DARIO PEREIRA: símbolo da garra uruguaia

                Alfonso Dario Pereira Bueno nasceu dia 19 de outubro de 1956, em Sauce, no Uruguai. Sem dúvida, foi um dos maiores zagueiros da história do futebol sul-americano. Mas ele precisou vir ao Brasil para aprender a jogar na posição e se transformar em referência para a época. Revelado como volante no futebol uruguaio, Dario Pereira chegou para resolver o problema do meio de campo do São Paulo, mas acabou mesmo dando brilho à defesa tricolor.  Foi uma carreira brilhante dentro de campo, que agora continua fora das quatro linhas. Depois de liderar e ganhar títulos no São Paulo, o uruguaio escolheu o árduo desafio de vencer como técnico. E os primeiros anos mostraram que ele podia também se consagrar na profissão de treinador.

               Como jogador teve um carreira de glórias. Foi ídolo no Uruguai e no Brasil, dois países da América do Sul, onde o futebol sempre teve uma grande rivalidade, tudo por conta daquela inesquecível decisão do mundial de 1950, quando perdemos o titulo em pleno Maracanã, naquela tarde de 16 de junho para a seleção uruguaia por 2 a 1, sendo que saímos na frente do marcador com gol de Friaça.  Mas, Dario Pereira que não teve nada com aquilo, afinal, ele nasceu seis anos depois, e por isso foi mais um uruguaio que veio jogar no Brasil e teve uma carreira cheia de glórias, assim como Pablo Forlan, Rodolfo Rodrigues, Hector Silva. Lugano, De Leon, Daniel Gonzales e tantos outros.

              Dario Pereira iniciou sua carreira de jogador de futebol no Nacional, do Uruguai. Durante os dois anos em que jogou em seu país, Dario atuava como volante, se destacando pelo vigor físico fora do comum. Chegou à seleção uruguaia e com 21 anos já ostentava a braçadeira de capitão da equipe. Ele representou seu país nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1978 e no Mundial de 1986. Dario começou a despertar o interesse de clubes do futebol brasileiro e, em 1977, acabou contratado pelo São Paulo, clube onde faria história, durante os 11 anos em que vestiu a camisa do Tricolor Paulista. 

              Assim que chegou ao Brasil, no dia 7 de dezembro de 1977, o então volante foi recebido pelos torcedores são-paulinos como o “Rei Dario”.  Logo em seu primeiro jogo, o Tricolor goleou o Internacional de Porto Alegre, por 4 a 1.  No mesmo ano, Dario Pereira via a torcida comemorar pela primeira vez um título brasileiro, depois de uma final emocionante contra o favorito Atlético Mineiro, em pleno Mineirão. Neste dia o São Paulo jogou com; Waldir Perez, Getúlio, Tecão, Antenor e Bezerra; Chicão, Dario Pereira e Theodoro; Viana, Mirandinha e Zé Sérgio.  Apesar da conquista do título, Dario seguia com problemas de adaptações ao novo país e não conseguia repetir as boas atuações que o consagraram no Nacional e na seleção uruguaia.

              Em uma emergência, o técnico Rubens Minelli decidiu improvisar o volante raçudo na quarta zaga. Resultado, Dario foi muito bem e não deixou mais a posição. Os torcedores, que sempre o apoiaram, o elegeram agora como um dos “deuses da raça” do Morumbi.  Com a chegada de Oscar, contratado em 1980 junto ao Cosmos de Nova York, formaram a melhor dupla de zagueiros do país. Muitos torcedores lamentavam que, por se uruguaio, Dario não poderia atuar pela seleção brasileira. Em 1980, Dario conquistaria seu primeiro título paulista. No ano seguinte, o uruguaio repetiu a dose. Com sua garra, velocidade e chute forte, Dario conquistou a torcida tricolor. Durante os onze anos em que atuou pelo São Paulo, Dario Pereira disputou 11 temporadas. Foram 451 jogos, que o consagraram como o décimo jogador que disputou mais partidas com a camisa do Tricolor. Com a camisa são-paulina, Dario fez 451 jogos; venceu 222, empatou 127 e perdeu 102 vezes, marcou 38 gols e conquistou quatro títulos paulistas (1980, 81, 85 e 87)  e dois brasileiros (1977 e 1986).

              No dia 20 de outubro de 1988, Dario Pereira estava trocando o São Paulo pelo Flamengo, onde teria uma rápida passagem. Pelo clube rubro-negro, ele atuou apenas em 12 jogos; venceu 4, empatou 6 e perdeu 2 vezes.  Em 1989, o zagueiro uruguaio estava vestindo a camisa do Palmeiras, onde fez parte de uma grande equipe que, apesar do bom futebol, não conquistou nenhum título. Neste ano o Verdão tinha a seguinte formação; Veloso, Edson, Toninho, Dario Pereira e Abelardo; Junior, Gerson Caçapa e André; Edu Manga, Gaúcho e Neto.  Depois de um desentendimento com o técnico Emerson Leão, Dario Pereira, que havia recebido passe livre, deixou o Palmeiras e se transferiu para o futebol japonês, onde iria atuar no Matsushita. Pelo Verdão disputou 32 partidas; venceu 11, empatou 14 e perdeu 7 vezes e anotou um gol. Jogando no Japão, Dario que era considerado um dos melhores jogadores do mundo, conquistou seu último título como jogador.

TREINADOR

               Em 1990, em seu primeiro ano no clube, o zagueiro comandou a equipe na conquista do título da Copa Imperador.  Em 1992, Dario anunciou sua aposentadoria e, um ano mais tarde, começou uma nova fase no futebol, dessa vez, fora das quatro linhas.  Voltou ao futebol brasileiro, mas agora para trabalhar como treinador. Em 1993, Dario Pereira começou a comandar o Protege, equipe paulista de futebol amador. Posteriormente, aceitaria o convite para treinar as equipes de base do São Paulo F.C. Em abril de 1997, Dario estava de volta ao clube onde se consagrou para o futebol mundial. No entanto, a torcida não voltaria a ver sua raça dentro de campo. O zagueiro estava sendo anunciado como o novo técnico da equipe profissional.

               Durante os dez meses em que trabalhou no Morumbi, Dario Pereira deu força para os jovens, muitos deles que já haviam treinado nas categorias de base. Nomes como Sydney, Alexandre, Edmílson e Dodô começaram a ganhar força e espaço na equipe principal do São Paulo. Como técnico, Dario não conseguiu repetir no São Paulo as façanhas que teve como jogador. Os melhores resultados do treinador foram os vice-campeonatos da Supercopa e do Campeonato Paulista, ambos em 97.  Em fevereiro de 1998, Dario Pereira deixou o cargo de treinador do São Paulo e se transferiu para o futebol paranaense, onde foi trabalhar no Coritiba F. C. onde permaneceu por apenas dois meses, entre outubro e novembro de 98. Como técnico do São Paulo, Dario comandou a equipe do Morumbi em 63 partidas, com 25 vitórias, 22 empates e 16 derrotas.                            

              Em abril de 99, Dario Pereira se transferiu para o Atlético Mineiro, onde conquistou seu primeiro título como treinador. Revelando jovens talentos, como Lincoln e Caçapa, e recuperando jogadores como Belleti e Robert, o nosso Dario levou o Galo Mineiro ao título do campeonato estadual. Também comandou a equipe mineira durante a maior parte do Campeonato Brasileiro de 99. Quando o Atlético, que estava sob o comando de Humberto Ramos nas finais, acabou derrotado pelo Corinthians e ficou com o vice-campeonato. Em novembro de 99, mesmo com a boa campanha do Galo no brasileirão, Dario deixou o clube e, somente em julho do ano seguinte, voltou a trabalhar, agora no Guarani de Campinas.  O uruguaio permaneceu no clube do interior paulista por apenas dois meses e acabou saindo em agosto de 2000. 

               No final de 2000, o ex-zagueiro voltaria a ter a chance de treinar uma grande equipe do futebol brasileiro. Em dezembro, foi anunciado como novo treinador do Corinthians. Dario era o sétimo estrangeiro a comandar o Timão. Quando veio para o Corinthians, Dario trouxe com ele alguns jogadores do Guarani, como o goleiro Gléguer e o volante Otacílio. No entanto, não apresentou bons resultados e ficou na equipe apenas durante o Torneio Rio-São Paulo de 2001. Em seu lugar o Corinthians contratou Wanderlei Luxemburgo. Como técnico do Timão, Dario Pereira dirigiu a equipe apenas 6 jogos. Venceu 1, empatou 2 e perdeu 3. Somente em dezembro de 2002, Dario conseguiu um bom time. Foi para o Pará dirigir o Paysandu e levou o time de Belém à segunda fase da Libertadores. Dia 24 de abril de 2003, chegou a bater o Boca Juniors, que foi o campeão do torneio, em plena La Bombonera por 1 a 0. Esta foi a terceira derrota da história do Boca, dentro de casa, em jogos pela Libertadores da América.

               No jogo de volta, numa noite em que a torcida lotou o Mangueirão, o Paysandu viu sua classificação para as quartas-de-final da Copa Libertadores ir por água abaixo depois da vitória dos argentinos, por 4 a 2. Depois da eliminação, somada à má campanha da equipe no Campeonato Brasileiro, o cargo de Dario Pereira no Paysandu ficou ameaçado. O treinador chegou a ter de passar por uma reunião com o presidente do clube e preferiu sair. No entanto, Dario Pereira não ficou muito tempo desempregado. A boa campanha no Papão não passou despercebida aos dirigentes do Grêmio, que acabavam de perder Tite. Rapidamente houve o acordo e Dario foi enfrentar novo desafio no Sul. Infelizmente, também durou pouco a passagem do treinador no Olímpico.

              O Grêmio não conseguiu se recuperar, manteve-se entre os últimos e a solução de praxe foi demitir o técnico. Assim, Dario ganhou férias forçadas. Dario ainda busca a consagração como treinador. Apesar de ser um grande conhecedor do futebol brasileiro, o uruguaio ainda não conquistou grandes títulos pelos clubes que passou. Em fevereiro de 1982, ainda jogando pelo São Paulo, Dario Pereira escapou de morrer afogado no Guarujá, no dia 26, uma segunda-feira de Carnaval. Uma lancha que passava pelo local socorreu o zagueiro, que era arrastado pela correnteza. Dario Pereira, um zagueiro que deixou saudade ao torcedor do São Paulo F.C.

Em pé: Waldir Perez, Dario Pereira, Oscar, Getúlio, Almir e Aírton   –    Agachados: o massagista Hélio Santos, Paulo César, Renato, Serginho Chulapa, Heriberto e Zé Sérgio
Em pé: Waldir Peres, Getúlio, Oscar, Dario Pereira, Almir e Marinho Chagas   –    Agachados: Paulo Cesar, Renato, Serginho, Mário Sérgio e Zé Sérgio
Em pé: Antenor, Tecão, Getúlio, Chicão, Bezerra e Waldir Peres    –    Agachados: massagista Hélio, Viana, Teodoro, Mirandinha, Dario Pereira e Zé Sérgio

Em pé: Waldir Peres, Aírton, Getúlio, Chicão, Marião e Bezerra    –     Agachados: Edu Bala, Teodoro, Serginho Chulapa, Dario Pereira  e Zé Sérgio.
Em pé: Dario Pereira, Toninho Cecílio, Dorival Junior, Edson, Velloso e Abelardo   –    Agachados: Mauricinho, Gerson Caçapa, Gaúcho, Edu Manga e Neto
Em pé: Waldir Peres, Oscar, Getúlio, Almir, Dario Pereira e Aírton    –     Agachados: o massagista Hélio Santos, Paulo César, Renato, Serginho Chulapa, Heriberto e Zé Sérgio
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