BATATA: bicampeão brasileiro pelo Corinthians – 1998 e 1999

                          Wanderley Gonçalves Barbosa, mais conhecido como Batata, nasceu no dia 26 de novembro de 1973 na cidade de Barra do Piraí no Estado do Rio de Janeiro. Tem esse apelido por sempre ser pego comendo batatas escondido enquanto a mãe preparava. Começou sua carreira na Internacional de Limeira (SP) no ano de 1993. Batata participou da campanha que rebaixou o clube para a segunda divisão do Paulistão. Apesar de iniciar sua carreira com um revés, Batata não desistiu e seguiu em diante.

                        “Fiquei três meses na Inter de Limeira. O Celinho, treinador de lá, foi mandado embora e veio para o Ituano. Depois de uma semana me mandaram embora também, eu liguei pra ele, que me disse: ‘nem volta pro Rio, vem para Itu’. Aí peguei o ônibus em Limeira e desembarquei em Itú”, conta o ex-atleta.

                           Batata se profissionalizou no Ituano. Começou a ter chances e chegou a disputar o Campeonato Paulista, participando por exemplo de uma partida contra o Palmeiras. Jogou pouco por lá e logo foi emprestado ao Remo, clube do Pará. Lá, em 1993, foi campeão estadual num time recheado de veteranos, como Biro-Biro, João Santos, Alberto e Cacaio. “Na verdade eu fui de contrapeso. Era novo, estava com 19 anos, aí fui junto com o Romeu na época”, explica. Pelo Remo foi campeão paraense invicto, conquistando 15 vitórias e 5 empates nos 20 jogos da competição.

                           Além da campanha impecável, os triunfos sobre o maior rival deram um gostinho especial para o título daquele ano, já que o Remo venceu o Paysandu nas finais do primeiro e do segundo turno. Mas os números alcançados pelo Remo passam uma falsa imagem de um troféu conquistado sem muito suor e dificuldades, quando na verdade a disputa foi árdua, envolvendo troca de treinadores, interdição de estádios e até apagões de refletores com a bola rolando.

                            Além disso, a conquista do estadual de 1993 encerrou a hegemonia do Paysandu no futebol do Pará. Tanto que nos quatro anos seguintes, já sem Batata, o Remo levantou a taça novamente e sagrou-se pentacampeão paraense, tendo também estabelecido a marca de 33 jogos sem derrotas para o grande rival.

                           Depois do sucesso no Nordeste, em Setembro de 1993 o zagueiro voltou para o interior de São Paulo para atuar mais uma vez pelo Ituano. Dessa vez Batata permaneceu em Itu até o fim de 1994, tendo disputado o Campeonato Paulista, que infelizmente acabou com seu clube rebaixado.

                            Já em 1995, o zagueiro teve sua primeira experiência internacional, sendo contratado para atuar no Monterey, do México, onde jogou ao lado do atacante brasileiro Alberto, ex Santos e Corinthians. Seu time terminou o campeonato nacional daquele ano em boa colocação, sendo eliminado somente na fase final. De volta ao Brasil em 1996, mais uma vez o Ituano.

                             Depois de participar do descenso da equipe dois anos antes, o zagueiro se juntou ao seus companheiros na luta por uma vaga de volta na elite do futebol paulista. Apesar da boa campanha na primeira fase, o Ituano não conseguiu manter o aproveitamento e ficou em último no quadrangular final, que oferecia 3 vagas na série A.

                             No ano seguinte o zagueiro se manteve no time de Itu e deu a volta por cima, colaborando na campanha que levou o Ituano de volta à primeira divisão do Campeonato Paulista. Dessa vez, Batata e seus companheiros mantiveram o desempenho da primeira fase e conquistaram a segunda colocação, garantindo o acesso, que naquele ano premiava apenas os dois primeiros da tabela.

CORINTHIANS

                             Um dos destaques do Ituano, o zagueiro foi contratado pelo Corinthians, topando o desafio de defender as cores da maior torcida de São Paulo. Num time recheado de estrelas como Gamarra, Vampeta, Rincón e Marcelinho Carioca, o zagueiro foi utilizado como opção pelo técnico Vanderlei Luxemburgo no segundo semestre, ganhando a condição de titular e ficando de fora de apenas 6 partidas do Campeonato Brasileiro. Em pouco tempo, Batata ganhou a posição de titular da zaga corintiana. Ele desbancou o garoto Cris (que depois brilhou no Cruzeiro, no Lyon e Seleção Brasileira) e formou um miolo de zaga seguro ao lado do ótimo paraguaio Gamarra.

                             Depois de liderar a primeira fase com 46 pontos em 23 jogos, o Corinthians passou por Grêmio, Santos e Cruzeiro nas finais, e sagrou-se campeão nacional de 1998. Já no Campeonato Paulista de 1999, o Corinthians estava sob o comando de Evaristo de Macedo, que deu poucas chances a Batata, escalando o zagueiro somente no confronto frente o São Paulo, nas rodadas iniciais.

                             No decorrer do torneio, Oswaldo de Oliveira assumiu o posto de treinador e conquistou o estadual no histórico jogo da pancadaria provocada pelas embaixadinhas debochadas do corintiano Edilson. Pela Copa do Brasil, o Corinthians foi eliminado na fase de oitavas de final, e apesar da troca de treinador, Batata só participou de um jogo, contra o Ubiratan, do Mato Grosso do Sul.

                             Ainda sob o comando de Oswaldo, o Corinthians repetiu a dose e conquistou o Bicampeonato Brasileiro, vencendo o Atlético Mineiro na decisão. Em 2000, Fábio Luciano, João Carlos e Adilson Batista revezaram na zaga corintiana, o que deixou poucas chances para Batata.

                              O zagueiro não participou do Mundial de Clubes e jogou apenas uma partida do Campeonato Brasileiro. Já pela Copa do Brasil, atuou nas duas partidas que o Corinthians disputou: duas derrotas para o Botafogo. No ano seguinte, Batata voltou a ter mais oportunidades no Timão e pôde mostrar um lado desconhecido.

                              Durante o Campeonato Brasileiro de 2001, o zagueiro marcou 5 gols e foi decisivo ofensivamente em algumas partidas. Mas a temporada não foi das melhores para o Corinthians, que conseguiu apenas a 18ª colocação no nacional e frustrou a torcida ao ser derrotado pelo Grêmio na final da Copa do Brasil. Nesta competição, Batata foi a campo contra o Flamengo do Piauí, nas oitavas-de-final.

                             A despedida do jogador pelo Corinthians aconteceu no primeiro semestre de 2002, no qual participou de alguns jogos como titular da campanha do título da Copa do Brasil. No Corinthians, clube pelo qual Batata defendeu de 1998 a 2002, atuou em 101 partidas (43 vitórias, 24 empates e 34 derrotas), marcando seis gols a favor e um contra.

                             Pelo Alvinegro paulista, o defensor conquistou muitos títulos, incluindo o bicampeonato brasileiro de 1998 e 1999, além do Campeonato Paulista de 1999 e 2001. O atleta também saiu vencedor da Copa do Brasil de 2002. Em 1998, o jogador foi eleito o melhor zagueiro do Paulistão. Porém, a maior conquista de Batata no futebol foi o de Campeão Mundial em 2000, também pelo clube paulista. “Foram cinco anos maravilhosos. Nunca me esquecerei do Corinthians”, fala Batata, que pendurou as chuteiras com apenas 34 anos no final de julho de 2008.

OUTROS CLUBES

                             Pelo Galo Mineiro, o zagueiro começou como titular no Campeonato Brasileiro de 2002, tendo disputado 11 jogos na competição. Seu time fez uma boa campanha, no entanto acabou sendo eliminado pelo Corinthians nas quartas-de-final. No ano de 2003, batata foi para o Distrito Federal defender as cores do Brasiliense. Como titular em quase todas as partidas, o zagueiro disputou uma Série B recheada pelas participações de Botafogo e Palmeiras. Apesar da boa campanha, o Brasiliense não conseguiu chegar ao quadrangular final, sendo eliminado na segunda fase.

                            Mais uma etapa da carreira chegou ao fim e Batata seguiu para outro canto do Brasil. Dessa vez voltou para o Nordeste, onde defendeu a camisa do Náutico, de Recife. Jogando pelo Timbu, também foi bastante aproveitado e logo no Campeonato Pernambucano de 2004 levantou sua primeira taça. Com um gol aos 4 minutos de jogo na decisão, Batata foi fundamental na vitória sobre o rival Santa Cruz que selou o título do Náutico.

                            Na sequência da temporada disputou a Série B do Campeonato Brasileiro, ao lado de jogadores como o experiente Kuki e a revelação Jorge Henrique. Na primeira fase, o Timbu fez uma ótima campanha e conseguiu a segunda colocação geral, o que de nada adiantou, já que o time pernambucano foi eliminado no Grupo B da segunda fase.

                            Um dos formadores da espinha dorsal do Náutico, Batata permaneceu no elenco para 2005 e viu o Santa Cruz ser campeão pernambucano de forma antecipada. Pela Copa do Brasil, atuou nas duas partidas contra o Palmas, e em outras duas contra o Coritiba, time responsável pela eliminação do alvirrubro.

                            O início de ano não trouxe os resultados que o Náutico esperava mas a equipe seguiu confiante para a disputa da Série B no segundo semestre. Ao contrário do ano anterior, quando conseguiu a classificação antecipada, o Timbu teve que lutar por uma vaga na segunda fase até a última rodada.

                             Se em 2004 o time relaxou, dessa vez chegou a fase de grupos no auge da competitividade e liderou a pontuação. Classificado para o quadrangular final, Batata e o Náutico passaram por uma das histórias mais marcantes no futebol brasileiro. Além do Timbu, disputavam as duas vagas na Série A o Santa Cruz, a Portuguesa e o Grêmio, que foi o adversário do Náutico na última rodada.

                             No estádio pernambucano, Grêmio e Náutico travaram a tão famosa batalha dos aflitos, que contou com 2 pênaltis perdidos pelo Timbu, expulsões de quatro jogadores do tricolor gaúcho e 25 minutos de paralisação. Depois de toda a confusão, causada pela revolta do time gremista com a marcação do segundo pênalti, a bola rolou e, logo nas primeiras jogadas, o aniversariante do dia, Batata, fez uma falta dura em Anderson, que lhe rendeu uma expulsão.

                             Na cobrança, o meia gaúcho disparou com a bola dominada e fez o único gol do jogo, dando o título da segunda divisão ao Grêmio, que voltou para Série A. Mesma sorte não teve o Timbu, ficando na série B por mais uma temporada.

                              Depois do sofrimento na Batalha dos Aflitos, o Náutico conseguiu o tão sonhado acesso para a Série A no ano seguinte (2006). “Foi muito difícil pelo baque que foi o ano anterior”, disse. Depois da conquista, Batata resolve se aventurar em outro continente: ele é contratado pelo Pogón Szczecin, da Polônia.

                             “Foi uma das piores experiências da minha vida. Já estava em final de carreira e fiz contrato de dois anos. Sai do Recife com 42 graus e cheguei na Polônia com menos 28. Quase enlouqueci”, conta Batata, em meio a risadas. “Não me adaptei ao futebol (de lá). Muita correria, o futebol é totalmente diferente, o idioma, comida… Tudo diferente”, relata.

                                Batata acabou ficando apenas quatro meses na Polônia. Ele rescindiu o contrato e voltou para o Náutico, onde ficou apenas quatro meses. Identificado com o futebol pernambucano, ele ainda passou pelo Central de Caruaru e pelo Salgueiro, quando decidiu pendurar as chuteiras. “Comecei a atrapalhar mais do que ajudar, (…) estava tirando o espaço dos garotos daí eu percebi que estava na hora”, explica.

                             Apesar da importação de matéria-prima do país do futebol, o Pogón, que nunca obteve um resultado expressivo no futebol polonês, acabou sendo rebaixado, colocando fim na aventura gelada do zagueiro.

                             Ainda em 2006, Batata voltou para o Náutico e teve a oportunidade de participar da campanha que levou o time pernambucano à terceira colocação da Série B e à elite nacional. Apesar da curta passagem pela Europa, o zagueiro criou raízes no Náutico e virou ídolo da torcida, com a conquista do acesso em 2006 saiu do Náutico como entrou. Pela porta da frente.

                             Adaptado no estado de Pernambuco, Batata continuou sua carreira pelo Central, da cidade de Caruaru. Pela patativa, apelido do clube, o zagueiro foi fundamental em uma campanha surpreendente. O Sport conseguiu sagrar-se campeão sem a necessidade de uma final, já que faturou os dois turnos, mas quase teve esse privilégio cancelado pelo Central, que ficou em segundo em um dos turnos e em segundo também na classificação final.

                             O último contrato profissional de Batata foi assinado com o Salgueiro, outra equipe pernambucana. No estadual de 2008, o zagueiro participou de alguns jogos e ajudou seu time a fazer uma boa campanha. Na primeira fase ficou em sexto e garantiu vaga no hexagonal final, no qual encerrou o campeonato em quarto colocado.

                              Em 2017 seguia residindo em Itu, no interior de São Paulo, onde trabalha como motorista de lotação com sua Kombi.

 

TÍTULOS

Remo

Campeonato Paraense: 1993

Corinthians

Campeonato Brasileiro: 1998 e 1999
Campeonato Paulista: 1999 e 2001
Mundial de Clubes da FIFA: 2000
Torneio Rio-São Paulo: 2002
Copa do Brasil: 2002

Náutico

Campeonato Pernambucano: 2004

 

Em pé: Maurício, Márcio Costa, PC Gusmão, Nei, Gamarra, Batata, Silvinho, Rincón e Cris   –     Agachados: Dinei, Amaral, Mirandinha, Didi, Rodrigo, Vampeta, Índio, Ricardinho, Marcelinho e Edílson
1999 – Em pé: Nei, Gamarra, Rincón, Batata, Vampeta e Silvinho    –    Agachados: Fernando Baiano, Ricardinho, Índio, Marcelinho Carioca e Edílson
Em pé:  Rogério, Scheidt, Fábio Luciano, Gleguer, João Carlos, Batata, André, Kléber, Gallo e Maurício   –    Agachados: Andrezinho, Marcos Senna, Gil, Ricardinho, Marcelinho Carioca, Índio, Rodrigo e Everton

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