CALDEIRA: verdadeiro cigano dentro do nosso futebol

                  Leonardo Augusto Caldeira nasceu dia 15 de novembro de 1946, na cidade de Uberaba – MG. Foi um jogador que passou por inúmeros clubes brasileiros. Caldeira iniciou sua carreira nas categorias de base do Santos, mas foi na Portuguesa que alcançou maior destaque. No ano de 19 de dezembro de 1968, o Atlético Mineiro representou a Seleção Brasileira em um amistoso contra a Iugoslávia no Minairão e venceu por 3 a 2. Naquela partida, Caldeira vestiu a camisa amarelinha pela primeira e única vez. Em 1978 jogou na Internacional de Limeira, quando ajudou a equipe a subir para a Primeira Divisão do Futebol Paulista.

                 Em 1980 já estava jogando no Avaí de Santa Catarina, mas antes disso havia passado pelo Flamengo, onde foi considerado o pior ponta esquerda que já vestiu a camisa rubro-negra. Dono de um chute potente, ponta esquerda da Portuguesa de Desportos nos anos 60, viveu grandes momentos dentro do futebol. Depois que encerrou a carreira, seu casamento também acabou, do qual teve quatro filhos, sendo que uma de suas filhas é Kátia Lopes, que foi medalha de bronze com a Seleção Brasileira de Voleibol Feminino nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000.

PORTUGUESA DE DESPORTOS

               Caldeira começou sua carreira nas categorias de base do Santos, mas profissionalmente começou na Portuguesa de Desportos. Nos anos 60, a Portuguesa tinha um grande time e fazia grandes jogos com os times considerados grandes da capital paulista. Um jogo entre Portuguesa e Corinthians em que Caldeira participou, certamente entrou para a história como um dos jogos mais movimentados. Era o dia 24 de fevereiro de 1966, o estádio, o velho Pacaembu e o árbitro era Olten Aires de Abreu. Com um minuto e meio de jogo o Corinthians já vencia por 2 a 0, gols de Flávio aos 30 segundos e Bataglia a um minuto e meio de jogo. Depois Silvio diminuiu ainda no primeiro tempo.

               Logo aos 4 minutos da segunda etapa Ivair empatou a partida. Flávio voltou a colocar o alvinegro na frente. Caldeira empatou novamente aos 31 minutos. Gilson Porto fez 4 a 3 para o Corinthians, mas Ivair voltou a empatar aos 39. Até que finalmente Flávio aos 42 minutos deu números finais aquela partida, ou seja, Corinthians 5×4 Portuguesa. Neste dia a Portuguesa jogou com; Felix, Augusto, Ulisses, Vilela e Edilson; Wilson Pereira e Edson; Almir, Silvio, Ivair e Nilson (Caldeira). O técnico era Jim Lopes.

ATLÉTICO MINEIRO

                Depois de deixar a Lusa, foi jogar no América Mineiro, onde permaneceu por pouco tempo, disputando somente o campeonato mineiro de 1967. Depois foi para o Atlético Mineiro, onde permaneceu por dois anos. Sua estréia no Galo Mineiro aconteceu dia 3 de março de 1968, quando o Atlético perdeu para o Fluminense por 1 a 0. No Atlético Caldeira disputou posição com Tião, mas quase sempre era reserva. Com a camisa do Atlético, Caldeira tem um jogo que ele não esquece, foi um jogo em que o Galo representou nossa seleção brasileira contra a Iugoslávia. Este jogo aconteceu dia 19 de dezembro de 1968 e o Atlético que neste dia jogou com a camisa canarinho da nossa seleção venceu por 3 a 2, gols de Vaguinho, Amauri e Ronaldo. Neste dia o Atlético jogou com; Mussula, Vander, Normandes (Djalma Dias), Grapete e Décio Teixeira; Vanderlei Paiva e Amauri; Vaguinho, Lola, Ronaldo e Tião (Caldeira). O técnico foi Yustrich.

               No ano seguinte, ou seja, dia 3 de setembro de 1969, o Atlético fez um jogo amistoso contra nossa Seleção Brasileira, para inaugurar os refletores com lâmpadas de mercúrio. Neste dia o técnico João Saldanha que estava preparando nossa seleção para o mundial do México, onde conquistamos o Tricampeonato Mundial, mandou a campo os seguintes jogadores; Félix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel Camargo e Rildo (Everaldo); Piazza e Gerson (Rivelino); Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu. O Atlético jogou com; Mussula, Humberto Monteiro, Grapete, Normandes e Cincunegui (Vantuir); Oldair e Amauri; Vaguinho, Laci, Dario e Tião (Caldeira). Amauri abriu o placar aos 42 minutos da primeira etapa. Pelé empatou aos 5 do segundo tempo e Dario deu números finais aos 20 minutos. Foi uma vitória que entrou para a história do Atlético Mineiro, principalmente depois que o Brasil conquistou o Tri com praticamente estes jogadores que perderam por 2 a 1 para o Galo.

               O último jogo de Caldeira pelo Galo Mineiro foi no dia 29 de janeiro de 1970, quando o Atlético venceu por 3 a 2 o Paraense de Pará, um clube de Minas Gerais. Com a camisa atleticana, Caldeira disputou 37 partidas e não marcou nenhum gol.

FLAMENGO

               Depois de jogar em São Paulo e Minas Gerais, era a hora de jogar no Rio de Janeiro, mais precisamente no Flamengo. Sua estréia aconteceu dia 22 de março de 1970 e sua despedida foi no dia 2 de fevereiro de 1972. Durante esse período o Flamengo sempre teve bons times, como aquele que enfrentou o Corinthians no dia 5 de dezembro de 1970 pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Neste dia o técnico Yustrich mandou a campo os seguintes jogadores; Ubirajara, Murilo, Onça, Reyes e Paulo Henrique; Zanata e Liminha; Doval, Nei, Fio Maravilha e Caldeiras. Este jogo foi realizado no Pacaembu e o Corinthians venceu por 1 a 0, gol de Aladim aos 38 minutos do primeiro tempo. Com a camisa rubro-negra, o ponta fez 73 jogos (33 vitórias, 21 empates e 19 derrotas) e marcou 7 gols, sendo 2 contra o São Cristovão no dia 31 de março de 1971, quando o Mengão goleou por 5 a 0. Nesse período em que defendeu as cores rubro-negra do Flamengo, sagrou-se campeão do Torneio Pedrossiam em 1971, campeão carioca e campeão do Torneio do Povo em 1972.

INTER DE LIMEIRA

               Em 1978 jogou pela Internacional de Limeira. Para este ano a Internacional reforçou a equipe e conquistou o acesso para a primeira divisão do futebol paulista. A equipe daquele ano era assim formada; Carlinhos, Lopes, Alexandre Pimenta, Klein e Pedro Paulo; Pitico, Tornado e Ademir Mello; Juarez, Tião Marino e Caldeira. Como todos sabem não é fácil conquistar o acesso para a Primeira Divisão do Futebol Paulista e assim foi também para a Internacional. Em um dos jogos decisivos lá na cidade de Pinhal, a Inter perdia o primeiro tempo por 2 a 0. Então a torcida derrubou o alambrado e invadiu o campo da Pinhalense, iniciando uma pancadaria generalizada.

               O jogo foi suspenso pelo juiz por falta de segurança. Richard Drago, presidente da Inter, conseguiu a anulação da partida e a marcação de uma segunda, já no início de 1979. Nessas alturas, a Pinhalense já estava totalmente desmotivada pela disputa, pois o resultado para ela já nada mais significava. Com isso a Inter venceu a segunda partida e conquistou o acesso e automaticamente, mais um título no currículo de Caldeira. Dia 9 de abril de 1978, a Inter enfrentou seu maior rival, o Independente F. C. também da cidade de Limeira. Aos 15 minutos de jogo, o Leão desperdiçou uma penalidade máxima com Tião Marino, que exagerou na força, chutando por cima da meta de Emir.

              Não demorou muito e aos 27 minutos o árbitro Silvio Acácio da Silveira marcou uma nova penalidade máxima, desta vez quando o zagueiro Foguinho colocou a mão na bola dentro da área. Sem confiança, Tião Marino se recusou a cobrar, deixando a incumbência para Caldeira. O bom atacante encheu o pé, com um tiro rasteiro, no canto esquerdo de Emir, 1 a 0. E este foi o placar final da partida.

AVAÍ

               Em 1980, Caldeira já estava em Santa Catarina, onde defendeu o Avai. Já estava em final de carreira, mas ainda com uma canhota potente que marcou sua carreira. Fez sua estréia no clube catarinense perdendo para o Carlos Renaux, no antigo Estádio Adolfo Konder quando entrou no decorrer da partida. Já em seu segundo jogo pelo time, marcou seu primeiro gol, na vitória por 2 a 0 contra o Mafra, no Estádio Alfredo Herbst.

               Caldeira era um ponteiro lento, 560 gramas de beiço e um metro e meio de bunda que chegou no Avaí, após ser eleito o pior ponta esquerda da história do Flamengo. Uma figura que formou o ataque do Avai ao lado de Baianinho e Vargas. Mesmo municiado no ataque por Bira Lopes e Osmari, pouco produziu. Uma figura que deixou muito boa a lembrança a todos que conviveram com ele naquela época.

OUTROS CLUBES

               Caldeira foi um verdadeiro cigano no futebol, jogou em inúmeros clubes, entre eles o América Mineiro, Barranquila da Colômbia, Democrata de Sete Lagoas, onde jogou ao lado de Vaguinho (ex-Corinthians), Coritiba, Londrina, Bahia e tantos outros que já foram citados acima. Divorciado, o mineiro de Uberaba Caldeira é pai de quatro filhos e avô de quatro netos. Uma das filhas de Caldeira é Kátia Lopes, medalha de bronze no voleibol nos Jogos Olímpicos de Sidney, na Austrália, em 2000. Um outro filho do ex-ponta, Léo, também joga voleibol e mora em Portugal. Depois que encerrou a carreira, trabalhou por algum tempo como mecânico de automóveis aonde reside, no Jardim Cidália, em São Paulo. Caldeira veio a falecer dia 24 de setembro de 2019.

Em pé: Onça, Ubirajara, Washington, Reyes, Zanata e Paulo Henrique    –     Agachados: Doval, Liminha, Ney Oliveira, Fio Maravilha e Caldeira
Marília em 1974    –    Em pé: Santana, Cardosinho, Ademir, Tinho, Mineiro e Neuri     –    Agachados: Caldeira, Toninho II, Itamar, Evaldo e Toninho
Em pé: Ademar, Amaro, Orlando Gato Preto e Henrique Pereira    –      Agachados: Aírton, Basílio, Caldeira e Aloísio Mulato
Em pé: Lula, Klein, Tornado, Alexandre Pimenta e Zé Carlos     –     Agachados: Juarez, Ademir Mello, Tião Marino, Carlinhos e Caldeira
Em pé: Luiz Moraes, Klein, Tornado, Lula, Alexandre Pimenta e Zé Carlos     –    Agachados: Nestor, Carlinhos, Humberto Ramos, Tião Marino e Caldeira
AMÉRICA – MG     –   Em pé: Gilberto, Geraldino, Zé Horta, Dirceu Alves, Caiaux e Café     –     Agachados: Zé Carlos Mérola, Chiquinho, Silvestre, Samuel e Caldeira
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