MOZER: conquistou sete títulos pelo Flamengo

                                    José Carlos Nepomuceno Mozer nasceu dia 19 de setembro de 1960, no Rio de Janeiro (RJ). Foi um dos melhores zagueiros da história do Flamengo. Ele defendeu o Mengão de 1980 até 1986, onde conquistou importantes títulos, entre eles os cariocas de 1981 e 1986, os brasileiros de 1980, 1982 e 1983, a Libertadores de 1981 e o Mundial de 1981.

                                    Vestiu a camisa da Seleção Brasileira em 34 oportunidades. Disputou a Copa do Mundo de 1990 e brilhou também no Benfica de Portugal, clube no qual atuou de 1986 até 1991 e de 1993 até 1996 e teve uma passagem pelo Olympique de Marselha, da França entre 1991 e 1993.

                                    Mozer não se limitava a ser apenas um zagueiro tradicional, daqueles que costumam dar bicões e “limpar o trilho”. Muito habilidoso, Mozer começou a se destacar no Flamengo. E a fazer gols. Um exemplo disso acontece no dia 11 de fevereiro de 1984, quando o Flamengo enfrentou o Santos, no Maracanã. Mozer fez dois belos gols em Rodolfo Rodriguez, grande goleiro uruguaio do Peixe, e o Fla venceu a partida por 4 a 1. O jogo era válido pela primeira fase da Libertadores da América.

                             Em 2007, recebeu convite do Interclube de Luanda para ser treinador profissional. Mozer aceitou o convite e levou o time a conquistar pela primeira vez o campeonato nacional daquele país. A campanha do Interclube foi considerada ótima (26 vitórias, sete empates e três derrotas). Já em 2009 ele dirigiu o Raja Casablanca, de Marrocos.

                       Em 01 de novembro de 2011,  Mozer comandou o Portimonense, equipe da segunda divisão da liga portuguesa. Em 2014, Mozer estava vivendo em Portugal, trabalhando como comentarista do jornal A Bola.

                                No ciclo para o Mundial de 94, foi presença constante nas convocações de Carlos Alberto Parreira e esteve na lista dos 22 convocados para a Copa. Só que teve uma polêmica saída e acabou dando lugar a Aldair depois da apresentação oficial do grupo.

                                A seleção não quis bancar sua presença no Mundial por ele ter apresentado sinais de alteração nas enzimas do fígado (transaminase), o que caracterizava um quadro de hepatite. Os médicos da equipe brasileira na época, Lídio Toledo (que já morreu) e Mauro Pompeu, fizeram novos exames que, segundo eles concluíram naquele momento, era uma hepatite não virótica, mas tóxica, causada pelo uso excessivo de anti-inflamatórios.

                                O jogador acabou cortado por entenderem que ele não suportaria a carga de treinamentos com esses problemas. Entre os exames pedidos pelos médicos, houve até um de HIV, que deu negativo. “Foi feito isso, tudo com minha autorização”, lembrou Mozer. Foi deixado claro pela comissão médica que ele não teve nenhum problema relacionado ao vírus.

                                Na época, Mozer alegou que o médico do Benfica lhe receitou uma vitamina que causava as alterações no fígado e dizia que passados mais alguns dias sem o consumo delas poderia haver uma estabilização nas enzimas.

                                Hoje, ele diz que pediu mais alguns dias para realizar outros exames e reclama que essa oportunidade não lhe foi dada. “Eu tomava um medicamento chamado Sargenou, que aumentava as taxas de enzimas. Tomava para poder me recuperar melhor entre um treino e outro na questão muscular. Tudo seria normalizado depois de um tempo sem tomar. Não me foi dada a chance de fazer novos exames. Pedi mais três dias para a regularização do sangue, mas não esperaram.” Ele poderia ter o invejável currículo de campeão do mundo como titular pela seleção brasileira. Mas não tem e passados mais de 20 anos ainda não se conforma por não fazer parte do grupo do tetracampeonato.

                                Logo após deixar o Brasil, prometeu voltar com a faixa de campeão português. No mesmo período em que a seleção treinava, jogou por seu time e conquistou o Nacional. Para Mozer, houve má vontade e, sem citar nomes, diz que não o queriam na equipe. “Ninguém me cortou da seleção. Eu é que percebi que naquele momento eu não era bem-vindo e abandonei a seleção. Ninguém veio falar comigo. Ninguém falou nada, não questionaram.  Percebi que não era bem-vindo e temos que ficar nos lugares em que somos úteis.  No fundo não interessava pra eles que eu ficasse lá”, falou.

                                O zagueiro sempre teve personalidade forte e tinha uma história polêmica anterior na seleção. A imprensa chegou a publicar que ele teria dito a frase “Eu queria mais que o time perdesse, já que não estava jogando” depois da eliminação para a Argentina, em 90, em partida que ficou no banco de reservas. Mozer nega a frase, mas não esconde sua indignação por não ter atuado.

                               Dois dos principais líderes do elenco de 1994, Jorginho e Ricardo Rocha dizem que Mozer nunca teve problemas de relacionamento com o elenco, nem na Copa de 90, nem nos dias iniciais depois da convocação para o Mundial dos Estados Unidos. Alegam terem ficado tristes com o corte e que não havia o que fazer, a não ser e esperar a definição dos médicos. “Lamento pelo problema que ele teve, acho que foi no fígado. Foi um dos maiores zagueiros que vi jogar, mas a gente não tinha o que fazer. Acontece, são problemas médicos. Ficamos tristes, claro. Mas o relacionamento dele conosco era excelente, é assim até hoje”, falou Ricardo Rocha.

                               “A gente estava sem entender muito bem o motivo do corte. Mas o Mozer era um cara extremamente querido por todo mundo. Era um cara descontraído, brincalhão. Eu fui dar um abraço nele e me despedir depois do corte”, falou Jorginho.

                               Mozer foi gerente de futebol do Flamengo de julho de 2016 a março de 2018. Atualmente vive em Lisboa e é comentarista do jornal “A Bola” e tem negócios na cidade de Lisboa-POR, sendo dono de restaurante e de uma fábrica de bolachas.

1981   –   Em pé: Leandro, Raul, Andrade, Mozer, Marinho e Júnior   –  Agachados: Lico, Adílio, Nunes, Zico e Tita
1986    –    m pé: Leandro, Elzo, Oscar, Mozer, Carlos e Branco     –    Agachados: Nocaute Jack (massagista), Marinho, Sócrates, Careca, Muller, Edivaldo e o roupeiro Ximbica
1984   –     Em pé: Edson, João Marcos, Oscar, Mozer, Jandir e Wladimir    –     Agachados: o massagista Nocaute Jack, Tita, Delei, Reinaldo, Arturzinho e Marquinho Carioca
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