PIO: campeão paulista e brasileiro pelo Palmeiras em 1972

                 Osmar Alberto Volpe nasceu na cidade de Araraquara (SP), em 15 de novembro de 1945. Começou a carreira de jogador profissional na Ferroviária de Araraquara. Para os torcedores da Ferroviária, do Palmeiras e do Santa Cruz, ele é lembrado somente como Pio, um ponteiro esquerdo marcante que colecionou muitos títulos e muitos amigos no mundo do futebol. Dentro do futebol ele tinha o nome curtinho. Assim como “curtinha” ficou sua conta bancária quando vivia seu melhor momento pelo Palmeiras. Mas, como veremos, sua vontade de recuperar seu espaço não foi “curtinha”.

FERROVIÁRIA

                Em meados de 1964, foi levado para os quadros amadores da Ferroviária e no ano seguinte começou a ter oportunidades no elenco profissional. Nesse meio tempo, Pio se deslocou para Brasília para servir o Exército. Voltando ao time grená, Pio vivenciou dias de glória. Esteve presente na queda do time para o segundo escalão do futebol paulista em 1965, porém figurou na fileira de atletas que no ano seguinte trouxe a Ferroviária para o seu devido lugar. Além desse triunfo, Pio ajudou sua agremiação nas conquistas do Bicampeonato do Interior (Ferroviária foi Tri-campeã do Interior – 1967, 1968 e 1969). Pio era um ponteiro esquerdo com características de apoio no setor de meia cancha, além de ser um grande cobrador de faltas. Seu ótimo futebol o levou para o Palmeiras em 1969.

PALMEIRAS

               Na época, o alviverde contava com Serginho na ponta esquerda e Rinaldo havia deixado o Parque Antártica, negociado com o Coritiba. Logo em sua primeira temporada no Palmeiras, Pio foi campeão do Torneio “Robertão” em 1969, equivalente ao atual Campeonato Brasileiro. Em 1971 foi vice-campeão paulista naquela discutida final contra o São Paulo no estádio do Morumbi, com um gol anulado de Leivinha. Mas o ano de 1972 foi especial na história do clube. Campeão paulista e brasileiro, igualmente de forma invicta, venceu ainda o Torneio Laudo Natel e a Taça dos Invictos. No ano seguinte, sagrou-se Bi-campeão Brasileiro.

              Tudo corria bem até o dia em que Pio decidiu comprar uma fábrica. Sem tino para o mundo dos negócios, descobriu posteriormente que sua empresa estava atolada em dívidas e o dinheiro que recebia do Palmeiras era muito pouco, diante do enorme e preocupante buraco financeiro. Nervoso em campo, discutindo com os companheiros e preocupado em vencer os jogos para ganhar o bicho e liquidar parte das dívidas da tal fábrica, Pio acabou se machucando gravemente. Devido essa contusão, outro ex-jogador da Ferroviária lhe tomou o lugar, era o baixinho e brilhante Nei. Então, prosseguiu treinando e buscando novamente sua camisa onze.

             Como estava no auge da carreira, Pio recusou uma proposta do Botafogo de Ribeirão Preto e batalhava pela conquista do passe livre. Na ocasião, dirigentes do Santa Cruz vieram até São Paulo para contratar o goleiro Raul Marcel. Durante o impasse com os representantes do Santa Cruz, pois o Palmeiras não queria abrir mão do goleiro, surgiu o nome de Pio. Depois de analisar os termos, o ponteiro esquerdo seguiu para Recife, onde escreveu mais alguns capítulos de sua gloriosa carreira. Pelo Palmeiras, Pio atuou em 188 jogos obtendo 101 vitórias, 58 empates, 29 derrotas e 29 gols marcados.

SANTA CRUZ

             No Campeonato Brasileiro de 1975, Pio foi o algoz do Palmeiras na vitória do time coral pelo placar de 3×2 no próprio estádio Palestra Itália, sendo que o gol da virada pernambucana foi anotado pelo próprio Pio, em uma cobrança de falta. Campeão pernambucano de 1976, Pio seguiu no Arruda até um desentendimento com o técnico Evaristo de Macedo. Mesmo como um dos ídolos da torcida, ficou sem ambiente para continuar no clube. Assim, Pio partiu para Curitiba ao aceitar uma proposta do Colorado em 1978. No ano seguinte, Pio voltou ao futebol paulista para jogar pelo São Carlense (SP) e no ano de 1982 encerrou sua carreira defendendo o Grêmio Esportivo Novorizontino (SP).

            Pio se formou em Educação Física pela Escola Superior de Educação Física de São Carlos. Foi ainda Secretário Municipal de Esportes da cidade de Américo Brasiliense. Em fevereiro de 2005, Pio foi o professor homenageado pela IX Turma de Administração Pública da Unesp. Os formandos, como de resto toda a sociedade araraquarense, têm profunda admiração pelo professor Osmar Alberto Volpi, o inesquecível ex-ponta-esquerda do futebol do Brasil.

CURIOSIDADE

            E por que Pio se o nome dele é Osmar? É que o menino Osmarzinho foi coroinha e seminarista e jogava bola com a camisa 11. E como tivemos o Papa Pio XI, os torcedores assim o batizaram. E Pio adquiriu mesmo forças extraterrestres vindas dos céus. Tanto que, em 1969, no clássico Ferroviária e XV de Piracicaba, na Fonte Luminosa, ele bateu uma falta no falecido Getúlio tão forte, mas tão forte, que quebrou os dois braços do saudoso goleiro e a bola ainda furou a rede, o alambrado e derrubou um eucalipto que estava atrás do gol. “Mas aquele pé de eucalipto estava bem velhinho já”. Ressalva o professor Pio. Ah, bom…

Em pé: Belvoni, Brandão, Fogueira, Joãozinho, Rossi e Machado    –     Agachados: Valdir, Leocádio, Téia, Bazani e Pio
Em pé: Eurico, Leão, Baldocchi, Nélson, Dé e Dudu   –    Agachados: Edu, Jaime, César, Ademir da Guia e Pio
Em pé: Baiano, Carlos Alberto, Zé Carlos, Bebeto, Muri e Fernando    –     Agachados: Peixinho, Zé Luiz, Paulo Bim, Bazani e Pio
Em pé: Gilberto, Carlos Alberto, Pedrinho, Levir Culpi, Gilberto e Givanildo    –    Agachados: Renatinho, Tadeu, Nunes, Jadir e Pio
Em pé Eurico, Leão, Luis Pereira, Nélson, Dé e Dudu    –    Agachados: Pio, Hector Silva, César Maluco, Ademir da Guia e Fedato
Em pé: Eurico, Neuri, Luís Pereira, Nelson, Dudu e Dé    –    Agachados: Copeu, Jaime, César, Ademir da Guia e Pio
Em pé: Dorival, Geraldo Scalera, Galhardo, Rodrigues, Celso e Rubens     –    Agachados: Alencar, Jaime, Tales, Capitão e Pio

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