ADMIR MELLO: o Rei do Acesso

                 Admir Mello nasceu dia 23 de fevereiro de 1953, na cidade de Anhembi – SP. Foi um jogador que deixou saudade pelos clubes que passou, em especial no XV de Jaú, na Internacional de Limeira e no São José, pois os três clubes ele ajudou a conseguir o acesso para a Primeira Divisão do Futebol Paulista. No XV em 1976, na Inter em 1978 e no São José em 1980. Jogou também no XV de Piracicaba, Guarani de Campinas, América de São José do Rio Preto, Nacional da Capital Paulista, no Taubaté e no Grêmio Santanense.

                 Depois que encerrou a carreira passou a viver fortes emoções fora das quatro linhas, pois começou a trabalhar como treinador, onde também obteve sucesso.  Durante sua carreira enfrentou adversários fortíssimos, mas sempre soube como vencê-los, porem, no dia primeiro de agosto de 2012, enfrentou o pior de todos, aquele que o tirou do meio de nós, deixando muita saudade a todos que o conheceram e o admiravam pela excelente pessoa que era. A morte o levou, mas jamais esqueceremos do grande Admir Mello.

XV  DE  JAÚ

                 Começou nas divisões de base do XV de Piracicaba, depois foi jogar no Guarani de Campinas e mais tarde no América de São José do Rio Preto, até que chegou na cidade de Jaú, onde sagrou-se campeão da Segunda Divisão pelo XV de Jaú, isto foi em 1976. No ano seguinte estava disputando o Campeonato Paulista com os grandes clubes. A cidade de Jaú estava em festa, pois os apaixonados pelo futebol podiam ver de perto seus grandes ídolos e assim foi no dia 5 de junho de 1977, quando o Corinthians foi jogar lá na cidade. Neste dia o XV de Jaú jogou com Valentim, Galli, Estevão, Olavo e Caíca; Ivinho, Admir Mello e Sabará; Luis Polani, Valdomiro e Paulo Moisés. O técnico era Cilinho.

                 Já o Corinthians jogou com Jairo, Cláudio Mineiro, Moisés, Zé Eduardo e Wladimir; Givanildo, Palhinha e Luciano; Vaguinho (Edu), Geraldão e Romeu. O técnico era o saudoso Osvaldo Brandão. Foi uma tarde de domingo inesquecível para os torcedores do XV, pois venceu o jogo por 3 a 0, gols de Luis Polani (2) e Admir Mello. Neste dia o estádio Zézinho Magalhães recebeu um público de 22.417 pessoas. Mas vale lembrar que quatro meses depois, quem fez a festa (e que festa) foi a torcida corintiana com a conquista do título paulista, depois de vinte e dois anos e oito meses.

INTER DE LIMEIRA

                 Admir chegou na Inter em 1978 e ajudou a equipe a subir para a Primeira Divisão do Futebol Paulista. Naquela época, Admir jogava ao lado de Lula, Volmil, Alexandre Pimenta, Klein, Zé Carlos, Juarez, Tornado, Nestor, Tião Marino, Davi, Caldeira, Carlinhos Biagioli, Lopes, Pitico, Marquinhos Capivara, Humberto Ramos, Luiz Moraes, Vininho, entre outros. O técnico era Airton Diogo e depois Ilzo Neri. Como todos sabem não é fácil conquistar o acesso para a Primeira Divisão do Futebol Paulista e assim foi também para a Internacional. Em um dos jogos decisivos lá na cidade de Pinhal, a Inter perdia o primeiro tempo por 2 a 0.

                 Então a torcida derrubou o alambrado e invadiu o campo da Pinhalense, iniciando uma pancadaria generalizada. O jogo foi suspenso pelo juiz por falta de segurança. Richard Drago, presidente da Inter, conseguiu a anulação da partida e a marcação de uma segunda, já no início de 1979. Nessas alturas, a Pinhalense já estava totalmente desmotivada pela disputa, pois o resultado para ela já nada mais significava. Com isso a Inter venceu a segunda partida por 2 a 0 e conquistou o acesso e automaticamente, mais um título no currículo de Admir Mello. Com a camisa da Internacional, Admir disputou 38 partidas e marcou 7 gols.

E. C. SÃO JOSÉ

                 Admir Mello chegou em São José dos Campos no início de 79 como um meia especialista em acessos, por ter subido com o XV de Jaú, em 76 e a Inter de Limeira, em 78. Ele quase não foi, porque queria ser meia e o então técnico Diede Lameiro disse que com ele só jogaria como volante, por não ter velocidade para cair pelos lados. Admir jogou no São José entre os anos de 1979 e 1982, quando foi um dos heróis da campanha vitoriosa da “Águia”, em 1980, quando foi campeão da Segunda Divisão. Sob o comando do técnico Henrique Passos, o São José conquistou o título após golear o Grêmio Esportivo Catanduvense, pelo placar inquestionável de 4 a 0, no Pacaembu, em 29 de outubro de 1980.

                Tião Marino (2), Baitaca e Edinho marcaram os gols. Admir foi personagem de uma partida histórica, realizada em 18 de novembro de 1981, quando o São José venceu o São Paulo por 1 a 0, no estádio Martins Pereira, na primeira partida decisiva para o título do returno do Campeonato Paulista da Primeira Divisão. O gol foi marcado por Admir Mello, aos 31 minutos do segundo tempo. O árbitro foi Dulcídio Wanderlei Boschillia e o público de 14.737 pagantes. Na saída da delegação do São Paulo, o jogador Mário Sérgio deu tiros na direção de torcedores do São José, mas não atingiu ninguém.

                O caso foi parar na Delegacia de Polícia e Mário Sérgio ficou conhecido nacionalmente como “Rei do Gatilho”. O São José jogou com Ivan; Sotter, Darci, Ademir Gonçalves e Campina; Gerson Andreotti, Admir Mello e Esquerdinha; Edinho, Tião Marino e Niltinho (Beto). O técnico era Fidélis (lateral direito da nossa seleção na Copa de 66 na Inglaterra).     No segundo jogo o São Paulo venceu por 3 a 2, no Morumbi, e sagrou-se campeão do segundo turno.

               Admir amava tanto o São José, que em um de seus depoimentos ele disse “três momentos ficaram marcados na minha vida. O primeiro foi negativo, em 1979, mas que serviu para nos unir mais ainda para a próxima temporada e alavancar o time. Perdemos no Parque Antártica por 2 a 1 para o Taubaté e eles subiram. Foi minha maior tristeza no futebol, ficamos com vergonha de voltar para São José dos Campos, ainda bem que foi pela madrugada. Pequei meu carro, deixe o Tião Marino na casa dele e me mandei para Piracicaba. Na reapresentação tive que encarar a situação, pois respeitava muito o presidente Laerte Pinto da Cunha, mas não tive nem tempo de pedir para ir embora do clube, pois ele me abraçou no vestiário e nós dois choramos muito…

TÉCNICO

                Admir Mello começou sua carreira de treinador no São José, quando comandou o time interinamente, ao lado de Tata, em 1986. Seu primeiro clube oficial foi o Grêmio Olímpico de Futebol Santanense, também de São José dos Campos. Depois, foi auxiliar-técnico de Emerson Leão e Waldemar Carabina, no São José. Com a demissão de Carabina, assumiu a equipe conquistando o vice-campeonato paulista em 1989, disputando a final contra o São Paulo, no empate em 0 a 0, no Morumbi.

                A equipe começou o ano comandada pelo técnico João Francisco, que foi demitido logo após o jogo de estreia, quando perdeu para a Inter de Limeira, no Martins Pereira, por 3×0, sendo substituído por Waldemar Carabina. Admir Mello assumiu a equipe no dia 03 de maio, na derrota para o Palmeiras por 1 a 0, no Pacaembu. A campanha do São José: 29 jogos, 15 vitórias, 07 empates, 07 derrotas, 39 gols marcados e 22 sofridos. Toni, centroavante da “Águia do Vale”, dividiu a artilharia do campeonato com Toninho, da Portuguesa de Desportos, com 13 gols marcados.

                Em 1989, o São José fez uma partida memorável contra o Corinthians, nas semifinais, quando perdeu o primeiro jogo por 2 a 0, no Morumbi, e reverteu o resultado ao golear o “Timão”, por 3 a 0, no Martins Pereira com gols de Tita e Toni (2). No primeiro jogo da final, contra o São Paulo, no Morumbi, veio a derrota por 1 a 0, na noite de 28 de junho, com gol contra de André Luiz, aos 40 minutos do 2° tempo.

               A grande final aconteceu em 02 de julho, também no Morumbi. Aliás, até hoje os torcedores questionam as duas partidas disputadas no campo do adversário. Final: 0 a 0; São Paulo campeão e São José, vice. Admir dirigiu também o Figueirense/SC (1994), Clube Atlético Joseense/SP (2001), EC Taubaté/SP (2002) e voltou como coordenador ao São José (2004). O nome de Admir Mello sempre surgia em época de vacas magras. Teve bons e maus momentos no clube, foi criticado e elogiado, era uma espécie de “bombeiro” das crises. Seu nome ficará registrado em letras maiúsculas na história do São José.

TRISTEZA

               Era o dia 1 de agosto de 2012, quando Admir e sua esposa Adélia Yumi Matsubara resolveram sair de bicicleta pelas ruas da cidade de São José dos Campos onde residia, fato este muito comum no casal. Durante o trajeto, Admir sentiu-se mal, teve um enfarto fulminante e caiu. Foi socorrido, mas quando chegou ao Pronto Socorro da Vila Industrial, já estava sem vida. Ele, que já havia enfrentado complicações cardíacas, não resistiu a mais esta. Sua morte prematura (59 anos) causou consternação. O velório aconteceu na Capela do Horto São Dimas em São José dos Campos.

               O ex-jogador deixou esposa e um filho, chamado Gabriel. Quem teve o prazer de conhecê-lo pessoalmente afirma que era uma pessoa de finíssima cordialidade, homem de caráter e personalidade forte, aceitou e decidiu ser joseense de coração, por isso, em 2008 recebeu o título de cidadão Joseense. Foi sem dúvida uma perda de grandes proporções, mas quis Deus o levar, fique em paz e votos de conforto a sua família, um grande atleta do nosso futebol. Descanse em paz Admir Mello.

Em pé: Darcy, Admir Melo, Walter Passarinho, Ademir Gonçalves, Nelsinho e Tonho   –    Agachados: Edinho, Tata, Tião Marino, Esquerdinha e Nenê
Em pé: Lopes, Luiz Moraes, Pitico, Vininho, Alexandre Pimenta e Carlinhos Biagiolli   –    Agachados: Juarez, Tião Marino, Carlinhos, Admir Mello e Marquinhos
Em pé: Lula, Klein, Tornado, Alexandre Pimenta e Zé Carlos    –   Agachados: Juarez, Admir Mello, Tião Marino, Carlinhos e Caldeira

Em pé: Vininho, Lopes, Tornado, Alexandre Pimenta, Zé Carlos e Lula     –     Agachados: Juarez, Admir Mello, Tião Marino, Marquinho e Caldeira
1978 – Em pé: Klein, Pedro Paulo, Pitico, Carlinhos Biagioli, Volmil e Alexandre Pimenta    –   Agachados: Juarez, Admir Mello, Tião Marino, Tornado e Caldeira

 

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