira, Píndaro, Pinheiro e Djalma Santos. Neste mundial, o Brasil ficou em 6º lugar, disputou 3 partidas. Venceu uma contra o México por 5 a 0, empatou uma contra a Iugoslávia em 1 a 1 e perdeu uma contra a Hungria por 4 a 2. Marcou 8 gols e sofreu 5. Os artilheiros brasileiros foram; Julinho, Didi e Pinga, com 2 gols cada. Com a camisa canarinho, Alfredo disputou apenas nove jogos (4 vitórias, 3 empates, 2 derrotas) e não marcou nenhum gol.

FORA DAS QUATRO LINHAS

              Depois que encerrou a carreira de jogador passou a trabalhar como treinador no próprio Corinthians. Estreou como técnico em março de 1960, em um amistoso contra um combinado formado por Internacional de Bebedouro e Jaboticabal, do interior paulista. Substituiu Sylvio Pirillo e comandou o time em dois torneios: o Rio-São Paulo e o Roberto Ugolini. Terminou o primeiro na quarta posição e não chegou ao final do segundo. Foi substituído por Rato depois de dois meses no cargo. Em abril de 1961, Alfredo Ramos teve outra chance no Timão. Sua re-estréia foi contra o Palmeiras e o jogo terminou empatado em 3 a 3. Fez uma partida a mais em relação a passagem anterior, mas foi uma campanha sofrível. Em 22 jogos, venceu dez e perdeu sete. O fraco desempenho no Torneio Rio-São Paulo e o início ruim no Paulistão daquele ano renderam ao clube o apelido de “Faz me rir”. A diretoria não aceitou a péssima campanha e o técnico foi demitido novamente.

               Em 1972, voltou aos gramados do Morumbi, mas dessa vez como técnico. Sua passagem pelo São Paulo foi boa. Foram 42 jogos e apenas quatro derrotas (23 vitórias e 15 empates). Infelizmente em momentos decisivos. Aquele ano, de 1972, foi o primeiro em que o São Paulo disputou a Copa Libertadores. O time do Morumbi foi eliminado na semi-final pelo Independiente, da Argentina. Mas o que mais pesou para a saída de Alfredo Ramos do comando técnico são-paulino foi a perda do campeonato paulista para o Palmeiras. Na última rodada da competição, o São Paulo precisava de uma vitória simples para conseguir o tricampeonato paulista. Mas não conseguiu. O jogo terminou 0 a 0. O Palmeiras foi campeão paulista e o São Paulo vice. Os dois terminaram a competição de maneira invicta. Alfredo Ramos faleceu dia 31 de julho de 2012. Ele residia no Jardim da Saúde, em São Paulo e adorava seu trabalho diário, que era o de levar os netos para a escola.

Em pé: Djalma Santos, Alfredo Ramos, Roberto Belangero, Mauro Ramos de Oliveira, Gilmar e Bauer    –     Agachados: Maurinho, Ipojucan, Álvaro, Vasconcelos, Tite e o massagista Mário Américo
Em pé: Alfredo Ramos, Oreco, Idário, Olavo, Valmir e Gilmar    –     Agachados: Cláudio, Luizinho, Índio, Rafael e Zague
Em pé: Alfredo Ramos, Pé de Valsa, De Sordi, Poy, Mauro e Bauer     –     Agachados: Lanzoninho, Negri, Gino, Baiano e Teixeirinha
Em pé: Oreco, Alfredo Ramos, Walmir, Olavo, Idário e Gilmar    –     Agachados: Cláudio, Luizinho, Rafael, Índio e Boquita
Em pé: Alfredo Ramos, De Sordi, Hélvio, Laércio, Djalma Santos e Roberto Belangero    –      Agachados: Julinho Botelho, Luizinho, Humberto Tozzi, Jair Rosa Pinto e Tite
Em pé: Alfredo Ramos, De Sordi, Poy, Clélio, Bauer, Vitor e o mordomo Serrone     –      Agachados: Haroldo, Dino Sani, Gino, Remo e Teixeirinha
Em pé: Alfredo Ramos, De Sordi, Pé de Valsa, Poy, Vitor, Mauro Ramos de Oliveira e o mordomo Serrone    –      Agachados: Teixeirinha, Dino Sani, Zezinho, Remo e Canhoteiro.
Em pé: Julinho, Humberto Tozzi, Baltazar, Jair Rosa Pinto e Rodrigues Tatu     –    Agachados: Alfredo Ramos, Djalma Santos, Gilmar, Formiga, Hélvio e Roberto Belangero
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