ZAGUE: um baiano que brilhou no Corinthians

                 José Alves dos Santos nasceu dia 10 de agosto de 1934, em Salvador – BA. Foi um jogador baiano que jogou no Corinthians no final da década de 50 e início de 60 e deixou sua marca no clube de Parque São Jorge, pois marcou 127 gols com a camisa do alvinegro e é até hoje o décimo terceiro artilheiro do clube. Quanto ao seu apelido, vem do tempo de criança, quando costumava brincar nas praias de Salvador, correndo em zigue-zague. Daí sua tia não pensou duas vezes, começou a chamá-lo de Zague e aquilo pegou no começo dentro da família, depois na escola e mesmo depois de adulto continuou sendo Zague. Depois que saiu do Corinthians em 1961, foi jogar no México, mais precisamente no América no México, onde virou o Rei do México. Teve um filho que também foi jogador de futebol, inclusive defendeu a seleção mexicana no mundial de 1994, disputado nos Estados Unidos. Por ele ser filho do jogador Zague, acabou recebendo o apelido de Zaguinho e também foi um bom atacante.

ÍNICIO DE CARREIRA

                O centroavante baiano começou no Botafogo da Bahia, no começo dos anos 50 e ficou por lá até o ano de 1956, quando o Corinthians fez uma excursão pelo nordeste e ficou encantado com seu futebol. Imediatamente começou o namoro entre o clube paulista e o atleta, até chegarem ao casamento.

CORINTHIANS

               No início de novembro de 1956, Zague chegou ao Parque São Jorge. A equipe ainda vivia os momentos de glória da conquista do título do IV Centenário e via o Santos conquistar no ano anterior mais um título paulista. Chegou no clube muito afamado, pois era o artilheiro no campeonato baiano. O técnico da época era o saudoso Osvaldo Brandão, que gostou do seu jeito de jogar e já o escalou para o domingo seguinte, mesmo sabendo que seria um jogo difícil, contra o atual campeão paulista, o Santos F.C. e lá no campo do adversário, na Vila mais famosa do mundo, a Vila Belmiro.

               Nessa época Pelé ainda não havia começado a jogar no Santos, isto iria acontecer somente no ano seguinte. Mesmo assim o time peixeiro tinha grandes jogadores, praticamente o mesmo que havia conquistado o título no ano anterior, título este que veio depois de 20 anos, pois a última vez que o torcedor santista havia soltado o grito de campeão foi em 1935, quando conquistou seu primeiro título estadual. Portanto, seria um jogo muito difícil para o Corinthians. Era a última rodada do primeiro turno e o Corinthians já havia vencido vários jogos e ainda, empatado com o Palmeiras em 4 a 4, com o São Paulo em 1 a 1, vencido a Portuguesa de Desportos por 1 a 0, empatado com o Juventus em 3 a 3 e agora iria enfrentar o Santos em seus domínios.

                Era um domingo a tarde e o estádio Urbano Caldeira recebeu naquele dia, um público muito grande, que rendeu uma arrecadação de Cr$ 1.043.910,00. Osvaldo Brandão escalou a seguinte equipe corintiana para aquele dia; Gilmar, Idário, Olavo, Goiano e Alan; Roberto Belangero e Rafael; Cláudio, Zague, Paulo e Zezé. Do outro lado, o técnico santista Luiz Alonso Perez, o Lula, escalou; Manga, Ivan, Ramiro, Urubatão e Elvio; Zito e Vasconcelos; Alfredinho, Jair da Rosa Pinto, Álvaro e Tite. Realmente duas equipes que tinham tudo para apresentarem um grande futebol.

               O jogo começa tenso, com as duas equipes ainda estudando o adversário, parecia um jogo de xadrez. Mas, numa bobeada da defensa santista, o estreante Zague aproveita e abre o placar aos 9 minutos de jogo. A torcida corintiana que era muito grande comemora e muito aquele gol. E a alegria aumentou dez minutos depois, quando o atacante Paulo fez 2 a 0. A festa corintiana nas arquibancadas que já era imensa, aumentou ainda mais aos 25 minutos, quando Paulo faz o terceiro gol do alvinegro de Parque São Jorge. Final do primeiro tempo, Corinthians três a zero.

               A torcida santista presente ao estádio não estava acreditando naquilo que estava vendo, seu time sendo goleado dentro de seus próprios domínios. Começa então o segundo tempo e a torcida do Peixe na esperança de que aquele placar pudesse se modificar, afinal seu time era o atual campeão paulista. Naquela época não havia substituições, sendo assim, o técnico Lula não tinha muito o que fazer, a não ser tentar neutralizar o ataque corintiano, que naquele dia estava infernal.

               O jogo estava bem equilibrado, mas aos 29 minutos, o estreante Zague marca mais um gol para delírio da Fiel Torcida Corintiana presente no estádio e espalhada por todo o Brasil. Corinthians quatro a zero, era demais para o torcedor santista, que já começa a deixar as dependências do estádio. O jogador Urubatão perdeu a cabeça e acabou sendo expulso pelo árbitro uruguaio Esteban Marino. Final de jogo, Corinthians 4×0 Santos. Realmente não poderia ter sido melhor a estréia do baiano Zague com a camisa do Corinthians. Mas não podemos deixar de citar que naquele ano de 1956, o campeão paulista foi o Santos F.C.

               Na quarta feira seguinte, o Corinthians fez um amistoso contra o Mandaguari, um clube do Paraná, no estádio municipal daquela cidade. Mais uma vitória corintiana, desta vez por 4 a 1 e mais uma belíssima apresentação do atacante Zague, que neste dia marcou três gols. O quarto gol foi de Cláudio. Zague naquela altura já era ídolo da torcida corintiana, afinal, em dois jogos marcou 5 gols. O time também fazia uma boa campanha no Paulistão daquele ano, tanto é que no dia 2 de dezembro de 1956, o Corinthians empatou com o São Paulo em 2 a 2, gols de Turcão e Maurinho para o Tricolor, enquanto que Cláudio marcou os dois gols corintianos. Neste jogo Gilmar defendeu um pênalti cobrado por Turcão, quando o jogo ainda estava zero a zero. Com este empate, o Corinthians chegou a sua vigésima quinta partida invicta e com isso, tomou posse da transitória Taça dos Invictos, que estava em poder do Santos. Esta Taça era uma homenagem feita pelo jornal A Gazeta Esportiva.

               Zague jogou no Corinthians até 1961 e sua despedida com a camisa alvinegra aconteceu dia 11 de junho, quando o Timão perdeu para o Boca Juniors da Argentina por 5 a 0, num jogo amistoso realizado no estádio de La Bombonera, na Argentina. Nesse dia o técnico corintiano Alfredo Ramos, mandou a campo os seguintes jogadores; Gilmar, Egydio, Olavo, Sidnei e Ari Clemente; Wladimir e Rafael; Valdir (Gelson), Paulinho (Zague), Higino e Neves. O time argentino tinha vários jogadores brasileiros como por exemplo; Dino Sani, Orlando Peçanha, Almir, Paulo Valentim e o próprio técnico que era Vicente Feola, o mesmo que comandou nossa seleção no mundial de 1958 na Suécia , onde conquistamos o nosso primeiro título mundial.

               Com a camisa do Corinthians, Zague jogou de 1956 até 1961 e nesse período disputou 241 partidas. Venceu 122, empatou 53 e perdeu 66. Marcou 127 gols. É o décimo terceiro maior artilheiro da história do Corinthians. Na frente dele estão somente; Carbone com 135, Rivelino com 144, Paulo com 146, Flávio com 170, Sócrates com 172, Luizinho com 175, Servílio (o bailarino) com 201, Marcelinho Carioca com 206, Neco com 235, Teléco com 251, Baltazar com 266 e Cláudio com 305 gols. Realmente, Zague teve uma passagem brilhante no Corinthians, embora não tenha conquistado nenhum título pelo clube. Esteve bem próximo disso, foi em 1957, quando o alvinegro na última rodada enfrentou o São Paulo e jogava pelo empate.

              As seis horas da manhã naquele dia 29 de dezembro de 1957 já tinha gente chegando ao Pacaembu. Quando foi uma hora da tarde, a garoa continuava e os portões foram fechados. Primeiro entrou o São Paulo com Poy, De Sordi e Mauro; Sarará, Vitor e Riberto; Maurinho. Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro. O meia campista Dino Sani, contundido não jogou neste dia pelo Tricolor, Sarará era seu substituto. Depois entrou o Corinthians com Gilmar, Olavo e Oreco; Idário, Valmir e Benedito; Claudio, Luizinho, Indio, Rafael e Zague. O desfalque corintiano era Roberto Belangero que foi substituído por Benedito. O jogo terminou com a vitória Tricolor por 3 a 1, gols de Amauri, Canhoteiro e Maurinho para o São Paulo e Rafael marcou o único tento corintiano. E com esse placar, Zague deixou de sagrar-se campeão paulista daquele ano, enquanto que o Tricolor depois disso ficou 13 anos sem comemorar outro título estadual, pois somente em 1970 voltou a ser campeão paulista.

OUTROS CLUBES 

               Em 1961, depois de deixar o Corinthians, foi jogar no Santos, mas ficou pouco tempo por lá. Depois foi para o México jogar no América daquele país. Ficou morando por lá e teve um filho, apelidado de Zaguinho, que jogou nos juniores do próprio Corinthians e disputou uma Copa do Mundo pela seleção mexicana em 1994. Em terras mexicanas, Zague virou o Rei do México, pois além de ser ídolo na equipe mexicana, sempre foi uma pessoa muito carismática. Dos doze meses do ano, cinco ele passa aqui no Brasil, em São Paulo, onde trabalhou por muito tempo como despachante no Detran. Seu filho depois que encerrou a carreira de jogador de futebol passou a trabalhar como comentarista na Televisa, emissora de televisão mexicana.

Em pé: Alfredo Ramos, Oreco, Idário, Olavo, Walmir e Gilmar    –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Índio, Rafael e Zague
Em pé: Idário, Alan, Olavo, Goiano, Gilmar e Roberto Belangero    –   Agachados: Cláudio, Zague, Rafael, Paulo e Zezé
Em Pé: Cabeção, Walmir, Oreco, Olavo, Ivan e Roberto Belangero     –    Agachados: Bataglia, Paulo, Zague, Rafael e Tite
Em pé: Oreco, Gilmar, Olavo, Cássio, Goiano e Roberto Belangero     –    Agachados: Zezé, Índio, Rafael, Zague e Boquita
Da direita p/ esquerda: Gilmar, Zague, Benedito, Rafael, Olavo, Idário, Índio, Walmir, Oreco, Luizinho e Cláudio
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