DEL VECCHIO: campeão paulista pelo Santos em 1955 e 1956

                 Emmanuele Del Vecchio nasceu dia 24 de setembro de 1934, na cidade de São Vicente – SP. Foi um maravilhoso centroavante. Foi bicampeão paulista pelo Santos em 1955 e 1956. Foi ele que deu lugar à Pelé quando o Rei do Futebol fez sua primeira partida com a camisa do Peixe em 1956, lá na cidade de Santo André. Jogou também no São Paulo, no Boca Juniors da Argentina, no Bangu, no Atlético Paranaense e lá na Itália defendeu o Verona, o Nápoli e o Milan. Jogou várias vezes pela Seleção Paulista e também pela nossa Seleção Brasileira. Enfim, foi um jogador que passou por vários clubes, pois todos queriam tê-lo em seu elenco, pois tratava-se de um goleador implacável, raçudo, técnico e muito rápido. Depois que encerrou a carreira de jogador, passou a trabalhar como treinador. Um dos clubes em que trabalhou, foi o Independente de Limeira, isto foi no ano de 1986, quando o Galo da Vila disputava a segunda divisão daquele ano em que seu maior rival, a Internacional sagrou-se campeã paulista.

SANTOS F.C.

               Sua carreira como atleta profissional começou no time de Vila Belmiro em 1954. Já no ano seguinte sagrou-se Campeão Paulista. O Santos já estava há dez anos sem um título, pois o último havia sido em 1935, com isto sua torcida cobrava muito de seus jogadores. Mas com a chegada de Del Vecchio, o time praiano montou um grande esquadrão e conquistou o título estadual. Quem também escreveu seu nome nesta gloriosa página do Santos F.C. foi o atacante Emanuele Del Vecchio, que marcou 23 gols e se tornou o artilheiro do Campeonato Paulista de 1955. Não tinha pra mais ninguém: o Santos mostrou que era o melhor time de São Paulo, e alguns anos depois, se tornaria o melhor do mundo. O campeonato daquele ano foi dramático em seu final.

              Na penúltima rodada, o Santos estava há três pontos na frente do segundo colocado que era o Corinthians. E quem iriam se enfrentar nesta penúltima rodada?  Santos x Corinthians. Ou seja, se o Peixe vencesse o jogo já era campeão, pois ficaria com cinco pontos de diferença e haveria somente mais uma rodada. Este jogo entre os alvinegros aconteceu dia 8 de janeiro de 1956, lá na Vila Belmiro. Alvaro abriu o placar logo aos 5 minutos de jogo. Aos 38, Feijó cobrando pênalti faz 2 a 0 para o Peixe. A torcida santista foi a loucura nas arquibancadas do estádio Urbano Caldeira.

               Mas os torcedores praianos sabiam que quem estava do outro lado era o Corinthians, time que ficou famoso por suas viradas históricas, sendo assim, comemoravam mas com muito respeito e preocupação. E esta preocupação começou aumentar quando Claudio marcou o primeiro gol corintiano aos 38 minutos cobrando pênalti. Foi aquele silêncio no estádio. Para aumentar o desespero da torcida santista, aos 43 do primeiro tempo, Paulo empatou a partida. Veio o segundo tempo e aos 17 minutos, Paulo desempatou para o Corinthians e assim terminou a partida, Corinthians 3 x 2 Santos. A grande festa santista que estava preparada para aquele dia, teve que esperar mais uma semana, pois agora a diferença era de apenas um ponto, ou seja, o Santos tinha 38 pontos e o Corinthians 37. Tudo ficava para a última rodada. (naquele tempo a vitória valia 2 pontos)

              O Corinthians tinha um jogo muito difícil, pois iria enfrentar o Palmeiras, enquanto que o Peixe iria enfrentar o Taubaté na Vila Belmiro. Era o dia 15 de janeiro de 1956 e lá no Pacaembu, o Corinthians fazia sua parte, ou seja, derrotou o Palmeiras por 2 a 0, gols de Luizinho e Cláudio. Enquanto isso lá na baixada santista, o Santos encontrava muitas dificuldades para derrotar o Taubaté. Álvaro abriu o placar para o Santos aos 15 minutos de jogo. O Taubaté empatou aos 9 do segundo tempo. A torcida santista estava nervosa, mas aos 20 minutos, Pepe marcou o segundo gol, aquele que deu o título ao Santos F. C. depois de 20 anos.

              Pepe sempre comenta que marcou muitos gols pelo Santos, mas este contra o Taubaté, foi o mais importante de sua carreira, pois deu um título que o Santos buscava há 20 anos. Neste dia o Santos jogou com; Manga, Hélvio e Feijó; Ramiro, Formiga e Urubatão; Tite, Negri, Alvaro, Del Vecchio e Pepe. O técnico era Lula. A campanha do Santos neste ano foi a seguinte: 26 jogos, 19 vitórias, 2 empates e 5 derrotas. Marcou 71 gols e sofreu 40, tendo um saldo positivo de 31 gols.

               No campeonato de 1956, o Santos de Del Vecchio conquistou o bicampeonato paulista. Mas antes desse dia, tivemos um acontecimento que entrou para a história do futebol mundial e isto aconteceu dia 7 de setembro de 1956, quando o Santos fez um amistoso contra o Corinthians da cidade de Santo André e o Peixe venceu por 7 a 1. Neste dia o alvinegro praiano entrou em campo com a seguinte formação; Manga, Hélvio e Ivan; Ramiro, Urubatão e Zito; Alfredinho, Álvaro, Del Vecchio, Jair da Rosa Pinto e Tite.

              Quando o placar já estava 5 a 1 para o Peixe, o técnico Lula fez uma substituição. Saiu Del Vecchio e entrou em seu lugar um menino que ainda iria completar 16 anos no mês seguinte, um tal de Pelé, um ilustre desconhecido do torcedor santista e do mundo. Mas aos 36 minutos do segundo tempo, aquele garoto já começou a mostrar o que seria seu futuro dentro do futebol, pois marcou o sexto gol do Santos e em poucos minutos que permaneceu em campo, encantou a todos que o viram naquela tarde de sábado, lá no pequeno estádio Américo Guazelli, na cidade de Santo André. O título paulista de 1956 foi contra o São Paulo em janeiro de 1957.

              Na época era comum alguns confrontos serem realizados no ano seguinte, assim como já havia acontecido no campeonato de 1955, também conquistado pelo Peixe. Nesta conquista do bicampeonato, o Santos jogou com; Manga, Wilson, Feijó, Ramiro e Formiga; Zito e Jair da Rosa Pinto; Tite, Pagão, Del Vecchio e Pepe. O Santos venceu o Tricolor por 4 a 2, com dois gols de Del Vecchio, um de Feijó e um de Tite. Neste campeonato o Santos disputou 19 partidas. Venceu 16, perdeu 3 e não empatou nenhuma. Marcou 47 e sofreu 20.

               Em 1957, Santos e Vasco fizeram um combinado contra o Belenenses de Portugal e os brasileiros venceram por 6 a 1. Este jogo aconteceu dia 19 de junho de 1957. Em agosto de 1957, o presidente do Vasco, Arthur Pires, tentou realizar uma contratação que certamente teria mudado a história do futebol se tivesse sido concretizada. O presidente comunicou ao Santos o interesse do Vasco em adquirir os passes de Pelé e Del Vecchio. Pelé estava na época com 16 para 17 anos e havia despertado a cobiça do Vasco desde que havia mostrado o seu talento imensamente promissor jogando pelo combinado Vasco-Santos. Mas o Santos não aceitou a proposta.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Del Vecchio disputou a Copa América em 1956 e com a camisa canarinho fez 4 partidas. Venceu uma, empatou duas e perdeu uma. No ano seguinte disputou a Copa Rocca, onde sagrou-se campeão. E foi num jogo contra a Argentina, que o destino quis que Del Vecchio desse seu lugar à Pelé mais uma vez, assim como aconteceu no amistoso que o Santos fez contra o Corinthians de Santo André. As atuações de Pelé pelo Combinado Vasco-Santos e os comentários nos jornais sobre o nascimento de um “futuro craque de seleção” foram fundamentais para que o então técnico da seleção brasileira, Sílvio Pirillo, decidisse convocá-lo para uma partida do Brasil contra a Argentina pela Copa Rocca, no Maracanã, dia 7 de julho de 1957.

               Foi a estréia do futuro Rei na seleção, aos 16 anos de idade. Ele entrou no segundo tempo no lugar de Del Vecchio e marcou o seu primeiro tento com a camisa canarinho. Mesmo perdendo por 2×1, o time brasileiro foi elogiado e a presença de Pelé foi aclamada.  Pela Seleção Brasileira, Del Vecchio disputou 9 partidas. Venceu 5, empatou 2 e perdeu 2. Marcou 1 gols com camisa canarinho, foi no dia 16 de junho de 1957, num amistoso em que o Brasil derrotou Portugal por 3 a 0. Os outros dois gols foram de Zito e Mazzola.

OUTROS CLUBES

               Depois de deixar o Santos, Del Vecchio foi jogar na Itália e por lá defendeu o Verona, o Nápoli e o Milan, conquistando o campeonato italiano de 1962. Depois foi para o Boca Juniors da Argentina, onde também sagrou-se campeão. De volta ao Brasil, jogou no São Paulo até 1965. Pelo Tricolor realizou 69 partidas. Venceu 35, empatou 17, perdeu 17 e marcou 34 gols. Depois passou ainda pelo Bangu e Atlético Paranaense, onde encerrou a carreira em 1968.  Depois que encerrou a carreira, trabalhou algum tempo como treinador, inclusive em 1986 foi o técnico do Independente de Limeira.

TRAGÉDIA

               Del Vecchio foi baleado por Marcus Barbosa Silvestre dentro de um hospital. Ainda resistiu por oito dias, mas veio a falecer dia 7 de outubro de 1995 no Hospital Beneficência Portuguesa.

Em pé: Zito, Gilmar, Formiga, Olavo, Ramiro e Mauro    –   Agachados: Cláudio, Del Vecchio, Paulo, Dino Sani e Tite
Em pé: Deleu, Jurandir, Penachio, Dias, Serafim e Suly    –   Agachados: Faustino, Zé Roberto, Del Vecchio, Bazaninho e Agenor
Em pé: Hélvio, Urubatão, Fioti, Ramiro, Manga e Ivan    –   Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Del Vecchio e Tite

Em pé: Carlos Alberto, Lima, Orlando, Gilmar, Oberdan e Zé Carlos   –   Agachados: Dorval, Mengalvio, Del Vecchio, Toninho Guerreiro e Abel
Em pé: De Sordi, Bellini, Jurandir, Riberto, Suly e Sudaco Agachados: Faustino, Del Vecchio, Benê, Bazaninho e Valdir Birigui
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