NILSON: brilhou na Portuguesa de Desportos e no Atlético Paranaense

                  Nilson Borges nasceu dia 16 de dezembro de 1941, na cidade de São Paulo. Seu início na carreira foi contra sua própria vontade. Nos jogos de várzea, seus companheiros lhe diziam que deveria investir na carreira, mas ele não dava atenção aos elogios. Quem abriu os olhos pela primeira vez foi seu pai. Empregado do chefe da Portuguesa de Desportos, o velho Borges tratou de arrumar uma chance para o filho e logo conseguiu encaixar Nílson nos juniores do clube..

                  No meio futebolístico era conhecido por Nilson Bocão. Iniciou a carreira em 1960 na Associação Portuguesa de Desportos e em 1965, foi para a Europa com o apoio de um empresário português, jogando e treinando no Standard Liège, da Bélgica, e no Sporting, de Portugal. Porém, não os defendeu em jogos oficiais, somente em amistosos, pois não chegou a ser contratado por estes clubes. Segundo Nilson, o empresário pedia valores acima do mercado.

                   Retornou ao Brasil em 1966 e jogou no América de Rio Preto e no Corinthians, onde ficou apenas como reserva de Gilson Porto, condição que disputou com Lima. Depois de disputar apenas seis partidas com a camisa corintiana, foi transferido para o Juventus e, depois, para o Atlético Paranaense em 1968, .

                   No rubro-negro paranaense, jogou ao lado de Djalma SantosBellini, Zequinha, Gildo, Dorval, Del Vecchio, Nair e Zezinho e participou da conquista do Campeonato Paranaense de 1970, que quebrou um jejum de doze anos sem títulos do clube. Ao pendurar as chuteiras, em 1974, tornou-se empregado do clube, sendo hoje auxiliar técnico, com passagens como técnico interino do clube. Está no clube há mais de 15 anos.

              Nílson Borges não foi formado nas categorias de base do Atlético. Não colecionou muitos títulos pelo rubro-negro. Mesmo assim, é um dos maiores ídolos da história do clube e um dos jogadores mais identificados com a camisa rubro-negra. Conhecido pelo apelido de “Bocão”, Nílson já foi jogador, técnico e auxiliar-técnico no Atlético. Admirado pelos torcedores, o ponta-esquerda rubro-negro fez muito sucesso principalmente pela garra ao pedir para jogar mesmo quando estava machucado.

                    , Nílson foi obrigado a abandonar a carreira aos 33 anos. Em um jogo contra o Fluminense, o jogador sofreu uma violenta falta de Denílson e não conseguiu mais voltar. Persistente, Nílson ainda pedia para entrar em campo, ou ser escalado. No entanto, não conseguia mais conter a dor e, mesmo jogando mal, não ouviu nenhuma vaia.

                        No dia 15 de novembro de 1961, quando o juiz Anacleto Pietrobon apitou o fim da partida entre Portuguesa e Corinthians, numa quarta-feira, o placar do estádio Pacaembu apontava um resultado humilhante. Mas o time humilhado não era o do Canindé. E sim do Parque São Jorge. Portuguesa 7×0 Corinthians. Isto mesmo. Um dos maiores chocolates que o alvinegro do Parque São Jorge levou na história. “Foi a minha partida inesquecível na Portuguesa”, disse Nilson Borges que esteve em campo e fez dois gols. Era a Portuguesa dos bons tempos. A Lusa daquela primeira metade dos anos 60 era um celeiro de craques. E o ponta-esquerda que veio a pertencer ao Atlético no final da década, era um deles. Ele era um jovem que subiu das categorias de base. Tinha estreado no ano anterior no time principal e ganhou a posição de titular no meio da competição.

                       Mas aquele não foi o único êxito histórico que Nilson Borges acumulou com a camisa verde e vermelha. O dia 4 de dezembro de 1960 pode parecer uma data qualquer no calendário esportivo. Mas não é. Foi neste dia que o São Paulo sofreu a sua primeira derrota em seu novo estádio, o Cicero Pompeu de Toledo, também conhecido por Morumbi. Foi um jogaço. Adivinhem quem marcou o primeiro gol na partida que resultou na primeira derrota do tricolor em seu magnífico estádio? Exatamente. Nilson Borges.

                       A verdade é que aquele foi um jogo cheio de viradas. Aos 11 minutos do primeiro tempo Nilson Borges abriu o placar, mas Paulo empatou aos 23. Silvio colocou a Lusa na frente aos 38 e no começo do segundo tempo Peixinho empatou, aos 10. Parecia que o tricolor ia tomar conta da partida quando Roberto virou aos 24. Mas Silvio empatou aos 31 e Odorico virou mais uma vez, agora para a Portuguesa, aos 44 do segundo tempo. Foi um jogo histórico. Mais uma vitória de categoria daquela Portuguesa dos bons tempos.

                      A realidade é que aquele time que o técnico Nena levou do juvenil para o profissional no começo de 1960, quando ele foi escolhido para comandar o clube do Canindé depois da demissão do técnico Oto Vieira, era um time cheio de craques que vieram a brilhar no futebol brasileiro. Entre eles estavam Jair da Costa, que iria para a Copa do Mundo no Chile dois anos depois e seria vendido para a Internazionale de Milão. Tinha ainda dois goleadores natos: Servilio, que foi para o Palmeiras, e Silvio que foi para o Milionários da Colômbia e depois voltou para jogar no Corinthians. O gol era defendido por Félix, que foi goleiro do tricampeonato mundial no México, e Ditão, que brilhou na zaga corintiana. Tinha Ocimar que fez fama no Bangu.

                    Aquela Portuguesa mostrou em campo que tinha bola. Só faltou mesmo ser campeã. E por pouco não suplantou o Santos que, como todos sabem, tinha Pelé e companhia. A Portuguesa foi vice, mas com direito de derrotar o time de Pelé e companhia por 4×3, em plena Vila Belmiro. Não era pouco. Na realidade, era muito.

                    Aquele era um time de craques que fazia gol em profusão. E foi naquele time que Nilson Borges fez os seus primeiros gols como jogador profissional. Ele estava com apenas 19 anos. Mas já era craque. A estreia de Nilson Borges no time titular aconteceu diante do Guarani no dia 10 de julho. Aos poucos ele foi ficando dono da posição. E os gols também começaram a sair. O primeiro como jogador profissional numa competição oficial foi marcado no dia 10 de agosto de 1960 no Canindé aos 32 minutos do primeiro tempo na vitória contra o São Paulo, pelo primeiro turno do Campeonato Paulista. O segundo gol como profissional foi marcado no dia 20 de agosto do mesmo ano na vitória por 3×1 contra a Portuguesa Santista. O gol de Nilson foi o segundo da partida.

                      No dia 1 de outubro, ele fez o seu terceiro gol como profissional, numa competição oficial, na vitória lusa sobre o Juventus por 3×0, no Canindé. No dia 6 de outubro, no Canindé, a Portuguesa goleou o Palmeiras por 4×1, com dois gols de Nilson Borges, o primeiro aos 7 do primeiro tempo e o segundo aos 5 do segundo tempo.

                      Era a primeira vez na carreira como jogador profissional que fazia dois gols numa partida. O que veio a acontecer outras vezes. Só faltou mesmo o título para a consagração definitiva daquele esquadrão. “Nós perdemos o título num jogo contra o Noroeste. Era a final de Campeonato, o Santos passou na frente e levou o título”, conta Nilson Borges. O jogo terminou 5×2 para o time da casa e foi disputado no dia 11 de dezembro no estádio Ubaldo Medeiros, em Bauru.

Em pé> Toninho, Júlio, Lori Sandri, Rubens, Lili e Amauri   –    Agachados: Mazola, Valtinho, Sicupira, Sérgio Lopes e Nilson Bocão
Em pé: Félix, Henrique Pereira, Ditão, Pampolini, Wilson Silva e Cacá   –   Agachados: Mário Américo, Neivaldo, Henrique Frade, Dida, Nair e Nilson
Em pé: Djalma Santos, Amauri, Zico, Valdomiro, Alfredo e Amauri    –    Agachados: Zé Leite, Jurandir, Sicupira, Ferrinho e Nilson Bocão
Em pé: Vilela, Nelson Coruja, Odorico, Ditão, Félix e Juths   –    Agachados: Jair da Costa, Silvio, Servílio, Ocimar e Nilson Bocão
Em pé: Djalma Santos, Bellini, Charrão, Célio, Nair e Nilo    –     Agachados: Gildo, Zé Roberto, Madureira, Paulista e Nilson Bocão
1970   –   Em pé: Hidalgo, Zico, Júlio, Hermes, Alfredo e Vanderlei    –    Agachados: Dorval, Sicupira, Sérgio Lopes, Toninho e Nílson
Em pé: Jair Marinho, Marcial, Ditão, Edson, Clóvis e Maciel     –     Agachados: Marcos, Tales, Flávio, Rivelino e Nilson Bocão

Em pé: Ivair, Henrique Frade e Nair     –    Agachados: Neivaldo e Nilson
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