CHAMORRO: um argentino que brilhou no Flamengo

                   Eusébio Chamorro nasceu dia 22 de novembro de 1922, na cidade de Rosário, Argentina. Infância difícil, o rapazola humilde encontrou no futebol uma possibilidade concreta de vencer na vida fazendo o que mais gostava!

                   Chamorro contava com 17 anos de idade quando ingressou nos quadros amadores do Club Atlético Newell’s Old Boys. Aproveitado no time principal durante a primeira metade da década de 1940, Chamorro foi aos poucos substituindo o titular Mussimesi, que na época servia com relativa frequência o selecionado argentino.

                    Foi nesse período que Chamorro estabeleceu boas relações profissionais com o treinador Fleitas Solich, o que mais tarde foi determinante em sua providencial transferência para o futebol carioca. Depois, Chamorro passou rapidamente pelo Club Atlético Boca Juniors durante uma excursão internacional, para em seguida firmar compromisso com o Club Independiente Santa Fé da Colômbia, equipe onde permaneceu até dezembro de 1952.

                    Quando voltou ao cenário argentino, Chamorro recebeu uma punição disciplinar da federação local, que entre tantos motivos justificou irregularidades na documentação por ocasião de sua transferência para o Independiente Santa Fé.

                     Tal medida disciplinar não ficou limitada somente ao caso específico do goleiro Chamorro, já que outros jogadores argentinos também largaram tudo e foram de “mala e cuia” para o tão falado eldorado colombiano.

                     Praticamente encostado e com sua carreira estacionada, Chamorro foi lembrado pelo técnico Fleitas Solich, que naquele momento já estava no comando do Clube de Regatas do Flamengo (RJ). Conhecedor da preocupante realidade de Chamorro, Fleitas Solich solicitou total empenho aos “cartolas” do Flamengo para encaminhar uma boa proposta ao goleiro argentino.

                      Assim, no mês de agosto de 1953, o time da Gávea desembolsou o montante de 250 mil cruzeiros para contar com Chamorro, que foi contratado inicialmente para ficar na suplência de Sinforiano Garcia, que naqueles tempos contava com especial prestígio e a disputa pela posição de goleiro titular do Flamengo estava só começando.

                      Bem recomendado, Chamorro desembarcou feliz e repleto de esperanças no Rio de Janeiro, embora soubesse do bom momento vivido pelo paraguaio Sinforiano Garcia com a camisa do Flamengo.

                       De acordo com reportagem especial publicada na revista Esporte Ilustrado de 20 de agosto de 1953, um bom público quase lotou a arquibancada da Gávea para assistir o primeiro treino de Chamorro no Flamengo.

                       Um tanto fora de forma, Chamorro disputou sua primeira partida no dia 10 de setembro, no amistoso diante do quadro paulista do XV de Jaú no Maracanã, com o prélio terminando com um movimentado 4 a 4 no placar.

                       Pelo Flamengo, Chamorro disputou 55 compromissos e participou da conquista do tricampeonato carioca de 1953, 1954 e 1955, além de importantes torneios nacionais e internacionais.

                       O sangue paraguaio foi importantíssimo na conquista do segundo tricampeonato rubro-negro. Vindo do país vizinho, o lendário técnico Fleitas Solich trouxe os conterrâneos Chamorro e Benítez. Os três uniram-se a uma grande geração que contava com Pavão, Jadir, Dequinha, Jordan, Joel, Rubens, Paulinho, Índio, Evaristo, Esquerdinha, Zagallo e Dida – artilheiro que foi grande ídolo de infância de Zico.

                       O terceiro título veio na decisão contra o América, em três partidas. Na primeira, vitória de 1×0; na segunda, uma surpreendente derrota por 5×1; e, na finalíssima, o troco com goleada rubro-negra por 4×1.

                        Este jogo aconteceu dia 4 de abril de 1956 e foi disputado no Maracanã. Para esta grande decisão o técnico Fleitas Solich mandou a campo os seguintes jogadores; Chamorro, Tomires e Pavão; Servílio, Dequinha e Jordan; Joel, Duca, Evaristo, Dida e Zagallo. Do outro lado o técnico do América, o Sr. Martim Francisco escalou a seguinte equipe: Pompéia, Rubens e Édson; Ivan, Osvaldinho e Hélio; Canário, Romeiro, Leônidas, Martin Alarcón e Ferreira.

                         Numa tarde muito inspirada atacante Dida do Flamengo marcou quatro gols, enquanto Romeiro, que depois veio brilhar no Palmeiras,  marcou o único tento americano e assim o jogo terminou com a vitória flamenguista por 4 a 1 e com isto sagrou-se campeão carioca de 1955.

                         Conta da decisão do carioca de 1955, onde  a dupla de zaga da Gávea, Tomires e Pavão, bateu todos os recordes mundiais de faltas violentas em um único prélio, transformando o Maracanã em um circo romano. Diziam que Tomires matava e Pavão enterrava.

                       Com o crescimento técnico do jovem goleiro Ari, Chamorro foi aos poucos colocado como uma terceira opção no planejamento do treinador Fleitas Solich.

                       O time base do Flamengo no ano de 1956 era: Chamorro, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Paulinho, Duca, Índio, Evaristo de Macedo e Zagallo.

                       Chamorro continuou nas fileiras do Flamengo até 1956 e depois voltou ao futebol argentino para defender o mesmo Newell’s Old Boys.

Em pé: Chamorro, Pavão, Jadir, Milton Copolillo, Tomires e Jordan   –   Agachados: Joel, Duca, Evaristo de Macedo, Paulinho e Babá
1955 – Em pé: Pavão, Chamorro, Servílio, Tomires, Dequinha e Jordan    –   Agachados: Joel, Duca, Índio, Dida e Zagallo
Em pé: Pavão, Chamorro, Jadir, Tomires, Dequinha e Jordan – Agachados: Joel, Paulinho, Índio, Dida e Zagallo
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